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domingo, 21 de junho de 2020

A VONTADE DO CORAÇÃO



“Glosando Almada Negreiros”

MOTE - “TODA A NOSSA FELICIDADE
ADQUIRIDA PELA NOSSA CABEÇA
DEPENDE DO NOSSO CORAÇÃO.
UM HOMEM NUNCA É O QUE QUER
MAS O QUE QUER SER SEU CORAÇÃO."

Almada Negreiros

*

A VONTADE DO CORAÇÃO 


A maior aventura do mundo
Que todo o ser humano engendra,
E que parece não ter emenda,
É a que nasce lá bem no fundo
E que faz com propriedade
Sonhar ter, como oferenda,
Toda a nossa felicidade.

Prémio justo e compensador,
Por tudo quanto custa viver
Durante a vida que se tiver,
E não há alternativa ao redor
Que a todo o humano engrandeça,
Do que a vontade que se requer
Adquirida pela nossa cabeça.

Esta energia vital tremenda
Emergente das profundezas
É uma das maiores riquezas
Que a própria razão recomenda
E, pela vontade da emoção –
Como catarse para as certezas –
Depende do nosso coração.

Há corações largos e estreitos
E corações coesos e partidos
Aos quatro ventos dos sentidos
Mas nenhuns deles perfeitos.
E, quer em homem ou mulher,
Pelos meandros consentidos
Um homem nunca é o que quer.

Toda a vontade e solicitude,
Vinda de dentro do ser humano
Sem subterfúgio ou desengano,
É luz segura e é uma virtude
Que, sendo de si feliz condição,
Não tolera um cariz soberano
Mas o que quer ser seu coração!

© Frassino Machado

In OS FILHOS DA ESPERANÇA

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

RESPIRO ESPERANÇA, FÉ, ALEGRIA




ESTA, MINHA, JANELA


Acordei cedo e logo percebi
Que o dia brilhava mais do que podia!
Quiçá, a serenidade de um chá a poesia
Ou esta, minha, janela rendilhada que anotei!

Que airoso adamascado planeia pela minha alma!
Lembra os Reis magos e é mesmo outro dia
Que traz certa esperança, fé, alegria
Ao meu coração e inspira a certa calma.

A mística e singela magnitude deste universo
Sacode o meu olho e deixo cair um verso;
Qual parte em direção a Belém: terra abençoada
Pelo Deus menino que nasceu à hora de consoada.

©  Ró Mar




RESPIRO ESPERANÇA, FÉ, ALEGRIA


Sigo a estrela que brilha em mim e caminho
Ao encontro da minha paz repleta de fé
Em poder ver o menino Jesus ao lado Maria e José
Deitado sob as palhinhas sagradas de um pergaminho.

Longa viagem que me permite estar perto dos céus;
A claridade que me envolve é dádiva de Deus;
Assim, percebo o significado do nascimento e o valor do amor
Legado pelos Reis magos: Gaspar, Baltasar e Belchior.

Não trago incenso, nem mirra, muito menos ouro,
Mas, trago o coração aberto para receber o espírito santo;
É a maior cousa que posso ofertar perante tamanho tesouro.

A brancura e leveza deste momento
Invade a minha alma e deixo cair um verso:
Nasceu o salvador reina a paz pelo universo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

OS REIS MAGOS



 

Os Reis Magos


Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.

Estrela nova … Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.

Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.

E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.

Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol

Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.

Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três !

Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.

E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir

Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.

E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …

© OLAVO BILAC

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

ABRAÇOS !!!..!




"ABRAÇOS !!!...!"


Quando a tristeza tortura e nos invade;
Queimando como chamas de lume... que não arde...
Sufocando e prendendo a alma num forte laço!...
Desejamos libertar todo o peso dessa tensão;
Nada melhor, que sentir junto ao coração;
Braços apertando o nosso peito... num forte abraço!...

Se na vida algo nos faz extravasar de alegria;
Por surgir um acontecimento positivo no dia a dia...
Cabe nesse momento todo o mundo em nosso espaço!...
A felicidade parece de repente bater a nossa porta;
Se existe guerra ou paz, nesse momento não importa...
Só desejamos apertar toda a humanidade num abraço!...

Os braços doutro alguém de quem gostamos;
Que nos é muito querido... ou muito amamos...
Confortam... transmitindo carinho e protecção!...
São abraços de conforto... de amor ou amizade;
Quantas vezes são impulso provocado p´la saudade;
São abraços, que transmitem alegria ao coração!...

Se DEUS receber a humanidade no Paraíso e seu regaço;
Será o sinal que seus ensinamentos foram cumpridos!...
Então dará ao mundo sua benção e um terno abraço...
Ao ver no mundo a Paz e Amor num abraço também unidos!...

© António Cláudio

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A VIDA É O NOSSO BERÇO




A VIDA É O NOSSO BERÇO


A vida é o nosso bem maior,
tão maior quanto a natureza,
o milagre de nascer, o amor,
tão amor quanto a nossa beleza.

Saber viver é a melhor arte,
tão melhor quanto o espectro solar,
a janela espelhada p' lo mar,
tão mar quanto a nossa gente.

A vida é para ser vivida,
tão vivida quanto sonhada,
tão sonhada quanto amada.

Saber viver é o batismo ao universo,
tão universo quanto o nosso verso,
tão verso quando o nosso berço.

© Ró Mar

ODE AO ANO NOVO 2020




ODE AO ANO NOVO 2020  


Um Feliz e Bom Ano Novo Dois Mil e Vinte
Eis o meu voto sincero de todo o coração
É aquela simples oferta que tenho mais à mão
Em dupla dose com desejável requinte.

Cada sonho acasala sempre com desejos
E todo o ser humano, fiel contribuinte,
Quer para seus amigos, por entre mil sobejos,
Um Feliz e Bom Ano Novo Dois Mil e Vinte.

Também eu, que me honro de ter sentimento,
Navegando ansioso nesta onda de emoção
Aqui afirmo, imbuído de contentamento:
Eis o meu voto sincero de todo o coração!

Eu sei que há prendas e até truques por benesse
Em discreta e subtil, quão frágil, sublimação,
Todavia, e à margem de qualquer interesse,
É a simples oferta que tenho mais à mão.

Não sou artista nem pretendo usar um palco,
Nem sequer gosto duma vil paixão que pinte,
Apenas, e tão só, a partilha que exalto
Em dupla dose com descontraído requinte.

Que todos os meus amigos aceitem este voto
Para que o próximo ano se abra assaz bem largo
Duma vida feliz - à parte dum mundo roto
Repleto de ilusões e com sabor amargo…

Feliz Ano também – sendo “o ano do rato” –
Que seja um ano de uma colheita tamanha
E qu' toda a boa gente, tomada de fino trato,
Não deixe um rato ser parido por montanha!

Frassino Machado
In AO CORRER DA PENA

A DESPEDIDA DO ANO DE 2019


Pintura de Claude Monet


“A DESPEDIDA DO ANO DE 2019”


O ano vai passar a cantar a vida como um rouxinol:
Cigarra imprevidente, incauto acostumado,
Ele nunca quis saber, alegre e descuidado,
Se a flores perdiam o viço ou se morriam ao sol!

Como o ano velho sabia cantar! Cabeça estonteada
Na procura febril do seu melhor cantador
Trazia a transbordar, a boca incendiada
De mentiras, e de novos desejos sem pudor.

E tudo parecia tão bom, e tudo parecia tão doce!
Quem me dera que assim para a minha vida fosse…
Mas o que foi não é. É Inútil e revolta.

Cuidado! A vida é breve, e assim é triste,
O que ela tem de bom, só na verdade existe.
E a nossa primavera é só uma, e não volta!

© Alfredo Costa Pereira

LOGO À MEIA NOITE




LOGO À MEIA NOITE


Logo à meia noite correrá o pano
Cessará um Acto sem que se renove
Ficam os actores, mas o velho ano
Morre pela idade... dois mil dezanove

Mais de dois mil anos! Uma infinidade
Desde o nascimento na velha Belém
Em pobre choupana, na precariedade,
De um Homem de Paz, que pregava o Bem

Fosse Ele quem fosse na filiação,
Nascido do povo ou de origem divina,
Estaremos unidos nesta opinião
De que vale a pena seguir-Lhe a doutrina

Falou de equidade, de amor, de carinho,
De paz, de concórdia, do homem-irmão
Indicou a todos qual era o caminho
À luz da palavra, bondade e perdão

Seus ensinamentos foram caso sério
Para o homem vil, tornando-o iracundo;
Que a partir de Roma formara um Império
A ferro e a fogo mandando no mundo!

E logo O mataram, com tantos maus tratos
(Que ousou pôr em causa, ganâncias, poder...)
Mas ainda hoje governam "Pilatos"
Com os mesmos actos, que lhes dão prazer

Porquê? - Interrogo. Não há quem me diga?
- Se os Impérios caem à luz da razão,
Como os anos morrem - que o tempo os obriga -
Ou morremos todos, quer ricos quer não!

A vida é de instantes, é breve passagem
No tempo que voa e vai tão veloz...
Podia ser bela, cómoda a viagem
Bastando só querermos... depende de nós!

Senhores da guerra, do Quero e do Posso
Olhos que só vêem ganância e cifrões,
O mundo é de todos e nunca só vosso!
Discutam ideias, aclarem razões!

Logo à meia noite virá mais um ano...
- De paz, de amizade, de amor, se componha!
Seja festejado, no quotidiano!
Dos erros passados tenhamos vergonha!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

TROVAS A SÃO VENCESLAU




TROVAS A SÃO VENCESLAU 


«São Venceslau de Praga, 907 - 935»


Se foi Barão, ou Duque ou Rei,
Prós Praguezes tanto lhes faz,
Foi herói, foi Príncipe da paz
E é, do seu coração, sua Lei.

O pai foi Duque da Boémia
Que a sua vida perdeu cedo,
Foi criança feliz sem medo
E na Fé cresceu alma gémea.

Venceslau de seu nome e graça
Mãe madrasta, avó ternurenta,
Que todos os ódios enfrenta,
Co´ um irmão de muito má raça.

Fez-se mui sábio e cuidadoso,
Amigo das crianças e dos pobres,
Arrecadou inveja dos nobres,
Muito humilde e generoso.

Na vida cristã inserido,
Com apurada educação,
Sempre disposto a dar a mão
De abraço cordial estendido.

Noite longínqua de Natal,
Neve caindo pelo caminho,
Ao pobre deu calor e carinho
Num aconchego fraternal.

De porta em porta, cantando hino,
Distribuiu pão e harmonia
E a quem precisava de alegria
Deu rumo, à vida em desatino.

Como adolescente charmoso,
À parte as invejas da mãe,
Foi coroado rei, porém,
Sem um futuro auspicioso.

Reinou alguns anos, reformou
O que bem pôde reformar,
Fez mais riqueza acrescentar
E a sua coroa justificou.

Mas invejas e mil traições,
Sofreu, de ignóbeis cortesãos,
Sempre prontos a sujar as mãos
Mascarados de mil paixões.

Com a sua mãe penando bravo
Enfrentou seu irmão ambicioso
Qu´ usurpando o trono vergonhoso
O matou sem apelo nem agravo.

Com a sua morte, por encanto,
Todo o povo se engrandeceu
E aquele país nunca conheceu
Rei tão maravilhoso e Santo.

A S. Venceslau, minhas trovas
Fazem-lhe o preito e a liturgia,
São orações, litanias e poesia
Com variações puras e novas.

Com ele e com Santa Ludmila –
A mais justa de todas as avós –
Oremos a Deus qu´ escute a voz
Da nossa alma que Luz destila!

© Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

RECEITA DE ANO NOVO




RECEITA DE ANO NOVO


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

© Carlos Drummond de Andrade

sábado, 28 de dezembro de 2019

O CAMINHO A MIM?


Imagem de Carmen Cardin, - Brasil

Ando só por aí, ando sozinha!


Ando só, sozinha por aí,
sem uma mão entrelaçada à minha,
sem um olhar ao encontro do meu,
Ando só por aí, ando sozinha.

A paisagem é bruma que não se dissolve;
A saudade é minha guia e o meu tormento.
Até quando contemplarei só o firmamento,
nessa idílica visão, morada que me envolve?

Procuro por ti e não te encontro, ainda.
Persisto, até que o dia chegue, enfim,
que dê conta do tanto que esperei por ti:
Quimera, mãe da solidão que não finda!

Do jardim, avisto a mata sem fim:
Tanto mar, beleza de meu Deus!
Tão distante e tão perto os olhos teus,
Onde estarás, oh meu amor, perdido assim?

De selfie em selfie, ladeira acima
Ao pôr do sol caminho, tal andorinha.
Sonhar é a minha maior cisma:
Ando só por aí, ando sozinha!

Em meio às flores, busco a beleza
Que geralmente passa despercebida
Ao saborear a perfeição da Natureza
Encontro, na Criação, todo o sentido!

Sei que não sou o único coração
à espera de um Amor verdadeiro,
que deseja entregar-se por inteiro,
que sonha com o torpor da paixão.
...
Também sei que não serei a última
a errar e a acertar algumas vezes...
Mas confesso que jamais desistirei:
Creio no amor e sempre acreditarei!
...
Onde estava escrito que seria fácil assim?
Quem sabe num giro mais rápido da Terra
a magia do amor, que toda beleza encerra
Em um piscar de olhos revele o caminho a mim?

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

ANO VELHO / ANO NOVO



© Lúcia Ribeiro

SEJAMOS NATAL




"SEJAMOS NATAL"


«Para além de todas as demagogias,
Para além do politicamente correcto,
Para além de todas as hipocrisias,

Celebremos, finalmente, o Espírito do Natal
Em todos os momentos
Desta nossa existência, tão efémera!

- Natal é: Fraternidade, Solidariedade, Paz,
Amor, Alegria na Terra
E nos Corações dos Homens;

- Natal é: a celebração do autenticamente Humano
Em toda a sua essência autêntica
De Bondade e de Verdade;

- Natal é: o enaltecimento de um Mundo
Onde não haja mais lugar para a Crueldade,
Para a Violência ou para a Agressividade;

- Natal é: a reunião dos Corações sensíveis
Que lutam, desesperadamente, pela União
Dos Povos e das Nações;

- Natal é: a rejeição da Discriminação,
Dos horrores da Guerra,
Da mutilação dos Corpos e das Almas;

- Natal é: a consciência da Miséria Humana,
O compromisso da sua superação,
O enaltecimento da Justiça e da União fraternas;

- Natal é: o triunfo do Bem e do Belo,
A glória de todos os Renascimentos,
A comemoração da Dignidade Humana;

- Natal é: a bênção do sempre Novo,
O louvor de todo o acto de Criação,
De Renovação e de Regeneração.

Sejamos Natal,
Hoje, sempre,
Para sempre!»

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

SOBRAS NATALÍCIAS




SOBRAS NATALÍCIAS  


Quando se pensa no Natal
Logo se imagina a fartura
Numa abundância colossal
Que mete respeito e figura.

Quanto mais pessoas melhor
Cada um mostra o que vale
Importa qu´ se exija valor
Quando se pensa no Natal.

Haja prendas e mais alimento
Com um Pai Natal d´ aventura
Para lá do contentamento
Logo se imagina a fartura.

Com embrulhos e mais embrulhos,
E com ataduras bem ou mal,
Há mais ilusão do qu´ orgulhos
Numa abundância colossal.

- Quero uma coisa que m´ agrade –
Ouve-se a voz duma criatura –
É uma prenda de qualidade
Que mete respeito e figura.

- Neste Natal só me sai duques
E o meu Pai Natal é uma seca,
Já estou farto dos seus truques
E eu vou dormir uma soneca.

- Quando acordo só vejo sobras
Em caixas, caixinhas e sacolas,
Nada de jeito para as dobras
E o “Pai Natal” é um gabarolas!

- Oh, tanta gente a passar fome!
Se as sobras pudessem chegar
A todos, sem olhar ao nome,
Este mundo poderia mudar…

Lembrei-me agora, de repente,
Do poema NATAL DE QUEM
Que amigo poeta-competente
Compôs certo dia muito bem.

Trata duma família moderna,
Sem nenhuma crença nem luz,
Que o Pai Natal trazia à perna
Em vez do Menino Jesus:

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA


*

NATAL DE QUEM?  


Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
-- Está bem, eu sei!
-- E as garrafas de vinho?
-- Já vão a caminho!
-- Oh mãe, estou p’ ra ver
Que prendas, vou ter.
-- Que prendas terei?
-- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
-- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!

© João Coelho dos Santos
In “Lágrima do Mar”, 1996

FOI NATAL




FOI NATAL


O Natal já passou
Foi bonito e em família
O amor triunfou
Houve entre todos
Boa disposição e alegria

Foi uma casa cheia
Com muita emoção
Neste dia com significado
Beleza e emoção.

Que todos tenham desfrutado
De um Santo e Feliz Natal
Que tenham tido saúde e alegria
Neste dia tão especial.

O dia a seguir ao Natal
É para mim de muita reflexão
Penso em tudo e em todos
Que os tenho no coração.

Fico com nostalgia e cansada
Com a cabeça muito dorida
No pensamento alguma tristeza
No peito sinto uma ferida.

Vivo o Natal com muita fé
Vivo o Natal com grande saudade
Vivo o Natal com magia e amor
Mas sinto pena de tanta maldade.

QUANDO UM HOMEM QUISER




Quando um Homem Quiser


Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

© Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

BEM VINDO JESUS!



Bem vindo Jesus!


Naquele tempo, S. José e Maria tiveram de fugir
para bem longe, pois as crianças queriam matar.
A prioridade era caminhar e daquela terra sair
e encontrar um sítio isolado para Jesus salvar.

Vinham acompanhados por anjos para os proteger
e Deus sempre a ajudar para se concretizar a missão;
seu filho redentor tinha mesmo que nascer e aparecer
como seu filho, crescer e se tornar num homem cristão.

É tempo de agradecer a bênção que foi seu nascimento,
bem aventurado seja Cristo, nosso amado Redentor
que foi um menino tal como outros e naquele momento
foi criança, um adulto que sofreu para ser nosso salvador.

Nasceu uma nova luz no mundo, uma nova esperança.
que atualmente se torna necessária e tão urgente...
Jesus está contigo... conta sempre com a sua presença;
é ele que transmite luz, paz e amor entre toda a gente!

UM SANTO E FELIZ NATAL



© Fátima Santos Silva

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

O QUE PEDI AO PAI NATAL


Pintura de John William Waterhouse


“O QUE PEDI AO PAI NATAL”


Pedi ao céu, as estrelas;
Às rosas a sua frescura;
Aos lírios, sua brancura,
E odor às violetas belas!

Ao mar, sua cor azulada,
À lua, a sua luz prateada
Às aves, o espaço no ar
E suas asas para lá voar!

Mas o carinho e ternura,
E esse calor de ventura
Do nosso fogoso amor,

Não foi preciso pedir:
Já mo deste bela flor,
O teu coração a luzir!

© Alfredo Costa Pereira