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terça-feira, 21 de março de 2023

QUADRAS | SANTOS POPULARES




DESAFIO POÉTICO: "JUNHO | QUADRAS POPULARES"





FORÇA DA TRADIÇÃO


Santo António, és o primeiro
Dos três santos populares
És o santo casamenteiro
Que alegra os nossos lares

Tens tal fama no teu dia
Que toda a bela cachopa
Só pensa com alegria
Em queimar uma alcachofra

Santo António, Santo António
Dá me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Rapazes e raparigas
Dancem e cantem sem parar
As vossas belas cantigas
Para toda a gente alegrar

Cada marcha que aqui passa
É um bairro e um pregão
Que enfeita e dá graça
E mais força à tradição

Santo António, Santo António
Dá-me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Esta Lisboa velhinha
Que de ti se enamorou
Fizeste dela a rainha
Que o povo acarinhou

Vosso par ficou eterno
E durante o mês de Junho
Renasce um amor mais terno
Nessas noites como um sonho

© ARIEH NATSAC




AOS SANTOS POPULARES



Chegado o mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

Nas ruas há animação
E não faltam manjericos
P'ra entoar no coração
A música dos bailaricos!

António de Lisboa,
Meu Santo milagroso,
Casai a rapariga boa
Com um moço bondoso!

São João, lá do Porto,
Trazei-nos vinho prá boda
E verão p'ra conforto
Do luar de roda em roda!

E, cansados de dançar
Que nos valha São Pedro
Para a fogueira saltar
Até à sombra do cedro!

A chave, entre o arvoredo,
Duma casa caiada
De branco, de manhã cedo,
Para ser nossa morada.

Nas casinhas há harmonia
E não faltam manjericos
P'ra dar à janela poesia
De cheirinho a namoricos!

No fim do mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

© Ró Mar




“Festas Populares 2022”


Mês de junho, mês do povo,
Mês dos Santos Populares,
Pelas ruas nada de novo
Muito menos nos altares.

Cascatas de Santo António
Enfeitadas com balões
Manjericos património
E uma cesta prós tostões.

Santo António e São João
Com brincadeiras finas
Vão jogando de mão em mão
Coloridas serpentinas.

Não acha graça São Pedro
Aos alhos-porros famosos
Mas guarda-os em segredo
Dos olhares cobiçosos.

Festas Populares são assim
Singelas e sem intrigas
Que o diga o Benjamim
Sempre atrás das raparigas…

Com sardinhas ou bifanas
Todos querem petiscar
Há tintol prás carraspanas
E caldo-verde a fumegar.

Mês de junho, mês do povo,
Mês pequeno, mas com graça,
Todos gozam, sem estorvo
Pelas ruas, em cada praça.

Mês do povo, mês de junho,
Mês de todas as primícias,
Boas-Festas, testemunho
Coisas belas, oh delícias!

© Frassino Machado




LISBOA PRIMEIRA


Na noite de Santo António
Nas escadas, nas vielas;
Pressente-se matrimónio,
Nos olhos, nas piscadelas.

Belo é ver remexer
Se alusão ao namorico;
Há cartãozinho a benzer
No cimo dum manjerico.

No pão, assadinha sardinha
Pede depois de bailar;
Que sirvam boa pinguinha,
Num copo pra acompanhar.

Lisboa é a primeira
Dos Santos na tradição.
Pra que pronta a sementeira,
Segue os Stos Pedro e João.

© RAADOMINGOS




Santos populares


Santo António, São João
Protegei-lhe por favor
A bem do meu coração
Os passos do meu amor

Pelos bairros a saltar
Toda a noite e mais meu bem
Fartei-me de o beijar
Ele beijou-me também

Que boa rusga fizemos
De mãos dadas a correr
O festival que nós demos
Todos o quiseram ver

A nossa alma salta e canta
Nas rusgas do São João
Cada cantinho encanta
Canta o nosso coração

© Custódio Montes




MARCHAS…


Lá vai Lisboa a marchar
Com fatos de multicores
Andam no ar mil odores
Cheira a santo popular

Desfila-se na avenida
Soam cânticos p’los ares
Todos ligeiros os pares
Felizes da sua vida

Cada bairro faz figura
P’ra manter a tradição
Com amor no coração
Desta gente humilde e pura

Rapazes e raparigas
Mostram todo o seu valor
Na beleza no esplendor
Na garra de umas cantigas

Vem p’ra rua toda a gente
Também gostam os turistas
Acompanham os bairristas
De uma maneira diferente

Desde Alfama à Madragoa
Do Bairro Alto a Benfica
Mas em casa ninguém fica
Para ver passar Lisboa

No dia treze de junho
Santo António dá-lhe a mão
Como manda a tradição
Passando-lhe o testemunho

Marchas já há este ano
Covid tudo mudou
O povo não desfilou
Naquele passeio urbano

Nossa prisão foi marcando
Lisboa perdeu a cor
Deixando um rasto de dor
Pandemia desfilando

Santo António nos libertou
Temos de volta a cidade!
Deu-nos nossa liberdade
Solidão em nós acabou.

© ARIEH NATSAC



 

HÁ NOVAS MARCHAS NAS RUAS


Já te vestiram de tudo,
O teu pranto cantaram.
És generosa pra estudo,
Tanto em ti se inspiraram.

Já te calçaram chinelas,
Sapato fino, outros mais...
Nas pernas tuas canelas,
Te adornam pros arraiais.

Na ligeireza do passo,
Deixas os olhos pousar.
É deles o teu compasso;
Sua, a tua verve amar.

Na esbelta cintura dedos,
Decifram a tessitura.
Qual a fase nos segredos,
Quando pronta a partitura.

Nesse doce encantamento,
Santo António fez das suas.
É claro o enamoramento,
Há novas marchas nas ruas.

© RAADOMINGOS

 
 
 

COSTUME DE LISBOA


Varinas tem no andar
Manjericos na lapela
Vai Lisboa namorar
No mais lindo barco à vela

Remam asas de gaivota
Flutua nos braços do Tejo
Levando o cheiro da lota
A brisa manda-lhe um beijo

Junto ao cais a baloiçar
Tem costume de adormecer
Vê Santo António bailar
As suas sete colinas
As suas lindas meninas
Que o estão a proteger

Durante a noite o luar
É o seu lençol de espuma
Que a sabe alindar
Como se fosse uma pluma

Ele contente e feliz
Sonha com a sua história
E quando passa bem diz
Seu orgulho de vitória

© ARIEH NATSAC



      

TRONOS DE SANTO ANTÓNIO


Lisboa tem tradição
Pelas ruas e vielas
O cheiro a manjericão
E das sardinhas capelas;

Há grinaldas de flores,
Lanternas, balões e mais
Feitos de papel de cores
Garridas prós arraiais.

Lisboa tem património
Pelas montras e janelas
Tronos de Santo António
Chamariz prá ginga delas;

Há caldo verde, bifanas
Chouriço assado e vinho
Que engorda as trezenas
Do seu Santo Antoninho.

Lisboa menina do Tejo,
Sete saias a marchar,
Lava as vistas no cortejo
A António e vê-se casar;

Há andores e tambores,
Seda e chita colorida
P'ra conquistar amores
E saudade à despedida.

Lisboa tem arte e oficio
Pelos bairros típicos,
O fado honra o solstício
De verão com namoricos;

Há alegria e multidões
Pelos Santos populares
E Amália nas canções
A avistar todos os altares.

© Ró Mar


 


UMA MARCHA PARA ALCÂNTARA


Alcântara passas brejeira
De mansinho a dar ao pé
Saltas em qualquer fogueira
Mostrando um ar sem ralé

Vais formosa como sempre
Aqui ninguém te segura
Vens dizer a toda a gente
Que não há gente mais pura

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passas a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Teve a rainha do fado
D.ª Amália foi a dilecta
Cantou-o por todo lado
De uma forma bem discreta

Alcântara é um rosário
De penas por desfiar
É tão grande o seu Calvário
Que o foram lá deixar

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passa a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Tens a ponte sobre ti
E toda a gente que passa
Olha do alto e sorri
Extasiada com a tua graça

Passam para lá do Tejo
 Com Santo Amaro a vê-los
Lançando-lhes um terno beijo
Para sempre protegê-los.

© ARIEH NATSAC
 
 


JUNHO É LISBOA EM FESTA


Junho é Lisboa em festa,
Santo António vai á Sé
E ao município, nesta
Maravilhosa tournée;

Após o matrimónio
Desfilam pela Avenida
As noivas de Stº António
E as Marchas dão-lhe vida!

Noite de Santo António
Leva Lisboa ao céu
Compõe o aniversário
Do padroeiro a tropel!

Amália é mote forte
E os bairros badalam
E marcham a sua sorte
A ver o que conquistam!

O júri é soberano
E a mais linda da Avenida
Vai ser coroada este ano
E por todos acolhida!

Noite longa e calorosa
Que abre as portas ao verão
Com muita música e prosa
Ao luar do manjericão.

Junho é Lisboa em festa,
Santo António é a Fé
E com alegria nesta
Vai de chinela no pé!

© Ró Mar




QUERO VER VIVA LISBOA…


Quero ver viva Lisboa
De Alfama à Madragoa
Bem juntinha à beira rio
Mostrar-se fresca e ladina
No seu porte de menina
Que lá no alto surgiu

Tem as honras de rainha
De um castelo foi madrinha
E de um povo que bem lhe quer
Por ser nobre e azougada
Para a farra foi fadada
Vai numa marcha qualquer

Tem seu santo padroeiro
Que o nosso rei primeiro
Quis que fosse S. Vicente
Quando conquistou Lisboa
Embora muita gente boa
Tem Santo António em mente

É santo mais popular
Põe o povo a cantar
É também casamenteiro
Dá mais brilho à cidade
Festeja-se em liberdade
E Lisboa tem outro cheiro.

© ARIEH NATSAC




Autores: ARIEH NATSAC,  Custódio Montes, Frassino Machado, 
RAADOMINGOS e Ró Mar

 

Ilustração: Fotografia © Ró Mar | 2022

sábado, 1 de janeiro de 2022

ELÉTRICO DA CARRIS


Fotografia de Ró Mar


ELÉTRICO DA CARRIS


Parece-me um acervo do museu da Carris,
É o que a imagem e a placa do elétrico me diz!
Por norma é amarelo e desconheço a intenção
Talvez o chamariz seja a origem da função!

Já andei. Não em jeito de veraneio;
Era pequena não me recordo do itinerário!
O ziguezagueio que ele oferece diário,
Traça do passeio um belíssimo cenário!

Há também a versão vermelha histórica.
Não sei se passa na igreja de S. Vicente de Fora ou é o da carreira 28 !?
Seja qual for do elétrico o circuito
Não destrona nem um nem outro!

São lindos, são pitorescos,
Fazem parte da história de Portugal.
A ideia não foi nossa;
Já outros primeiros, tiveram igual.

Mas o que é certo é que fazem da nossa bandeira um local atrativo para visitar Lisboa.
Neles circulam turistas, fazendo muitas visitas sem deles - coisa boa - terem que sair do lugar!

Ele é ruas estreitinhas, largas ou zonas ribeirinhas, miradouros, cais...
Subidas ou descidas, duas, três, sete colinas...
Cá nada de gasolinas, só sob o carril.
De vê-lo; a Baixa Pombalina o Castelo - outros mais - sob o céu anil sorriem...
Tudo é belo quando nele andas e vais...

© RAADOMINGOS | 01/2022

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

O E L É T R I C O V I N T E E O I T O


Foto de Ró Mar 


O  E L É T R I C O  V I N T E  E  O I T O


O "Amarelo" é inteligente e passeia pelos típicos bairros lisboetas.

E létrico, que data de 1911, tem alma alfacinha e o dom
L ivre e destemido dum vento soalheiro na dobra do mar português.
É mais do que transporte, o ponto de encontro com a cultura portuguesa -
T elas, paisagem, gastronomia, artesanato, tudo num ecossistema fantástico;
R ei de carris, que nos coroa de boas sensações, trajeto invejável,
I nigualável, por isso, afamado internacionalmente!
C omo pode alguém visitar Lisboa e não andar nele?
O "Vinte e Oito" - mirabolante e secular das sete colinas!

V iajem lúdica dos Prazeres ao Martim Moniz,
I tenerário turístico que dá a conhecer o melhor da cidade.
N uma visita histórica a paisagem tem mais significado,
T odas as zonas de paragem têm tradição e encanto, especialmente a
E strela e a Basílica. O elétrico que proporciona conhecer o foco da Capital.

E stonteante travessia! De Campo de Ourique, por S. Bento ao Adamastor em Santa Catarina!

O Camões, o Chiado da brasileira, a Sé Catedral, o Limoeiro, as Portas do Sol e Santa Luzia
I maginando a Graça de Sophia de Mello Breyner beijando o mar -
T êm o Tejo para sempre! O oceânico sentimento - Sal de Portugal!
O passeio de "Vinte e Oito" a recordar e a continuidade a (de) pé pela encosta até ao Castelo!

© Ró Mar | 2021

sábado, 4 de dezembro de 2021

LISBOA, MEU BERÇO, MEU MAR.


Fotografia de Ró Mar


LISBOA, MEU BERÇO, MEU MAR.


Menina, mulher, canção
Do dia, noite de sonhar;
Colar rente ao coração.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Histórias, lendas e contos
Por viver e por contar,
Quase sempre prontos.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Menina de sete saias,
Tuas colinas d' encantar,
Por olhar as belas praias.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Minha pátria, una canção,
Por feito de namorar
O Tejo em toda a extensão.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Ah, Menina tão brejeira
E senhora de seu ar!
Quatro estações e bandeira;
Lisboa, meu berço, meu mar.

O 1º rei de Portugal,
D. Afonso Henriques, louvar
P'lo reino da capital;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Farol, língua de Camões,
Pelo universo a navegar,
Jus às condecorações;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Os teatros ricos tesouros,
Jardim da Estrela belo ar;
É arte a praça de Touros!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Do Castelo ao Terreiro
Dom João II foi morar,
Por olho no dinheiro;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Salvé os descobrimentos!
Paço da Ribeira e o mar,
Torre - conhecimentos;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Ah, feitos fenomenais!
Ponto de partida ao mar,
Vasco da Gama e outros tais;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Porto de Lisboa tão ouro
E especiarias a engordar
A cidade do tesouro!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Dom João V, de seu jeito
Grandioso, quis ofertar
O aqueduto a preceito!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Das águas livres nascer
Fontes para iluminar,
Monumentais, de se ver!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Do terramoto há memória,
Do Marquês o renovar;
Pombalina e arcada, glória;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Chiado dos grãs literatos,
Cinema e tela a encantar
Preto e branco dos retratos;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Bairros lisboetas são fado,
Cunho português a trinar,
Aqui e em todo o lado;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Os ares dos miradouros,
E os baloiços d' embalar,
Miragens, meus tesouros!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Menina de salto alto
Por alfama a passear
E também p'lo bairro alto!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Varina da Madragoa,
Petinga fresca, a saltar,
Velha canoa qu' apregoa;
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Monumentos, catedrais
E outros tais de pasmar,
Arte anciã, belos vitrais!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Arte equina de gabarito,
Puro Lusitano a galgar
Lezírias, porte bonito!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Azulejos com história
P'ra contar, azulejar
Mundo afora, nossa glória!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Menina, calçada, riqueza
De Portugal; sereia, mar
Do meu coração; Princesa!
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

© Ró Mar | 2021

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

PASSOS DADOS EM LISBOA…


Fotografia de Ró Mar 


PASSOS DADOS EM LISBOA…


Calmamente passeio por Lisboa
Entretenho-me a ver montras, lazer,
À luz da claridade que abençoa
A gente que ali passa a condizer

Um carro que acelera e vai roncando
Vai gastando os pneus só para ganhar
A vida que é bem dura e vai levando
A esp’rança na bagagem sem falar

A pressa contamina a demora
E o tempo passa mesmo ali ao lado
No relógio que certo, marca a hora
De encontro mal marcado no Chiado

Pensamento refila sem razão
Que as ruas estão cheias de gente
Que vão fazendo ao longo um corrimão
Olhando em desvario tão somente

Vai passando morena sedutora
Leva um sorriso e ar reconfortado
Braço dado com passo de ir embora
Com curvas de um sentido assinalado

São as ruas da minha tolerância
Com o cheiro a suor e mais fragrância
Marco passo apressado desde infância
No desfile ritmado em concordância

De pombo sem pombal que nos dejeta
Humildemente e já nem sequer liga
No alto de uma estátua sempre alerta
Mas seu arrulho vai numa cantiga

Juntos com as gaivotas cruzam ares
Enfeitando os telhados da cidade
Fazendo um ritual com seus dançares
Desfilam demonstrando liberdade

E quem apanha chuva vai passando
Molhado vai beber loira cerveja
Enquanto gente lesta vai saltando
Procurando um alpendre que a proteja

Chapéus de chuva, pingos os esgrimem
Com passos dados bem determinados
Passam lagos ou poças sem fugirem
Ficam sapatos finos encharcados

Foram passos em dias que passei
Ao longo de uma vida que passou
Enormes as barreiras que saltei
Nesse tempo tão rico que me honrou

À noite refinava-se um contar
A lembrança de um tenso vai e vem
‘scutado sobre acordes do seu mar
Quer impor seus galões como ninguém

Cansado vou voando nos meus versos
Em rima de saudade e sintonia
Sempre simples ousados mesmo adversos
Expostos com loucura em cada dia

Mas nada é composto sem empenho
Nada vale o valor sem cabimento
Muitas ruas, passeios, inda tenho
E o cheiro que transpiro é do sustento

Tantos passos perdidos que deixei
Tantas pedras polidas na calçada
Foram anos costumes que apanhei
Fortes laços de vida assinalada.

© ARIEH NATSAC

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

LISBOA NÃO TEM SÓ TEJO…


Fotografia de Ró Mar


LISBOA NÃO TEM SÓ TEJO…


Lisboa não tem só Tejo
Nem os santos populares
Há também outros festejos
E turistas a passar

Lisboa não tem só gaivotas
Pombos voam nas vielas
Onde desfilam garotas
Como sendo caravelas

Passam nelas tanta sombra
Em noturnas procissões
Quando aparece a penumbra
Enlouquecem-se as paixões

Muitos poetas deram brado
Entre portas fora de horas
Na nostalgia de um fado
Até ao romper de auroras

Com mistérios de outras eras
Difíceis de desvendar
Foram loucas primaveras
Passadas no alto mar

Lisboa tem sua sina
Que lhe marcou a matriz
E cresceu como menina
Rainha deste país.

© ARIEH NATSAC


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

LISBOA, MEU BERÇO, MEU MAR.




LISBOA, MEU BERÇO, MEU MAR.


Menina, mulher, canção
Do dia, noite de sonhar;
Colar rente ao coração.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Histórias, lendas e contos
Por viver e por contar,
Quase sempre prontos.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Menina de sete saias,
Tuas colinas d' encantar,
Por olhar as belas praias.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Minha pátria, una canção,
Por feito de namorar
O Tejo em toda a extensão.
Lisboa, meu berço, meu mar.

Mar e Mar. Não há terra igual
P'ra nascer, viver e amar,
Que a capital de Portugal.
Lisboa, meu berço, meu mar.

© Ró Mar | 11/ 2021

domingo, 31 de outubro de 2021

VARINA DEVOTA…


VARINA DEVOTA…


Foi-se a varina devota, pescadinha rabo na boca
Canastra sobre a cabeça, p’ra ganhar coisa pouca
Mas o tempo já mudou, já passou a tradição
O passado é coisa morta, seus pregões já lá vão

Como recordo esse tempo, feito menino e moço
Aquele cantar de esperança, pondo tudo em alvoroço
Calcorreando as vielas, ou até mesmo as avenidas
Com a maresia na voz, nas palavras mais ouvidas

Passou o tempo, daquele tempo
Ousado e triste com um intento
Passado lembro-me o momento
Com saudades daquele tempo daquela voz

Foi-se o tempo, mas que tempo
Agora acordamos sós
Com o tempo e apenas nós

Onde anda aquele pregão, e ainda outros mais
Tagarelas na cidade, p’la manhã onde andais
Eram poetisas que rimavam, com frases vindas da lota
Tinham do tejo o andar, numa onda de gaivota

Uma freguesa que vinha, à janela p’ra pedir
Maré cheia de peixe, feita para nos servir
Ao almoço ou no jantar, na canastra a saltar
Este retrato de Lisboa, irei sempre recordar

Passou o tempo, daquele tempo
Ousado e triste com um intento
Passado lembro-me o momento
Com saudades daquele tempo daquela voz

Foi-se o tempo, mas que tempo
Agora acordamos sós
Com o tempo e apenas nós.

Ai varina como tenho saudades, daquelas lindas idades.

© ARIEH NATSAC

sábado, 11 de abril de 2020

LISBOA DESERTA


Foto: @MG Photo


LISBOA DESERTA


Lisboa minha cidade
Que inspiraste grandes escritores
Com poemas de Amor e saudade
Dedicados aos seus amores

Lisboa minha cidade
Que deste vida aos maiores fadista
Com fado inspirado na saudade
Dedicado a este povo bairrista

Lisboa minha cidade
Que apaixonas todos os turistas
Com o fado património da humanidade
E as ruas cheias de fantásticos artistas

Lisboa minha cidade
Hoje com as ruas desertas
Vivendo esta infeliz calamidade
Apenas com as janelas abertas

Lisboa minha cidade
Do sonho de Abril da revolução
Onde nasceu a liberdade
Como uma inesquecível canção

Lisboa minha cidade
Mais esta luta iremos vencer
Esta praga que afeta a humanidade
Em breve irá finalmente desaparecer

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

"A MINHA TERRA É DISTANTE"


Lisboa | Fotografia de Ró Mar


"A minha terra é distante!"


A minha terra é distante
Do Porto e minha pena d' ouro
Ergue-a num rabelo viajante
Levando-a a passear p' lo Douro.

A minha terra é distante
D' Aljustrel e sem canseira
Sabe bem fazer torrão d' Alicante
E outras iguarias da vila mineira.

A minha terra é distante
Do Algarve e tão amante
Da gastronomia Algarvia,
Faz D. Rodrigos na caligrafia!

A minha terra é distante
Do Norte e Sul de Portugal,
Perto de todo o semblante
Porque é grande Capital!

A minha terra é distante
Do campo e é tão verde
Porque é a Capital Verde
Europeia de poesia gigante.

Porque a vida é gritante
Sem poesia! Quando não viajo
Deambulando o meu trajo
A minha terra é distante!

Trajo até à Golegã de burrico
Pra celebrar o puro viajante
Lusitano, porque do Ibérico
A minha terra é distante.

A minha terra é distante
D' estrangeirismos, ações
Só na língua de Camões,
Salve aos regionalismos!

A minha terra é distante
Do campo e são sete as colinas
Espelhadas p' lo Tejo flamejante,
Qu' apregoam as varinas.

Quanto à saudade e pranto
Vou até à casa hilariante
D' Amália escutar o quanto
A minha terra é distante.

D' alma e coração numa magia
Maviosa p' la histórica província
Portuguesa! Ah, a minha miopia,
A minha terra é distante!

© Ró Mar  

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

SÃO VICENTE DE LISBOA


Dia de São Vicente (22-01). Este Santo é Padroeiro da Cidade de Lisboa. 


SÃO VICENTE DE LISBOA  

«Trovas a São Vicente» 


São Vicente de Lisboa,
Antecessor de S. António,
Tua vida é canto que soa
Como ilustre património.

Vieste das terras de Espanha
S. António foi para fora
Tua aventura tamanha
Foi de admirável aurora.

Tiveste culta educação
Nas ondas da Cristandade
Ofertaste teu coração
Desde muita tenra idade.

Deste exemplo de bravura
Com oração e desvelo
E com a maior ternura
Foste luz, foste modelo.

Não te perdoou Daciano
A tua atitude e dever
Obrigou-te em certo ano
A renegar ou a sofrer.

Qual aventureiro de Cristo
Optaste a todo o momento
Fazeres-te d´ Ele ministro
Arriscando o sofrimento.

Nenhum poder te vergou
Nenhum império te venceu
A Tradição consagrou
Teu milagre como troféu.

Os homens foram tiranos
Com o teu corpo desfeito
Mas até corvos ufanos
Foram para ti de respeito.

Defenderam-te do perigo
Levaram-te na brisa do mar
Procurando-te um abrigo
Onde fosses descansar.

Teus despojos milagreiros
À terra lusa chegaram
E até os rudes guerreiros
Tuas virtudes abraçaram.

Quem havia de dizer
Ser um rei Conquistador
O primeiro a se bater
Pra seres digno de louvor.

Os corvos teus companheiros
Foram tuas testemunhas
Numa barca de romeiros
Co´ a palma que empunhas.

Abençoaste este País,
Acabado de nascer,
Curando-lhe a cicatriz
Da Cidade a alvorecer.

Não tenhas pena da gente
De Santo António gostar
No fundo, tu vais à frente
Com tua estrela a brilhar.

São Vicente lá do alto
Proteges sempre a Cidade
Que adormece em sobressalto
Entre o Fado e a Saudade!

© Frassino Machado
In TROVAS DO QUOTIDIANO

domingo, 19 de janeiro de 2020

LISBOA CIDADE VERDE


Fotografia de Ró Mar


Lisboa Cidade Verde


"Lisboa Cidade Verde"
É o que se quer plantar
P' las ruas da Capital Verde:
Idades a (re)educar.

Prá vida (re)nascer Verde
Há que trabalhar duro,
Lutar pra ver no futuro
"Lisboa Cidade Verde".

"Lisboa Cidade Verde"
Esperança pra alcançar
Porque urge sentir Verde!
Olhar, sonhar, concretizar...

Preservar o ambiente
É qualidade de quem Verde
(Re)afirma pra ter contente
"Lisboa Cidade Verde".

sábado, 24 de setembro de 2016

PURA AMIZADE




PURA AMIZADE


Caminho sem nenhum destino certo
Pelas belas ruas da cidade de Lisboa
No meu pensamento nada de concreto...
Apenas caminho completamente à toa

Oiço apenas os meus passos na calçada 
O silêncio é tal que parece um filme de terror
Apenas quero caminhar e não pensar em nada
Para esquecer a minha tristeza a minha dor

De repente ouvi um soluço muito profundo
O som vinha de uma ruela escura e estreita
Acendi o isqueiro e vislumbrei um vagabundo
Que chorava ali no chão mesmo à minha direita

Perguntei com suavidade se podia ajudar
Seus olhos cheios de lágrimas fixaram os meus
Tentou com muita dificuldade se levantar
E disse-me sou um pobre abandonado por Deus

Senti no meu coração uma dor nunca sentida
Abracei o mendigo e levei-o na minha caminhada
Disse-lhe amigo nunca mais estarás só na vida
Sem amizade o viver não vale absolutamente nada

Paulo Gomes

sábado, 13 de agosto de 2016

MÚSICA DE LISBOA




MÚSICA DE LISBOA


Caminhei pela baixa de Lisboa
Distraído sem pensar em nada
Um cauteleiro suas cautelas apregoa 
Sentado numa magnífica esplanada 

O trânsito no Rossio era intenso
Um tuk-tuk serpenteando sem parar
Um jovem vendendo um forte incenso 
Um pintor muito concentrado a pintar

Uma jovem tocava suavemente flauta
Um senhor de idade pedia esmola
A carteira roubada a uma turista incauta
Um vagabundo agarrado a uma sacola

Imensos turistas bebendo nas esplanadas 
Um sol intenso brilhando com intensidade
Umas meninas correndo muito envergonhadas
Um marinheiro suspirando com muita saudade

Tudo isto é a vida matinal da minha Lisboa
Como uma paisagem de um livro de fantasia
Onde a magia da música pelas ruas entoa
Dando vida ao fado escrito com esta poesia 

Paulo Gomes

sábado, 23 de janeiro de 2016

LISBOA DA MINHA INFÂNCIA




LISBOA DA MINHA INFÂNCIA


Foi contigo Lisboa que eu cresci,
Menino traquina que brincava 
Nas tuas ruas, becos e travessas,
E que com bola de trapos jogava.

A Lisboa doutros belos tempos,
Que eu conheci, quando cresci,
Era uma Lisboa mais citadina,
Dos pregões e das lindas varinas.

Lisboa que a pé então percorria,
Do Bairro Alto, até à Mouraria,
Com os namorados me divertia,
Namorando à janela de frontarias.

Lisboa dos belos carros eléctricos 
Que te percorriam diariamente,
De lés a lés, em que me agarrava,
Passeando e da cidade desfrutava.

Lisboa que jamais esquecerei,
Foste tu que me fizeste homem,
Quando a escola eu frequentei,
E estive sempre às tuas ordens.

Ruy Serrano