sábado, 31 de dezembro de 2016

POESIA DA VIDA




Para sempre gratidão!
Por ter enfrentado marés cheias, turbulentas, com ondas pesadas desaguando na correnteza da vida, alcançando a calmaria feito águas brandas e ventos suaves, trazendo leveza para alma.
Gratidão, 
Pelo sol de todo dia...
Pela chuva que fertiliza a terra e embeleza as flores...
Pelo canto dos pássaros...
Pela dança das borboletas...
Pelo espetáculo do amanhecer
Pelo caminho percorrido
Pelas cores radiantes do entardecer
Pelo brilho das estrelas e sua majestosa lua
Pelo pouso da palavra, inspiração...
Pela arte...
Poesia da vida.

Feliz Ano Novo para todos meus amigos e familiares!

Neidinha Borges


ANO DE PAZ E FELICIDADE!



Maria de Lurdes Cunha


FIM DE ANO




FIM DE ANO


Fim de ano!... Faço nova retrospectiva
de tudo aquilo que eu queria e não fiz.
Pego um lápis... papel... lousa, meu giz
e esboço outra lista (de forma negativa).

Ah! Eu sei que deveria ser mais positiva,
achar minhas pérolas... até alguns rubis;
lembrar de perigos que venci por um triz
e, com essa sina, ser mais compreensiva.

Fim de ano! Gostaria de poder esquecer
os desencantos... também o pouco prazer
e ver a vida de um modo menos profundo.

Fechar o jornal (com as feridas do mundo),
deixar a dor... todos esses dramas pra fora
e despertar, com amnésia, na nova aurora.

Silvia Regina Costa Lima


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

LIRA DO MEU PAÍS




LIRA DO MEU PAÍS 


“Trovas para uma guitarra”


Guitarra, minha guitarra,
Minha emoção e raiz,
Entre a canção e a farra
És a lira do meu País.

Emoções fortes ou suaves
Não há ninguém que as não tenha
Entre a paixão e as saudades
Numa dor que lhe não venha.

Minha guitarra e meu fado
De mãos dadas de norte a sul
Com o seu rosto embuçado
P´ las nuvens do céu azul.

A canção gerou o fado
Na alma da lusa gente
Não há terra sem legado
Num coração penitente. 

Minha terra, minha ternura
E tribuna de magia,
Sem ti sinto amargura
Em desterro de nostalgia.

Podes ser meu pão e luz
E o suporte do meu sonho
Tua lembrança me seduz
Quando me encontro tristonho.

Canção e fado se amaram
Em lua-de-mel bizarra
Nos arpejos que criaram
As cordas de uma guitarra.

Cada terra, sua aventura,
Sua vida entrelaçada
Numa geração futura
Às portas da madrugada.

Fizeram-te ser baluarte
Com coração de amarra
És tradição e és arte
Ó bela e nobre guitarra.

Sou poeta, sou trovador,
És meu poema feliz
Canto por ti com amor
Que és lira do meu País!

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

UM ANO NOVO MELHOR




UM ANO NOVO MELHOR 


Hoje sonhei 
Sonhei por sonhar
Sonhei o que só eu sei
Sonhei com a lua e o luar
Hoje sonhei 
Sonhei com a Felicidade 
Sonhei quem um dia beijei
Sonhei um passado de saudade 
Hoje sonhei
Sonhei que o mundo era Amor
Sonhei com os Amigos que abracei 
Sonhei desejando um Ano Novo melhor 
Acordei ao nascer deste novo dia
Acordei para vos oferecer esta Poesia 

Paulo Gomes


PAZ NO MUNDO




PAZ NO MUNDO


Quase no final do ano,
Que balanço vou fazer,
Tive alegrias e tristezas,
Momentos de engano,
Tive forças e fraquezas,
E chega o final do ano.

Que o próximo seja de saúde
De paz e amor no mundo,
De alegrias nos venha contemplar
Mesmo que por vezes amiúde.
Quero um novo ano
A trazer a paz o amor, sem crianças a lutar.

Que o amor seja a melhor arma
Com que todos possam usufruir,
Cada um tem o seu Karma
Mas o mundo tem que se unir,
Não pode haver tanta dor,
Tem que escolher o amor, a nossa melhor arma.

Não quero ver crianças, órfãs da guerra,
Sem paz sem amor e sem pão.
Choram lágrimas de sangue e de terra
Saídas do coração, são os filhos da guerra
Todos se podiam orgulhar de ser a sua Nação
Mas são crianças, aquelas que o mundo esquece,
Nenhuma criança tanto sofrimento merece!!

Joana R. Rodrigues


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

POR UM NOVO NATAL


Imagem- Christmas, The Season of Love.


Por um novo Natal


Deveria ser Natal
Uma data a comemorar
Num Natal especial
Que Deus nos quis dar
Mas tal já não o é
Pela falta de moralidade
E pela falta de fé
Do que tenho saudade
Por muito que se diga
Por muito que se fale
Já não há mão amiga
Nem amor que isto cale
Era bom ser-se feliz
Lembrar tempos de outrora
Em que na miséria que não se quis
Havia sempre uma boa hora
Todo o mundo dava as mãos
Não havia data especial
E os corações eram mais sãos
Nessa amizade de tão real
Distribuia-se a amizade
Assim como o pão
Desse tempo grande saudade
Hoje não passa de ilusão
Todos querem dar de si
Uma imagem consentânea
Mas por aquilo que eu ouvi
A amizade é momentânea
Não passa pois dum momento
Em que só se ouve o que se quer ouvir
Já lá vai esse tempo
Da verdade no nosso sentir
Há que voltar ao princípio
Dar a volta a esta revolta
Da queda no precipicio
É culpa da língua solta
Tanta e tanta baboseira
Nos sai pela boca fora
Acabe-se pois com a asneira
Façamos um Natal novo nesta hora

Armindo Loureiro


ESPÍRITO DE NATAL




ESPÍRITO DE NATAL
 

E numa caixa muito delicada
coloquei, do ar, uma peninha;
pus, do mar, uma conchinha,
da terra, a semente sagrada.

O amor (na forma consagrada)
eu encaixei ali, nessa caixinha,
porque ela mesma já continha,
o fogo da minha poesia amada.

Senti que reproduzia o mundo
no meu presente tão emotivo,
cheio de significado profundo.

E a minha dádiva sentimental
foi pra que permanecesse vivo
todo o lindo Espírito de Natal!

Silvia Regina Costa Lima


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

AH, ONDE ESTÁ O NATAL!?


Imagem - Bellissime Immagini 


AH, ONDE ESTÁ O NATAL!?


Ah, onde está o Natal!?
Apregoado aos quatro ventos
Num bilhete de lotaria, a sorte de alguns!
Num prato de comida, uma vez ao ano,
Com direito a destaque na coluna social!
Num abraço antes mendigado
As boas festas e um sorriso forjado!
Nos tapetes de cartão espalhados pelas ruas,
As noites de frio e medo, o desespero de alguns!
Na prateleira de todas as recordações
O retrato de família desbotado.
No arquivo dos bem-aventurados
O país das maravilhas idolatrado!

Ah, onde está o Natal!?
Profetado pelos homens ao universo
Como sendo bem maior e fundamental!
Num canto qualquer do mundo,
À beira do abismo, resignado ao conformismo!
Entreaberto nas páginas de um livro
Que nunca chegará a ser lido!
Entre o aconchego de um lar
Que um dia nem mais será preciso!
Na pedra cinzenta de todos os dias
O cardápio dos bons dias!
Nas palavras de tantos lamentos
Que envolvem grandes investimentos!

Ah, onde está o Natal!?
Nas guerras desmedidas,
Nas demais crianças desprotegidas!
Na visível desigualdade, nos preconceitos,
Na clemência pelo direito ao respeito!
Na árvore de todos os dias
Que se conta pelos dedos as bolas coloridas!
Nos meandros das revoltas
Coleccionando notícias bombásticas!
Na bitola de uma sociedade
Em que o espaço é contado ao milímetro!
Nos bancos dos jardins
Ou nas mesas dos botequins!

Ah, onde está o Natal!?
Nas campanhas de sensibilização,
Na imprensa e também na televisão!
Nas redes sociais, nas instituições solidárias,
Em tantos lados que não têm conto!
Nas margens de vidas que não vêem volta,
No peso da assistência nula ou precária!
No país das maravilhas que constrói muros
Em vez de pontes que dêem futuros!
Na soberba e ganância construindo impérios
À custa do trabalho de muitas gentes!
Meu Deus, como vai o mundo,
O caos instalado e a culpa que é da crise!

Ah, onde está o Natal!?
No menino Jesus de todas as ruas;
Nas árvores plantadas por todo o mundo;
No espirito dos que ainda acreditam
Que o perdão é o melhor reverso da medalha;
Na réstia de esperança que move os dias;
No abençoado sol que nasce em qualquer lugar;
Na riqueza da natureza e sua beleza;
No paradigma ainda por inventar;
No caminho em direcção à estrela maior;
Nos demais testemunhos que há para contar;
Na proximidade das gentes em torno do salvador;
Na palavra e gestos sentidos de um país das maravilhas.

© RÓ MAR


O NASCIMENTO DE JESUS




O NASCIMENTO DE JESUS


Venham os Anjos do Senhor
Toquem os sinos com alegria 
Escrevam as letras do Amor
Numa fantástica melodia

Anunciando o nascimento 
De Jesus o nosso salvador
Brilha a estrela no firmamento 
Marcando o local com rigor

Os Reis Magos vão a caminho 
Com ouro, mirra e incenso
Sabem que o Jesus não está sozinho 
Nesta noite de um frio intenso

Tem a companhia de Maria e José 
De um burrinho e uma vaquinha 
Que se mantém toda a noite de pé 
Tentando aquecer a húmida palhinha 

Nasceu Jesus para a nossa salvação 
Numa gruta escura e cheia de humidade
Veio ao Mundo com uma única missão 
Trazer AMOR e compaixão à Humanidade 

Paulo Gomes


... TEIMOSO NATAL...


Imagem -  Gold Art 


... TEIMOSO NATAL...


lá vens tu outra vez...
já vens infernizar as crianças...
que querem um brinquedo e tu não lho dás...

aos homens e mulheres que buscam no lixo
às portas dos a quem deste e a eles não...

lá vens tu e os outros
com as lengas-lengas da paz e da fraternidade
quando, em ti, não há total bondade?.

Quem te inventou Natal? Quem?
Antes eras o Deus Sol... e passaste a sinal de conversão!

Quem acredita em ti Natal?
Os que não sabem que és uma importação de festas religiosas, de 
interesses religiosos que serviram para enfrentar jugos ditatoriais
de quem queria só uma Fé? 

E hoje, o que és, 
a não ser um feriado religioso, 
uma troca de hipócritas saudações em cartões de papel e de lembranças;
que se não forem dadas, 
a culpa não é de ti ou da tua falta de fraternidade, 
mas de quem não as dá!?

Preocupas-te Natal de quem tem fome? 
Das crianças sem água para beber, 
e já doentes sem serem tratadas como humanos.

Desaparece Natal. Vai...
porque tu, Natal, nada és.

Nós... nós é que deveríamos ser o Natal...
na obrigação de fazermos o Natal dos outros...

sem crenças, 
sem dias implantados, 
sem cumprimentos de ocasião,
.... (sem reparos quando não se dão)

e ver... ver para dar, aos quem têm sede e não têm pão!

Tu Natal, 
nunca deverias ter sido uma invenção da religião.
Mas um "pecado mortal" por fechares a mão
a quem dizes ser um irmão !

Carlos Lacerda


A FORÇA DAS TRADIÇÕES




A FORÇA DAS TRADIÇÕES 


«NATAL 2016»


Mudam-se os tempos, mudam-se as verdades
Num larguíssimo oceano de emoções
Toda a gente se empolga em novidades
Porém perdura a força das Tradições.

Nada há melhor que o tempo dos avós,
Pairam no ar as suas virtualidades
E num Presépio, herança em todos nós,
Mudam-se os tempos, mudam-se as verdades.

Batata e couves, ovos e bacalhau,
Noite de aromas com imaginações,
Acepipes saborosos a dar com um pau
Num larguíssimo oceano de emoções.

Correm os belos vinhos sobre a mesa,
Ao som de badaladas e trindades,
Cheirando bem as finas sobremesas
Toda a gente se empolga em novidades.

Rodam sonhos, mexidos e aletria,
Filhoses, rabanadas e coscorões
Falta, às vezes, um pouco de magia
Porém perdura a força das Tradições.

Corre ligeira a Ceia, que é Natal
E paira no ar um saudoso regalo,
Pede-se ao Menino ou ao Pai – Natal
Que acabe bem depressa a Missa do Galo.

Mesmo que se diga que não há Tradições,
Que os tempos já não são aquilo que eram
E a chama se apagou nos corações…
Não, na alma da gente se mantiveram.

Não há Terra nem Lar que as esqueçam,
Não há família sem estas recordações
E nem mentes humanas que não mereçam
Sentir o calor vivo das Tradições! 

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA

 

domingo, 18 de dezembro de 2016

O ENCANTO DO NATAL É


Imagem - Gold ART 


O ENCANTO DO NATAL É


O encanto do Natal é a celebração da vida,
Os laços de união que solidificam a paz e exalam a dor 
Iluminando os corações e assim perpetuando o amor,
O parafrasear enaltecendo a palavra querida.

O encanto do Natal é multiplicar os dias,
Viver a magia do momento em qualquer época do ano,
Cultivar a bênção dos céus mais que Avé-Marias,
O abraço constante, ainda que não haja estrela no quotidiano.

Haverá sempre a luz mestre e abençoada 
Que guia e ensina o melhor caminho na vida;
Haverá sempre amor para despertar os sentidos
E afirmar que a esperança não é utopia dos mundos.

Crê na vida sempre, como uma luz maior
Vinda de todas as partes caminhadas pelo Senhor,
E espalha o amor que se concentra em ti pelo universo.
O encanto do Natal é a magia de um berço.

© RÓ MAR


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL


Imagem - Christmas, The Season of Love 


FELIZ NATAL


O que mais importa no Natal é 
Estarmos reunidos com os que mais gostamos,
Ter amor e alegria no olhar enquanto somos...
Vida e trocar abraços e votos de fé;

Receber o adorado menino Jesus
Em paz de espirito e glorificar sua manjedoura
Como quem beija a vida e recebe a luz
Que faz o caminhar em toda a hora;

Olhar e adorar o presente dos céus
De mãos dadas com o universo que nos rodeia
E sentir o amor em noite de lua cheia
De sonhos, multiplicar-nos além céus;

O que mais importa no Natal é 
Estarmos reunidos com os que mais gostamos,
Ter amor e alegria no olhar enquanto somos
Vida e trocar abraços e votos de fé.

© RÓ MAR


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

PRESÉPIO EM MIM




PRESÉPIO EM MIM 


Eu fiz um presépio em mim
Igual aos mais, mas diferente,
Como se fosse um jardim
Voltado para nascente.

Figuras de sentimento
Por família de Nazaré
Quero que esteja cá dentro
Aquilo que o mundo é…

Em vez de José, um pobre,
Em vez de Maria, a mulher,
Em vez de Jesus, um nobre
E de animais, o que houver.

Um pobre sem profissão,
Uma mulher, violentada,
Um nobre, sem coração
E o que houver, apenas nada.

Presépio feito emoção,
Iluminado de luz,
À medida do coração
E do Menino Jesus.

Presépio vazio d´ amores,
Rebanho de ideias perdido, 
Quero que sejam flores
Mas de aroma consentido.

Presépio de solidão,
Ribeira de água ternura,
Presépio minha visão
Com fermento d´ aventura.

Presépio da Natureza,
Entre alcateias de lobos,
Pés descalços na aspereza
Sem recear os estorvos.

Presépio, meu horizonte
E minha estrela perdida
Cântaro de água da fonte
Madrugada consentida.

Presépio da minha esperança
Atravessando um deserto
Oásis de temperança
Sempre longe, sempre perto.

Presépio, minha paixão,
Louca ambição te desterra
Máscara tornada ilusão
Por entre a paz e a guerra.

Presépio, feito utopia
De tiranos persistente,
Terra de Magos, poesia,
E de afectos tão carente.

Presépio ao sabor do vento,
Sonho de fraternidade,
Quero-te a todo o momento
No calor da liberdade.

Presépio, coração sentido,
Quatro cantos de cristal
Com um só Jesus nascido
Talvez tenhamos Natal!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA


CASCAIS



CASCAIS


CASCAIS como te posso descrever
Num simples verso ou num texto
Desejava eu melhor te conhecer
Para minhas palavras terem contexto 

És uma Cidade à Beira Mar 
No final de uma longa circular
Tens uma história sem igual
Que começa no fim da marginal

Foste refúgio de príncipes, Reis e princesas
Albergaste e acalentaste muitos corações 
Foste testemunha de muitas alegrias e tristezas
Até deste origem a filmes incríveis de espiões 

És bonita tanto de verão como de inverno
Tens fama na gastronomia como o frango assado
Para os audazes podes mostrar a boca do inferno 
Tens uma orgulhosa história com muito passado

Actualmente gente famosa te escolheu para habitação 
Viver em CASCAIS é um luxo e um orgulho nacional 
És banhada por um mar muito azul com forte rebentação 
Com uma paisagem única embelezando a marginal

Paulo Gomes

domingo, 4 de dezembro de 2016

PRESÉPIOS DO MUNDO




PRESÉPIOS DO MUNDO 


Ó meu presépio do Mundo,
Ó meu presépio da Vida,
És meu amor mais profundo
E minha paixão renascida!

Presépio da Natureza
Com água clara corrente
Cor verde, minha beleza,
És prazer de toda gente.

Presépio na beira-rio
Ou numa encosta do monte
Sinto-te preso por um fio
Atado no horizonte.

Presépio à beira-mar
Minha canoa perdida
Maré viva a dar a dar
Sem chegada nem partida.

Presépio ao sol-nascer
Minha lavoura suada
Com frutos para vencer
Colhidos na madrugada

Presépio, rebando e pastor,
Carneiros, ovelhas, chocalho,
Meu frio, meu cobertor,
E um resguardo de orvalho.

Presépio, neve caída,
Com o meu Menino à lareira,
Deixa essa chuva vencida
E anda pra minha beira.

Presépio, recreio de escola,
Meu pé descalço ferido
Não posso chutar à bola
Sem me ver arrependido.

Presépio, macaca jogada,
Meninas p´ lo nevoeiro
Rapazes de uma assentada
Perdendo ao burro trigueiro.

Presépio no adro da igreja
Fogueira na minha aldeia
Beijinho cheio de inveja
Depois da hora da ceia.

Presépio da minha terra,
Todas as terras do mundo,
Presépio grito de guerra
Ódio batendo no fundo.

Presépio corpo mendigo,
Beco a beco e rua a rua,
Vestido de sem-abrigo
Na claridade da lua.

Presépio minha varanda
Raios de sol fugidio
Fica a saudade em ciranda
Entre o calor e o frio.

Presépio do meu quintal
Musgo, fieitos e areia,
Bolotas do meu bornal
Com moinhos em cadeia.

Presépio dos três Reis Magos
Saídos da Galileia,
Cavalos e burros malhados
E lobos de alcateia.

Presépio, vilas, cidades,
Com feiras e saltimbancos,
Viajantes de várias idades
De tons coloridos e brancos.

Presépio do meu País
Com Presidentes ou reis
Estou feliz, como quem diz,
Ninguém sabe, não sabereis.

Presépio da branca Europa
Dinheiro perdido e à sorte
Quem o tem brinca co´ a tropa
Dançando na sombra da morte.

Presépio das combinações
Com sonhos e desventuras
É a hora das emoções
Dos carinhos e ternuras.

Presépio dos quatro ventos
Sem vestígios nem achados
Presépio dos meus lamentos
Campos sem trigo semeados.

Presépio das mordomias
Das fanfarras e parlamentos
Presépio das arrelias
Das promessas e juramentos.

Ó meu presépio do Mundo,
Ó meu presépio da Vida,
És meu amor mais profundo
E minha paixão renascida!

Frassino Machado
In TROVAS DO QUOTIDIANO


sábado, 12 de novembro de 2016

S. MARTINHO, S. MARTINHO




S. MARTINHO, S. MARTINHO


S. Martinho, S. Martinho,
S. Martinho assim é que é,
Com castanhas e com vinho,
Com jeropiga ou água-pé.

Não há terra, nem aldeia
Que não tenha o seu santinho
Viva quem teve esta ideia
S. Martinho, S. Martinho.

Não há terra sem romaria
Nem lugarejo sem banzé,
Que haja farra e alegria
S. Martinho assim é que é.

Com espírito vagabundo
Celebremos o S. Martinho
Esquecendo os males do mundo
Com castanhas e com vinho.

Nesta festa bem bacana
Toda a gente alinha co Zé
Tirando da alma um hossana 
Com jeropiga ou água-pé.

Venha de lá toda a gente
Façamos grande fogueira
Celebremos, com´ antigamente
S. Martinho p´ la noite inteira. 

Ponham-se castanhas na brasa
Durante esta noite louca
Pegue-se da pichorra p´ la asa
Voando de boca em boca.

S. Martinho, S. Martinho,
Aviva a nossa emoção
Com castanhas e com vinho
É tua a Festa e Tradição! 

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA

terça-feira, 8 de novembro de 2016

OUTONO…


Imagem - Gold Art 


OUTONO…


Outono é alquimia que perdura pelo ar,
Tem ventos de mil e uma letras a voar,
Mui folhas pequeninas e fermosas...
A pairar pelo livro das naturezas.

O luar veste-se de um verde seco que condiz
Com o modo de ser terra molhada,
A frondosa simplicidade arbústea diz
O ritmo do ciclo de vida em voz orvalhada.

Outono é passo de uma dança que se apreende
Arrecadando as folhas uma a uma pela cruz
De largo coração naquele abraço verde.

Dom que vai ao céu pelas almas que vêem luz
Em pequenas partículas de todas as estações
E assim brilham as letras que lêem corações.

© RÓ MAR


O CASTANHEIRO MILAGROSO




O CASTANHEIRO MILAGROSO 


“A estória de uma lenda”


Junto ao tortuoso e áspero caminho...
Erguia-se um castanheiro centenar,
Ali passou um dia o bom Martinho
Tencionando da chuva s´ abrigar.

Martinho era um esbelto cavaleiro
Pertencente às romanas legiões
E tendo cavalgado o dia inteiro
Cansado quis parar as emoções. 

Eis quando ouve uma voz do interior
Daquele velho tronco carcomido
E, ficando transado de temor,
Puxou de sua espada destemido.

Viu assumir do largo buracão
Um rosto de um velhote meio louco
Que, tirando pra fora a trémula mão,
Falou ao cavaleiro num tom rouco: 

- Ó poderoso, nobre e bom soldado,
Que aqui me vedes nesta moradia
Não façais mal a este desgraçado
Que passa a triste vida em agonia!

- Ai, ó homem de Deus que estou a ver
Em tal deserto longe de algum lar,
Como é possível aqui sobreviver
Sem nenhum alimento pra tomar? 

- Ó meu nobre senhor, olhai à volta
E vede estes ouriços a sorrir,
Há destes frutos e há muita bolota 
Que em cada dia está sempre a cair…

- Eu sei que boas são estas castanhas
E a bolota com bom aspecto está
Mas deverás passar mínguas tamanhas
Com esta chuva e o frio da manhã? 

- Sabei, nobre senhor, daqui não saio
Pois mais vale só que mal acompanhado
E, além disso, também cá mora um gaio
Que comigo tem tudo partilhado…

- Tens frio… Toma lá deste meu manto
Metade para ti que eu não preciso…
E a chuva estancou como por encanto
E um claro sol abriu-se de improviso.

E aquele pobre velho até chorou,
Num terno fim de tarde inesquecível,
E o bom Martinho a viagem continuou
No fim daquela acção irrepreensível. 

Algum tempo depois o velho morreu
Mas o castanheiro até hoje lá ficou…
O povo daquele velho não esqueceu:
Ali fez campa, e ermida edificou.

E o castanheiro dura e nunca morre,
Continuando a dar fruto, mais e mais,
E em cada ano o povo ali ocorre
Com festas e magustos tradicionais.

Toda a gente se alegra com carinho,
Toda a gente se farta com castanhas,
E toda a gente reza a S. Martinho
Pra que acabem as doenças e as manhas.

«Ó nosso S. Martinho, protege o povo,
Salva-nos das procelas e dos abismos
Protege adegas, e acresce o vinho novo
E despe-nos dos tristes egoísmos!» 

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA 

NÓS E O PLANETA




NÓS E O PLANETA


Se um dia o sol se esconder
e se a lua deixar de brilhar
o mundo vai escurecer,
e toda a existência exterminar,

Como tão mal tratamos o planeta
temos em nós a chave da ignição
tanta aparência suspeita,
tanto monstro tanta aberração,

Há quem queira viver noutro planeta
pois deste não soube cuidar
encontra num qualquer cometa
transporte para não mais voltar,

Hoje tanta gente quer viver na lua
outros até vivem ao luar,
vivem nos espaços que tem a rua
enquanto houver lua e sol a brilhar!

Joana R. Rodrigues 


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

PORTUGAL PEQUENINO E GRANDE




PORTUGAL PEQUENINO E GRANDE


Ó meu Portugal, ó minha grande canção,
Ó meu torrão natal e meu olhar materno
Em ti se abriga com´ um palpitar sereno
Um louco amor vestido de eterna emoção.

Tu és a Pátria de um povo alegre e fraterno
Inundado de sol e de verde exaltação
No teu centro uma Estrela e ao norte o Marão
E um litoral de mar solidário e moderno.

És grande nos teus rios, vales e montanhas,
És grande na natureza, nos frutos e nos ares,
És grande nas cidades, nas aldeias e nos lares
E tens nas tuas gentes tradições tamanhas.

Mas quando te olho num sorriso cristalino
Sinto que vem a mim, do fundo das entranhas,
A gana de um abraço, meu Portugal Pequenino.

E quero-te dizer aqui, de uma só vez,
Na saudade dos heróis e à sombra do teu hino
Que está bem vivo o orgulho de ser Português! 

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

COMO TE SINTO, TEMPO...


Imagem - SAi$ON


Como te sinto, tempo…


Sinto o tempo
Neste tempo que há em mim
Não sei se é o momento
Do tempo ser assim

Mas o tempo que aqui faz
É um tempo algo diferente
E eu que às vezes sou audaz
Digo ao tempo que estou contente

Contente com o seu estado
Contente com o raiar do Sol 
Ao Sol que bom bocado 
Eu passo para não ficar mole 

Gosto muito deste tempo 
Que o tempo se dá a nós 
Vibro às vezes num só momento 
Por este tempo fico sem voz 

É um tempo outonal 
Ou deveria ser assim 
Neste tempo especial 
Vê-se o Verão que há em mim 

Dizem que é o Verão de São Martinho 
Mas eu até vou mais além 
É tempo de se provar o vinho 
Tal e qual como convém 

Venham daí as castanhas 
Venham daí as canecas 
Acabem-se com algumas manhas 
Nesses gajos que são carecas 

Ó tempo como tu estás 
Digo eu e dirão mais 
Este Sol que tu me dás 
É uma beleza por demais

Armindo Loureiro 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

AOS TEUS BRAÇOS



AOS TEUS BRAÇOS


em teus braços acalmo
nos teus rios banho-me
e por mais que te estranhe
sei que és o meu estranho
quando de ti preciso e vejo

seres tu meu único desejo
o que isoladamente beijo
nos teus braços me mantenho
e por todo o amor não estranho
que é sempre aos teus braços que venho

© Ana'Carvalhosa

TERRA MATER DE MIM




TERRA MATER DE MIM 


Ó Terra Mater de mim
Canção da Terra, meu país,
Aroma suave de jasmim
Flores e frutos de raiz.

Fundei leivas e cresci
Deixei saudade viçosa
Nunca de mim te perdi
Nesta memória fogosa.

De ti minha alma voou
Em vida de contradança
Na brisa que transportou
Uma loucura de esperança.

Levei de ti as sementes
Loucos sonhos por haver
Procurei solos diferentes
Onde os pudesse colher.

Terra Mater, terra povo,
Máscara de vida perdida
Mundo velho, mundo novo
Toalha branca estendida.

Longe meu fado chegou,
Meus poemas, trovas de luz,
Maré de espuma enrolou
A água do rosto que pus.

Ó Terra Mater de mim
Ó terra da vida dura
Quero contigo dizer “sim”
Sublimando a desventura!

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

VIAJANTE DO TEMPO




VIAJANTE DO TEMPO


Quem és tu viajante do tempo
Quais os teus verdadeiros sentimentos
Pára nesta estalagem por um momento
Conversa comigo sobre os teus lamentos

Quem és tu viajante do tempo
Que passas a tua vida sempre a viajar
Queres estar em constante movimento
Não reparas como é rápido o tempo a passar

Quem és tu viajante do tempo
Que na tua pressa não dás valor a nada
Por vezes acordas triste e muito rabugento 
Com o desejo de voltares a percorrer a estrada

Pára viajante do tempo não caminhes sem destino 
Olha ao teu redor que vais encontrar a amizade
Mesmo que essa estrada seja um estreito caminho
Abre agora o teu coração e irás descobrir a felicidade

Paulo Gomes

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

QUANDO O TEMPO…


Imagem- Belissime Immagini 


QUANDO O TEMPO…


Que importa o tempo que ainda há pela frente,
Que importa o que ainda há para descobrir,
Se é nuvem, vento, chuva ou `souvenir´,
Quando o tempo te fez ser outra gente!?

Que importa o que há além do horizonte,
Que importa o que há segredado aos céus,
Se é anjo, demónio ou `vida permanente´,
Quando o tempo te fez outra semente!?

Que importa o que ainda há para poder ser,
Que importa o que há além do simples viver,
Quando o tempo tem ao momento o mundo!?

Que importa o que há além de umas estrelas,
O que importa o que há nos meandros delas,
Quando o tempo tem uno universo ao segundo!?

© RÓ MAR


sábado, 15 de outubro de 2016

CANÇÃO DO GAIO




CANÇÃO DO GAIO


Ó gaio, ó verde-gaio, 
Ó gaio da minha aldeia
Se não vens, daqui não saio
Desde a aurora até à ceia.

Ouvi um gaio a cantar
No meio de um giestal
Bati palmas pra assustar
Mas ele não dava sinal.

Voou pra um carvalhal
Com asas de azul galante
Buscava a bolota leal
E eu por ali delirante.

Naquele Outono despido
Quase sem folhas nenhumas
Olhei-o, na toca escondido,
Em ninho feito de plumas.

Pensei que ele era bronco
Sem nada para fazer
Mas vi-o naquele tronco
Muitas bolotas esconder.

E eu concluí para mim,
Com esta discreta lição,
Plantarei no meu jardim
Uma árvore de estimação.

Teria bugalhas à farta
Para ele se alimentar
Faria barquitos de prata
Pra´ s bolotas transportar.

Trouxe o carvalho do monte
Que ia secando por um triz
Reguei-o com água da fonte
Desde a rama até à raiz.

Mas o gaio e mais a gaia
Ninguém os via surgir,
Plantei então uma maia
Com ideia de os atrair. 

Não vieram naquele ano
Que a árvore pouco crescera
Mas o gaio, qual soprano,
Ouvi-o nesta primavera.

Toda a natureza está bela
E aquele gaio, verde-gaio,
Estou a vê-lo da janela
Chegará no mês de Maio.

Ó gaio, ó verde-gaio, 
Ó gaio da minha aldeia
Se não vens, daqui não saio
Desde a aurora até à ceia!

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA