sábado, 14 de julho de 2018

SEMENTES "DA ALMA" !!!...




SEMENTES "DA ALMA" !!!...


Semente que germina na alma;
Tem raízes e ramos de Amor!...
Dá flores cujo odor nos acalma,
Se alma esconde uma dor!...
Se o vento uma haste balança;
E o pólen faz voar pelo espaço,
As folhas ensaiam uma dança...
As sementes ao cair se enlaçam!...
O Sol quando acorda a sorrir;
As sementes unidas florescem...
E se a Lua adormece a seguir;
A dor que existia se esquece!...
Quantas sementes de vidas;
Quanta alma a viver torturada...
Flores que vegetam perdidas;
Em ramos de haste quebrada!...
Mas um dia novo Sol vai raiar;
E as sementes voltarão a florir!...
O Sol de novo estará a brilhar;
A alma feliz ficará então a sorrir!...

António J. A. Cláudio

quarta-feira, 11 de julho de 2018

DESARMONIA


Pintura de Dórdio Gomes


DESARMONIA


Anoiteceu! Os ruídos da terra foram-se. A última formiga encolheu-se, mais escura, mais humilde, na prega onde vai dormir. Despregou-se lentamente a folha que tremia. As aves mais novas, as mais turbulentas cruzaram os braços. Calou-se o chilreio dos pardais e fecharam-se as gargantas alegres das rosas. As últimas claridades, mesmo as mais teimosas, resignaram-se, e lá se foram. As veias das águas pulsam mais baixinho. Dobram-se as ervas altas. Nos regatos das montanhas param os lobos. Arrumaram-se as borboletas imóveis. As andorinhas interrompem o seu trilhar. Tudo o que vive respira e larga o seu perfume. Tudo o que rasteja imobiliza-se. Tudo o que canta e voa, pára. 

Os vales claros são colcheias, as montanhas são os sustenidos, os ribeiros são bemóis. Os pinheiros acompanham em surdina, e os plátanos trazem as suas notas. As colinas sentam-se. O silêncio, hino de todas as notas, sobe, alastra, cresce, toma todo o espaço… e fica no coração de cada lírio, fica na onda de carinho que paira sobre a escuridão, fica nos olhos das gazelas, em tudo o que é graça, em tudo o que é branco, simples, puro. Na serra, o pastor põe-se à espera das estrelas e mais acima um casal de apaixonados sente-se inundado de um maravilhoso enternecimento. 

Mas na febre das cidades, as criaturas fecham as janelas, descem os estores, fecham os cortinados e recorrem à iluminação elétrica… Não podem ver, não podem ouvir o silêncio prodigioso da Natureza. Ninguém olha as estrelas! Só podem ver e ouvir televisão!

Alfredo Costa Pereira

... LIVRE-ARBÍTRIO DO MUNDO


Imagem - SAi$ONS 


... LIVRE-ARBÍTRIO DO MUNDO


Como pode o céu ser nublado
Pra uma alma, repleta a primavera,
Que tem o coração azul doirado
Espelhado p´las asas de quimera!?

Em sua melodia a rosa dos ventos
Que norteia o planeta p´lo sonho
D´uma açucena, todos os momentos,
Iluminando o dia p´lo seu olhar risonho.

Como pode o céu ser nublado
Pra uma criatura, pura e bela,
Que tem a natureza d´uma aguarela
Projetada p´lo livre-arbítrio do mundo!?

© Ró Mar

sábado, 7 de julho de 2018

CULTIVAR O BEM




CULTIVAR O BEM


Deixar de acreditar no bem é habitar no inóspito,
doar concessão para o disparate em nós hospedar
é preciso crer que tudo vai passar, 
porque passa!
A terra é rajada de vento, abrida pela chuva, 
sofrida pela ausência...
Mas pensa, o universo se faz amoldar pra ajustar
e quantas estações faz repetir o afloramento!?...
Fazendo o coração palpitar?
de repente tudo muda de lugar
e quem chorou pode sorrir
é o desejo que faz ir e vir...
Perder ou ganhar...
Lutar contra os desperdícios
por aquilo ou por isso
tantos sinistros
passar o tempo...
e reflorir também 
por dentro
CULTIVAR O BEM.

Sónia Gonçalves

Son Dos Poemas |100% SMG

NA ROÇA ERA ASSIM


Imagem - Google


Na roça era assim


Amanhece chovendo...
No coração da vida da roça o sol brilha...
Só vendo!
Alegria exuberante... Bela trilha!

Com uma capa e botina alguém vai o leite tirar,
Tratar da bicharada depois o café tomar.
Que delícia, as guloseimas que lá tem.
Pão de milho, nata, o melado, queijo fresquinho também.

Salame ali fabricado, o doce feito de abóbora e as frutas do pomar.
Depois de arrumar a casa, a mulherada a inventar.
A mãe a remenda roupas pra usar lá no pesado. 
Cose, cirze o par de meias, deixa o tempo alinhavado.

Trança a palha, faz chapéu pra livrar do sol medonho,
A filha borda e tricota e alimenta cada sonho.
Escreve carta pra família e também ao namorado
Naquele lugar distante, faz seu Rei o seu amado. 

O almoço uma delícia! Coisa simples, caprichada...
Galinha caipira ao molho, feijão arroz e salada.
Os homens vão pro paiol descascar o milho da palha,
Que logo vira fubá e assim segue a batalha.

Na hora que a chuva cessa, o filho pega o cavalo,
Vai à Vila fazer compras e logo no mesmo embalo,
Dá um jeito de encontrar a querida namorada.
E assim a noite chega junto da mulher amada.

Dia de chuva na roça é pra adoçar a essência,
Porque viver é uma arte vivida com sapiência.
Da simplicidade ao luxo viva a feliz existência!

Elair Cabral

segunda-feira, 2 de julho de 2018

GIRA A BOLA, GIRA A BOLA




GIRA A BOLA, GIRA A BOLA
“Mundial de 2018”


Gira a bola, sim, gira a bola,
Gira a bola e torna a girar,
Seja pelo pé ou pela tola
O que interessa é ela entrar.

Onze contra onze e a rodar,
Com seus galões, sua bitola,
Num relvado rectangular
Gira a bola, sim, gira a bola.

Artista da bola que se preze
Gosta das emoções puxar
E odiando a quem o despreze
Gira a bola e torna a girar.

Para mostrar habilidade
Todo o bom artista se esfola
E ama o golo de qualidade
Seja pelo pé ou pela tola.

Às vezes torna-se impaciente,
De bola parada ou a rodar,
Dominá-la, sempre pra frente,
O que interessa é ela entrar.

Entrar pela baliza dentro,
Derrotando qualquer goleiro
É o melhor contentamento
Que se sente p´ lo mundo inteiro.

E então se for penalidade…
É um ver se te avias de paixão,
Joga-se ali toda a verdade
Seja ela em que condição.

Gira a bola ou baila a bola – 
- Alto lá, ó senhor juiz,
Estou suando a camisola
Não ligue à falta que eu fiz!

- E, se porventura ligar
E entender que sou o culpado,
Faça o favor de ir ao VAR
Pois eu não sou mal-educado…

Futebol, qualidade e “massas”
Se ele é ou não compatível,
Malgrado ocorrerem desgraças,
Continua sendo apetecível.

Gira a bola das sensações,
Gira a bola e giram os ócios,
Gira um universo de milhões
E gira o mundo dos negócios.

Girando a bola, gira o mundo,
Gira sempre de rua em rua,
Ópio do povo, ópio profundo
Entre a alegria e a amargura,

É tal e qual um carrocel,
Ganhar ou perder é banal,
Gosto de mel igual ao de fel
Gira a bola já é habitual…

Cada dia, cada mês, cada ano
Gira a bola em força acrescida,
Gira o sonho sacro ou humano
No Estádio tremendo da Vida! 

Frassino Machado
In A MUSA DOS ESTÁDIOS