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domingo, 21 de junho de 2020

A VONTADE DO CORAÇÃO



“Glosando Almada Negreiros”

MOTE - “TODA A NOSSA FELICIDADE
ADQUIRIDA PELA NOSSA CABEÇA
DEPENDE DO NOSSO CORAÇÃO.
UM HOMEM NUNCA É O QUE QUER
MAS O QUE QUER SER SEU CORAÇÃO."

Almada Negreiros

*

A VONTADE DO CORAÇÃO 


A maior aventura do mundo
Que todo o ser humano engendra,
E que parece não ter emenda,
É a que nasce lá bem no fundo
E que faz com propriedade
Sonhar ter, como oferenda,
Toda a nossa felicidade.

Prémio justo e compensador,
Por tudo quanto custa viver
Durante a vida que se tiver,
E não há alternativa ao redor
Que a todo o humano engrandeça,
Do que a vontade que se requer
Adquirida pela nossa cabeça.

Esta energia vital tremenda
Emergente das profundezas
É uma das maiores riquezas
Que a própria razão recomenda
E, pela vontade da emoção –
Como catarse para as certezas –
Depende do nosso coração.

Há corações largos e estreitos
E corações coesos e partidos
Aos quatro ventos dos sentidos
Mas nenhuns deles perfeitos.
E, quer em homem ou mulher,
Pelos meandros consentidos
Um homem nunca é o que quer.

Toda a vontade e solicitude,
Vinda de dentro do ser humano
Sem subterfúgio ou desengano,
É luz segura e é uma virtude
Que, sendo de si feliz condição,
Não tolera um cariz soberano
Mas o que quer ser seu coração!

© Frassino Machado

In OS FILHOS DA ESPERANÇA

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

RESPIRO ESPERANÇA, FÉ, ALEGRIA




ESTA, MINHA, JANELA


Acordei cedo e logo percebi
Que o dia brilhava mais do que podia!
Quiçá, a serenidade de um chá a poesia
Ou esta, minha, janela rendilhada que anotei!

Que airoso adamascado planeia pela minha alma!
Lembra os Reis magos e é mesmo outro dia
Que traz certa esperança, fé, alegria
Ao meu coração e inspira a certa calma.

A mística e singela magnitude deste universo
Sacode o meu olho e deixo cair um verso;
Qual parte em direção a Belém: terra abençoada
Pelo Deus menino que nasceu à hora de consoada.

©  Ró Mar




RESPIRO ESPERANÇA, FÉ, ALEGRIA


Sigo a estrela que brilha em mim e caminho
Ao encontro da minha paz repleta de fé
Em poder ver o menino Jesus ao lado Maria e José
Deitado sob as palhinhas sagradas de um pergaminho.

Longa viagem que me permite estar perto dos céus;
A claridade que me envolve é dádiva de Deus;
Assim, percebo o significado do nascimento e o valor do amor
Legado pelos Reis magos: Gaspar, Baltasar e Belchior.

Não trago incenso, nem mirra, muito menos ouro,
Mas, trago o coração aberto para receber o espírito santo;
É a maior cousa que posso ofertar perante tamanho tesouro.

A brancura e leveza deste momento
Invade a minha alma e deixo cair um verso:
Nasceu o salvador reina a paz pelo universo.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

OS REIS MAGOS



 

Os Reis Magos


Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.

Estrela nova … Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.

Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.

E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.

Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol

Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.

Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três !

Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.

E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir

Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.

E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …

© OLAVO BILAC

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

SOBRAS NATALÍCIAS




SOBRAS NATALÍCIAS  


Quando se pensa no Natal
Logo se imagina a fartura
Numa abundância colossal
Que mete respeito e figura.

Quanto mais pessoas melhor
Cada um mostra o que vale
Importa qu´ se exija valor
Quando se pensa no Natal.

Haja prendas e mais alimento
Com um Pai Natal d´ aventura
Para lá do contentamento
Logo se imagina a fartura.

Com embrulhos e mais embrulhos,
E com ataduras bem ou mal,
Há mais ilusão do qu´ orgulhos
Numa abundância colossal.

- Quero uma coisa que m´ agrade –
Ouve-se a voz duma criatura –
É uma prenda de qualidade
Que mete respeito e figura.

- Neste Natal só me sai duques
E o meu Pai Natal é uma seca,
Já estou farto dos seus truques
E eu vou dormir uma soneca.

- Quando acordo só vejo sobras
Em caixas, caixinhas e sacolas,
Nada de jeito para as dobras
E o “Pai Natal” é um gabarolas!

- Oh, tanta gente a passar fome!
Se as sobras pudessem chegar
A todos, sem olhar ao nome,
Este mundo poderia mudar…

Lembrei-me agora, de repente,
Do poema NATAL DE QUEM
Que amigo poeta-competente
Compôs certo dia muito bem.

Trata duma família moderna,
Sem nenhuma crença nem luz,
Que o Pai Natal trazia à perna
Em vez do Menino Jesus:

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA


*

NATAL DE QUEM?  


Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
-- Está bem, eu sei!
-- E as garrafas de vinho?
-- Já vão a caminho!
-- Oh mãe, estou p’ ra ver
Que prendas, vou ter.
-- Que prendas terei?
-- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
-- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!

© João Coelho dos Santos
In “Lágrima do Mar”, 1996

QUANDO UM HOMEM QUISER




Quando um Homem Quiser


Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

© Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

sábado, 21 de dezembro de 2019

PRESÉPIO VIVO




PRESÉPIO VIVO


Em tempo antigo
O presépio era vivo
José e Maria se reflectia
Nas pessoas da avó e do avô 
Em volta seus netos e filhos
A família uma só.
Havia um rebanho 
Um pastor e um estábulo
Na loja o burrinho
Na pocilga o boi 
Era substituído pelo porquinho.
Amassavam-se as filhoses 
Para alegria dos mais pequeninos
Cantava-se à volta da fogueira
Ao Deus menino tão pequenino.
Tenho estas memórias guardadas
Lembrança e quanta saudade
Cada pessoa é lembrada
No presépio da humanidade.
Saudades de tanto empenho…
Do avô e da avó, dos pais que já não tenho,
Tanto mistério neste presépio humano, 
A saudade engole a gente.
A luz do presépio era fraca 
Mas estava sempre presente
A candeia era alimentada com azeite.
A casa era humilde, não muito importante,
Mas suficiente 
Para o nosso aconchego.
A lembrança da nossa fé
E da nossa inocência
Vinha com a presença
Do divino infante.
A simplicidade daquele presépio humano,
Tinha enfeite irrelevante
Transmitia paz e alegria
Na sua essência, no meio do alarido
Da presença das tias e tio.
Na ceia, não faltavam as filhoses
O pão e vinho e o sorriso abundante
Esperando as doze badaladas
Para celebrar o nascimento
Do divino infante
Reflectia sobre estes engodos,
Tanta alegria, nos unia,
Jesus nascia para todos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O PERÚ DE NATAL


Imagem: November Turkey Quilt Block Pattern


O PERÚ DE NATAL 


A loja do Manuel era simples e mágica como todas as mercearias das aldeias pequenas. Tinha uns armários de carvalho que cobriam as paredes quase até ao tecto, algumas prateleiras eram protegidas por vidros, mas a maioria expunha simplesmente os produtos ao olhar dos fregueses: farinhas, latas de atum ou sardinhas em azeite, fósforos, umas garrafas de vinho do Porto, uns licores, brandes e aguardentes finas.
...
Sobre o enorme balcão de madeira, a balança de pratos era a figura central – por ali passava quase tudo. Ao lado estavam os pesos de metal. Parecia uma família, uns maiores que eram os pais, e depois a criançada dos pesos pequenos e pequeninos. E esta família tinha uma casa, uma caixinha com os redondos exactos em que cada peso se incrustava, mas o Manuel não tinha tempo para essas coisas e ficavam desarrumados no balcão, ao lado das caixas dos rebuçados de mel, como se as crianças estivessem no recreio e os pais a vigiar. 
- Ó senhor Manuel, avie-me lá um quarto de açúcar amarelo, por favor…
Abria a tampa de madeira da tulha, enchia um cartuxo de papel pardo que depois batia em cima da pedra mármore do balcão para o açúcar assentar. Colocava-o na balança e com uma corredora de alumínio, deitava ou retirava mais uma ou duas pitadas de açúcar loiro para acertar o peso. Depois dobrava as pontas do cartucho deixando umas orelhas atrevidas, e colocava-o no balcão com um sorriso adocicado como o cheiro que ficava no ar. 
- Aqui tem D. Bárbara, precisa mais alguma coisa?... o senhor Arménio como vai? – dizia ele subindo para o estrado de madeira, o que lhe dava um ar mais distinto ao balcão.
- Vai bem, obrigada! Aponte lá no livro, por favor, já cá passo no final do mês!
O Manuel apontava. Era freguesa de confiança, gente séria, o marido era feitor de uns senhores de posses, no acabar do mês sabia que ela trazia as moedas contadas para desarriscar o nome.
...
“Ó sô’ Manuel, assente lá, que o patrão logo passa cá a pagar”, dizia ela. Só que o patrão não passava e os números aumentavam no livrinho preto, quadriculado, onde o Manuel fazia as contas de somar. 
- Ó home’ vai lá bater-lhes à porta… é Natal, devem ter dinheiro! 
- Ó mulher, vou agora bater às portas do doutor… ainda se amofinha co’a gente! E se depois precisamos do home’ numa aflição, e ele está derrancado com a gente…?
- Numa aflição está a gente agora, temos o Natal a chegar e nós sem dinheiro… Vai lá a bater à porta, que pedir o que é nosso não é vergonha! Era só o que faltava! Ele a alambazar-se na consoada e nós aqui a chuchar no dedo… e com os fornecedores á perna! 
Contrariado, mas bem-mandado, Manuel lá se foi ladeira acima com o intuito de pedir satisfações ao médico. 
...
Pressentiu uma mesa farta e isso deu-lhe ânimos para agarrar no batente da porta – um punho de metal – e sacudir as madeiras com violência. Foi o próprio médico que veio abrir:
- Ó Manuel, tu por aqui? Entra lá homem, entra que está frio. Então o que te traz por cá? És tu que andas mal? Ou é a tua patroa?
Ele tirou o boné, revoluteou-o entre os dedos nervosamente. Nem sabia por onde começar. Foi olhando a mesa posta, vendo as filhós, as rabanadas, os pudins. A batata assada que estava a ser servida, o esparregado, o peru acabado de sair do forno e que a mulher colocava na mesa dentro de uma travessa de loiça. O cheiro quente chegou-lhe ao nariz e desatou-lhe a boca.
- Não se trata de maleitas, senhor doutor. Como lhe hei-de dizer… O doutor não levará a mal, mas é que tem lá uma conta já grandita na minha mercearia e… Estou aqui por mor de levar algum pagamento que as coisas lá em casa estão apertadas de dinheiros… sabe como é!
- Ó Manuel, claro que sei, homem! Se eu te contasse também a minha vida…! Nem imaginas. É como a ti, ninguém me paga, sabes como é… Olha que eu também tenho o meu livrinhos dos apontes. 
Manuel sentia que lhe estava a fugir o chão dos pés. Ainda tentou um último argumento: 
- Compreendo! Compreendo! E desculpe, ter batido na sua porta. Mas é que eu estou mesmo de bolsos revirados. Pelo menos o doutor ainda tem a mesa farta, e um bom peru assado…
Ao que logo o médico respondeu: 
- O peru? Ah, o peru! É o que te digo Manuel… se eu te contasse a minha vida. Sabes lá!!… O peru, vou-te confessar… - e chegou-se junto a ele, baixando a voz em tom de confidencialidade. – O peru, eu não queria, mas tive de o matar. Sabes porquê? É que já não tinha nada que lhe dar de comer, coitado!!!

© João Morgado, in MEIO-RICO E OUTROS CONTOS (Kreamus, 2011)

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

UM NATAL TODOS OS DIAS


Imagem: Mala d'estórias


UM NATAL TODOS OS DIAS


Quem faz o Natal para todos nós?
São os amigos
Quem nos dá prazer e dá calor?
São os amigos
A quem é que damos a ternura?
É aos amigos
A quem é que damos o melhor?
É aos amigos

Os amigos são o nosso bolo de Natal
Cada amigo nosso vale mais que um Pai Natal
É um irmão nosso que trabalha no Natal
E com suas mãos faz a diferença do Natal
O dinheiro pouco importa
O que importa é a verdade
E a prenda mais valiosa
É a prenda da amizade
Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias.

© Ary dos Santos e Joaquim Pessoa

sábado, 14 de dezembro de 2019

NOITE DE NATAL!...




Noite de Natal!...


O Natal é alegria
É noite de luz a brilhar
Natal com a Virgem Maria
E o Menino Jesus a beijar

Mas, Natal é noite santa
Para nós sempre louvado
O Menino Jesus encanta
Numas palhinhas deitado

Natal é prendas e luz
Nos corações há alegria
Ver o Menino Jesus
Ao colo da Virgem Maria

Para todos os povos também
Eu te peço sim em oração
Nesta noite santa sem igual
Que não deixes ninguém
Sem agasalho nem pão
Nesta linda Noite de Natal!

© Maria de Lurdes Cunha

https://www.facebook.com/mlurdescunha

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

HISTÓRIA DO MENINO JESUS


Foto: © Acácio Costa

História do menino Jesus


Era uma vez um menino
Que nasceu em Belém
Seu pai era José
Maria a sua mãe.

Viveu junto de seus pais,
Perto do rio Jordão,
Um dia saiu de casa,
Foi ver seu primo João.

Reuniu doze bons homens
Para o seguirem nas pregações.
Pregou a palavra de Deus, fez milagres,
Encheu de esperança muitos corações.

Revelou ser Filho de Deus
E que amar é sobretudo perdoar;
Pai nosso que estás no céu (…)
Ele ensinou a rezar.

Até que um dia, foi traído,
Após uma última-ceia;
Foi julgado e condenado
Como impostor da Galileia.

Entre dois ladrões, foi crucificado
E como malfeitor foi tratado;
Ficaram Madalena, Maria e João
Por quem não foi abandonado.

Depois de morto, foi sepultado
- Era o “Messias” que acabou;
Mas, como tinha anunciado,
Ao terceiro dia, ressuscitou.

Fundou, em Pedro, a sua Igreja,
Crentes-católicos-cristãos;
Deixou Maria como mãe,
Pra que todos fossem irmãos. 

Esta a história de Jesus Cristo,
Que disse e a vós todos eu lembrei:
“Amai-vos uns aos outros
Como eu vos (amo e) amei”!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

ESPÍRITO DE NATAL


Pintura: Tela_ID (arte sacra)  

Espírito de NATAL 


Enquanto o Homem
viver,
enquanto uma criança
nascer,
enquanto houver amor
para oferecer,
haverá sempre,
um dia de Natal.

Natal
sentimentos de contradição
de silêncios muitos
de solidão
de abraços muitos
de enfeites mais
com a fome de tantos
e outros com demais.

Natal
vejo-o sempre
numa sopa aos sem abrigo
ou num sorriso de alegria
duma criança ao colo da mãe
que já há muito não via.

O NATAL É SÓ O MÊS DE DEZEMBRO


Imagem - Bellissime Immagini

O NATAL É SÓ O MÊS DE DEZEMBRO


Dezembro chegou e a azáfama do natal
Percorre as ruas e carrega o lindo pinheiro ou abeto,
Para dar um novo respirar aos lares…
Verdinho, com bolas de todos os feitios, fitas de muitas cores
E também nódulos de algodão, brancos demais,
Enche o coração das casas e os olhos das crianças.
E, claro está, o presépio, o berço de palhinhas assente
Em musgo para receber o menino
Jesus que nasce em Belém…
Ao lado de virgem Maria e de José.
Lá no cimo da árvore a estrela a brilhar
Para Belchior, Baltasar e Gaspar, os três Reis magos,
Que carregam ouro, incenso e mirra para adorar o menino.
As crianças têm um sorriso frenético e curiosidade demais.
É a quadra mais mística e aliciante do ano.
Há prendinhas embrulhadas em papéis coloridos
Para dar alegria ao presépio, (simbolicamente)
Para ofertar ao menino Jesus que, nasce em Belém,
Vai a casa de todos os meninos.
Vem no ventre da virgem Maria em véspera de natal
Para dar luz à ceia de natal
E alumiar os corações de todos.
Há missa do galo e ao sino das doze badaladas
Ouve-se a boa-nova: Jesus nasceu, o salvador!
Lá vêm as renas, é o trenó do pai de natal!
Já se vê o fuzuê que vai à volta da chaminé...
São os meninos que vão ver o sapatinho.
Já nasceu o menino Jesus, a alegria perpétua a noite, é natal.
Desembrulham-se as prendas e trocam-se abraços e carinho.
A algazarra instala-se no seio da família, o vozeirão das crianças,
Que não têm pressa de dormir querem mais é brincar.
E, o natal fica até mais tarde, vai enfeitando o resto do mês
Com muita brincadeira e guloseimas,
Em especial o bolo-rei que é dos três
Reis magos e vai de novo às mesas com fava e presente
Para festejar o dia de Reis, que deixa saudades em todos os lares.
Chega a hora de arrumar a casa e lá se vai o pinheiro
E as bolas de natal
Arrumam-se para o ano que vem.
Há tristeza nos olhares das crianças…
As casas já não são as mesmas,
A família não é a mesma, os amigos não são os mesmos.
Tudo é diferente, os brinquedos são os mesmos
E a rotina volta ao dia a dia por mais um ano.
O verde fica estampado no olhar das crianças…
Um novo ano em que é preciso que se portem muito bem
Para ter novos brinquedos no ano que vem.
Os corações ficam mais pequeninos e o inverno vem pela frente,
Sente-se o frio em muitos lares,
Onde o amor não reina simplesmente;
Há outros que os aquecem o ano todo em trocas de coração aberto.
Mas por norma, o natal é só o mês de dezembro 
E o nascimento do menino Jesus é (o salvador), 
Mesmo só, a vinte cinco de dezembro.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

QUE LINDA ABÓBORA DE TENRA IDADE!


Imagem: SAi$ONS


QUE LINDA ABÓBORA 

DE TENRA IDADE!


Que linda abóbora a desafiar o outono!
Pesadota e bem rechonchuda, 
Brinda o final de outubro a mais um ano,
De cor laranja/ cenoura, sinal de vida.

Nossos olhos ficam alegres de tanta doçura,
O paladar fica apurado pra mais uma travessura.
Que o tempo de fruta madura nos enriqueça
O coração e sirva ao universo formosa travessa!

Nossos sonhos ficam mais próximos de todos
Quando temos algo bonito em que pensar
E mais reais quando temos o que festejar.
Que linda abóbora a versejar bons modos!

Nossos dias ficam maiores quando somos
Confrontados com tamanha realeza
E a vida rebola de mansinho pela beleza
Da estação, desfolhada a crassos gomos.

Nossas noites ficam mais iluminadas
Quando há ruas e casas imaginadas
E a cidade veste a soberba roupagem
Que leva mais um trinta e um de carruagem.

Halloween, Halloween! Grita a rapaziada.
Ouve-se o borborinho exclamando a cidade,
Num som tropical, de porta escancarada.
Que linda abóbora de tenra idade!

© Ró Mar

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

SÚPLICA À SENHORA DA PENHA




O ESPÍRITO DA PENHA I
«Peregrinação à Penha 2018»


SÚPLICA À SENHORA DA PENHA


Monte da Penha ou Monte de Santa Catarina,
Réplica do Monte Carmelo na terra da Palestina.

Nesta altaneira e verde-montanha sagrada,
Com a Cidade Berço a seus pés instalada,

Venho junto de Ti, com a minh´ alma em réplica,
Apresentar-Te sincero, minha fé, minha súplica,

Ó minha Senhora, qu´ és do Carmo e da Penha,
Que atendes sempre a quem muito humilde aqui venha.

Qu´ És sensível, sabemos, a quem te pede saúde,
Por isso espero que olhes à minha solicitude.

Quero que saibas, não é para mim o pedido
Mas, se atenderes, ficar-te-ei sempre rendido:

É para meus amigos, co´ a sua vida aflita
E a quem a mísera sorte mantem em desdita,

São as crianças, e os pobres, e os perseguidos
E os que sofrem no mundo pra sempre esquecidos,

São os que não têm pão e vivem na amargura
Da exploração constante de triste figura,

E são as vítimas da torpe corrupção
E todos os humanos que vivem em solidão.

E já agora, Senhora, também é meu país
Que definha e padece, e continua infeliz…

Nele nasceram gigantes na terra, mar e ar
E agora, só se vê, a miséria a espreitar.

E a pior das misérias, e em consumição,
É o seu vazio de Cultura e de educação.

Ó Senhora do Carmo e da Penha formosa
Suaviza a dura cruz desta Pátria chorosa!

Eu sei que está por cá o Beato Pio Nono
Mas, se ele não liga, este país continuará sem dono,

Eu sei que Santo Elias passa a vida a dormir
E assim não pode ver todo este mundo a ruir.

E vê lá que o Beato Pio passe de vez a Santo,
Que de Beato a Santo não é assim tanto, tanto.

E que este Santo Elias não se meta na taverna
Porque já escandaliza aquela soneira eterna,

Tu, que Te fazes acompanhar p´ la fiel pastora,
E p´ las Senhoras do Carmo e de Lurdes a toda a hora…

E deste excelso e fresco e rijo miradouro,
Afasta para longe todo o nosso mau-agouro.

Ó Senhora do Carmo da Penha bendita,
Tu, a Padroeira, em quem toda a gente acredita,

Sê para nós, enfim, uma bênção sublime
E que a devoção popular se torne mais firme.

Que os Teus dotes maternos, para nós divinos,
Sejam em cada dia a luz para os peregrinos.

E a Ti, Te suplicamos e, em Igreja, cantamos
E de Ti, todo o supremo Bem esperamos!

Frassino Machado
CANÇÃO DA TERRA E DO MEU PAÍS

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ISTO É QUE É AROMA A ROSA!


Imagem - Aimer la Nature (Love the Nature) 


ISTO É QUE É AROMA A ROSA!


Construa o seu ser à sua semelhança
mesmo que desagrade a muitos.
A autenticidade é um passo de nobreza
que fica bem a todos. O que os outros
pensam é deles, o que somos é que conta,
E, isso não pode mudar em função dos outros.
É compreensível que haja ajuste de personalidade 
para viver em sociedade, mas, nunca descurando 
a verdadeira identidade para agradar 
a meia dúzia de pessoas, que não lhe dizem nada
a não ser critica à sua maneira de ser. Possivelmente 
não têm algo mais interessante na vida 
senão o passear pela vida dos outros!
Pobres de espírito! Deixá-los ser assim!
Seja você mesmo, é esse o caminho certo
para ser saudável, além do exercício físico
e uma dieta à maneira, seja sempre fiel a si.
Quer faça sol, quer faça chuva sobre si
mentalize-se que o planeta é sempre o mesmo,
nada vai mudar porque você mudou e tudo 
o que tem que mudar é você que tem 
de determinar, não porque alguém quer assim!
Não pense que sou assim porque sou eu mesmo,
sou-o porque outros me ensinaram a ser assim
e sou igual a mim próprio. E, quanto ao assim
só para meia dúzia de pessoas que nada tem
a não ser uma máscara emprestada para desfilarem
na passarela de um mundo cor-ó-rosa.
O universo não tem uma cor definida, 
toda a cor é bem parecida quando respeitamos 
e somos respeitados. E, isto é que é aroma a rosa!

© Ró Mar

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A PROPÓSITO DE “POLUIÇÃO”



A PROPÓSITO DE “POLUIÇÃO”   

                             
Há poluição na terra, há poluição no mar,
Que estranhos os mistérios qu´ encerram
Todos os horizontes a considerar?
Há poluição nas vidas, há poluição nas mentes
E que sub-reptícias farsas estão fluindo
Em todos os espaços d´ inócuos ambientes. 
Poluição nas palavras, poluição nos gestos,
Que propósitos estéreis engendram
Todas as personagens em seus manifestos?
Se há poluição nos lares e poluição nas almas
Que ignóbeis gestos estão ficcionando, 
Em truculentos sons, aquelas tardes calmas? 

Há poluição nas ruas, avenidas e praças,
Que fóruns banais estão animando
Todas as máscaras exibidas nas desgraças?
Ao som da fanfarra que convém
É com proventos alheios que vão dançando
Para mostrar eufóricas as tramas que tecem. 

Se há terra, se há mar, mistérios e horizontes
Que são estranhos nas horas mortas,
Como é que há-de correr límpida a água das fontes?
Como é que a paz, chegará livre ou d´ improviso,
Aos corpos que cantam dentro de portas
Na ternurenta partitura de um sorriso? 

A "poluição" a haver, neste mundo enfadonho,
Será apenas, e só, a revestida de Sonho! 

Frassino Machado 

In RODA-VIVA POESIA

                                         www.frassinomachado.net                                           

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O MUNDO ESTÁ DOENTE




O MUNDO ESTÁ DOENTE
“No Dia Mundial do doente”


Para tristeza dos seres humanos
Neste Dia Mundial do doente
Perante todos os desenganos
Enorme doença o mundo sente.

Não é uma doença do corpo
Mas é aquela que, sem planos,
Faz do espírito um ente morto
Para tristeza dos seres humanos.

Por uma ignóbil fatalidade,
Para além do corpo e da mente,
É o vírus da “insensibilidade”
Neste Dia Mundial do doente.

É muito pior que malária
Ninguém escapa, nem os tiranos,
É uma lepra extraordinária
Perante todos os desenganos.

Não tem cura tal epidemia
E abarca quase toda a gente
E, de alergia em alergia, 
Enorme doença o mundo sente.

Veste de máscara pungente
Anda por aí, de rua em rua,
Não chora, não é fria nem quente,
Mas cada pessoa tem a sua.

Está, assim, doente este mundo
E parece ir de mal a pior
É na alma qu´ o mal profundo
Tem a sua origem e tumor. 

Ninguém olha à dor alheia,
Ao próprio mal ninguém olha,
De dor está toda a vida cheia
E, entre lágrimas, se desfolha.

Diz-se qu´ o homem tem coração
Mas até parece que não tem
Cada manhã é uma ilusão
E ninguém usa o deve e haver. 

- Ó Mundo, que doente estás,
Quebra, para já, tuas algemas
E da doença livre ficarás
Resolvendo os teus dilemas. 

Teu mal é não teres confiança,
Por não te conheceres bem,
Sai da tua concha e avança
Escolhendo o que te convém.

Se olhares ao teu caminho
E acenderes a luz da fé
Verás que aprenderás sozinho
A caminhar pelo teu pé.

E, já agora, desata o laço,
Abre as janelas do altruísmo
Não prolongando o embaraço
Que te afunda no egoísmo.

- Ó vós, oh vós, Grandes da Terra,
Tudo é breve tudo é pequeno,
Dai solução a esta “guerra”
Tornando o Mundo mais sereno!

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA

RETRATOS SEM ROSTO!!!...




"RETRATOS SEM ROSTO!!!..."


Passos lentos... arrastados;
De velhos corpos curvados,
Que o tempo deixa viver!...
Rugas qual pergaminho...
Mapa da rota ou caminho;
Que percorre até morrer!...
Olhos perdidos no espaço;
Com as vidas presas num laço,
Que num segundo os sufoca!...
Recordações do passado;
Ténues sombras a seu lado,
Tantas que a saudade provoca!...
Tratados como lixo social...
Sem recursos... como é normal,
Desprezados p´la sociedade,
Farrapos... ou trapos humanos...
Quantas desilusões... desenganos...
Transportam doença e idade!...
Trabalharam uma vida inteira;
Pela família e p´lo País também!...
Morrem sem família à sua beira;
Nem deixam saudades a ninguém!...

António J. A. Cláudio

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CULTURA DE MASSAS!


Imagem - Google


CULTURA DE MASSAS!


Se a cultura de massas é o modelo ideal de sociedade a crítica da mesma, sob outra forma de cultura, é considerado um aparte, inteletualismo, que não tem relevância para o mecanismo existente, popularizado, do qual faz parte a maioria.

Mas, afinal o que deveria importar numa sociedade que pretende ascender a nível cultural, a quantidade, os modelos estandardizados, a alta produção e os benefícios económicos que advém, ou a qualidade, a originalidade...!? 

Há uma parte da sociedade que, minoria, pensa de forma diferente, dando primazia à qualidade e à criatividade, mas, têm pouco direito de opinião e assim sujeita a viver a imposição do modelo de sociedade idealista, que premia o consumo, evidente atualmente.

Hoje em dia, troca-se tudo com uma frequência descomunal, tanto os bens de primeira necessidade, como outros objetos, assim como também as pessoas, porque passou de moda ou está aparte da tipologia. Qualquer outra cultura é suplantada à cultura de massas, severamente criticada e até marginalizada. 

Pretende-se uma sociedade homogénea, cujo objetivo é vincular as várias classes, apesar de não descurarem o valor hierárquico, a um bem final comum, ou seja, a uniformização de um determinado meio para atingir um dado objetivo. Como podemos verificar, cada vez mais, a sociedade é generalizada, fruto de uma indústria projetada para as massas e de um sistema idealista económico, onde a cultura no seio da sociedade é o monopólio da expressão cultural!

Uma cultura de massas, padroniza, pretende valorizar a produção e consumo, deixando de lado a arte genuína, o cunho pessoal, o parecer e a escolha individual, de cada um. Não que todos não tenham uma opinião concreta e por vezes discordante, mas, é irrelevante e até se torna ridículo opinar sobre a matéria! Existe sempre dentro da cultura de massas uma intrínseca, quase invisível descriminação, calculável de forma subjetiva. O modelo de sociedade que se considera perfeito, na medida em que contribui para uma igualdade de classes e defesa de todos os deveres e direitos humanos!

Tendo em conta o impato e até os benefícios que a industria cultural, nomeadamente, os mídia, teve na implementação e avanço de novas tecnologias e por sua vez na formação de mentes, a qual atingiu um sucesso inquestionável, não me parece que seja a melhor forma de abordar o assunto menosprezando-a, mas sim, respeitando-a e dando-lhe o devido valor. Digamos que tem bastantes aspetos positivos, nomeadamente, a grande divulgação e novas oportunidades, em particular para uma camada social desprivilegiada, com menos poder económico e recursos educacionais.

Então, direi que cultura é muito mais que cultura de massas, e quando me refiro a cultura estou a englobar todas as classes, fachas etárias e etnias. Na minha condição de humilde ser, vou-me formando no quotidiano com todos os que me rodeiam e através de diversos meios, inclusive, os mídia, com um único objetivo o de aprender e de algum modo, contribuir para a sociedade. 

Entendo por cultura tudo o que exprime conhecimento, arte na sua essência, baseado numa determinada etnia, ou contexto, independente no espaço e no tempo, ou seja, que perpétua e em diversos espaços, pela sua historicidade ou criatividade, o que deverá ser fonte aberta ao espírito critico. Considero que deve existir um certo inteletualismo, o que pode ser considerado menos benéfico à sociedade e até reprimido pela mesma. 

Se todos gostássemos do amarelo o que venderia as outras cores? Confesso que adoro amarelo, mas, se tivesse que conviver todos os dias com ele, acabaria por o achar uma cor enfadonha! Pois é isso mesmo, há que mudar, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", mas, não queiram escravos, dêem margem a opções de escolha! Eu tenho, tal como outro um, uma forma de ver e arquitetar o mundo, que presumo ser diferente, não que seja entendido na área da cultura, mas, tenho opinião própria e não me dou muito bem com os fanatismos!

Cada vez mais, vivemos em sociedades multiculturais, onde há diversas etnias e por sua vez mais raízes culturais, porquê generalizar o que é tão puro e único, o que faz parte de uma educação e cultura, todos deveriam ter o direito a viver consoante a forma própria, natural que os faz realmente seres!? Ah, seria uma mais-valia, pois, para além de aprendermos, ensinarmos e vice-versa, respeitaríamos os diversos géneros culturais, do quotidiano, numa espécie de união e intercâmbio cultural! Não que o não haja, mas, não tão significativo, há uma nítida modelagem ao sistema! E, com o devido respeito, devíamos ter espírito critico, fundamentado, evidentemente, pois, não poderei chamar veículo de cultura a tudo o que exprime opinião contrária porque entende que a seu ver é racional. Há que para além de ser consciente ser formado (educado), assim como também se fazer presente, para evitar a manipulação! 

Concluindo, todos nós somos seres de valores culturais, inquestionável, na medida que não ultrapasse o limite que confere à margem que dá origem à liberdade do outro. Em suma, somos seres de várias culturas, independente de pertencermos ao mesmo território, não devemos generalizar, porque generalizar é tornar banal e banal é algo de abominável que não tem uma pinga de cultura!

Com isto, não quero de forma alguma dar a entender que apoio certos movimentos extremistas, excêntricos, que fazem mais barulho que outra coisa que chamo de falácia, pois, cultura é arte, musica melodiosa e harmoniosa e tem que inevitavelmente contribuir para o bem da sociedade.

Ser diferente numa certa perspetiva, no ponto de vista em que a cultura e a educação estão interligadas, o que digo não aos extremismos, pois, considero formas de exibicionismo e desrespeito pelos valores sócio-culturais, quais não podem, de forma alguma, ser considerados fontes ou veículos de cultura, apelidaria-os de anti-culturais, genes, específicos de uma outra massa.

O que me parece ser relevante e até grandioso, num determinado território é o sentido patriótico, histórico e cultural em simbiose com a criatividade existencial premiando o espírito critico e exaltando os valores de educação, ou seja, privilegiar diferentes culturas! Deixando de ser um modelo estereotipado e passando a uma concepção realista de diversas culturas interligadas e em simultâneo projetáveis, o que certamente conduziria a uma melhor compreensão e aperfeiçoamento dos fenómenos culturais que se vão sucedendo.

© Ró Mar