sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

JARDIM DE PERFUMES INSANOS




JARDIM DE PERFUMES INSANOS


Entre pétalas das flores sonhei voar,
Na mais fina essência de perfumes
Em demasia alguém prefere aromar,
Sem pressas ou alentos os vagalumes!

Com estas palavras d' ouro voltei
Sem qualquer argumento de melodias
É o fim do ano... e, então aterrei!
As teclas do piano andam arredias...

Em silêncio espera-se o Novo Ano
Na expectativa de não ser tão insano...
As pessoas ordenam os festejos!

As assinaturas em tinta verde
Retratam a música ao de leve
E, averbam a esperança de desejos...

© Maria Graciete Felizardo | 12/2021

FELIZ ANO NOVO




Feliz Ano Novo


Um Ano Novo começa,
Eis uma nova aventura,
Vamos vivendo sem pressa,
P’ra não entrar na loucura.

Do Velho ninguém se esquece,
Que foi um ano bem duro,
O povo já reconhece,
Que lhe tramam o futuro.

Vida nova, Ano Novo,
Procura ajudar o povo,
Faz o bem, como o queres,

E que Deus se lembre de nós,
Faz ouvir a tua voz,
O mais alto que puderes.
Ano Novo Vida nova,

Um Bom Ano de mudança,
Não nos enviem p’rá cova,
Que em nós há sempre uma esperança.

© Fernando Figueiredo

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

UM DIA DE CADA VEZ




UM DIA DE CADA VEZ


À vida dou agora mais valor,
Desde que me atingiu certa doença,
Pois sinto como sendo uma sentença,
Cuja condenação foi um tumor!

Quando temos saúde não se pensa,
No quanto é importante e alentador,
O dar e receber provas de amor,
Numa livre partilha que se adensa!

Cada dia que acordo é mais um dia,
Para sentir nas horas a magia,
De ver passar o tempo à minha volta…

Faço de cada dia alegre festa,
Comemorando o tempo que me resta,
Veloz e alegre qual cavalo à solta!...

J. M. Cabrita Neves | 12/2021

O VERDADEIRO AMOR




O VERDADEIRO AMOR


O verdadeiro Amor
É sentimento ardente
É loucura, paixão e dor
É uma alegria premente

O verdadeiro Amor
É dar mesmo sem receber
É sentir frio mesmo com calor
É o oxigênio que nos faz viver

O verdadeiro Amor
É pensar sempre positivo
É sonhar seja onde for
É o polo de corrente negativo

O verdadeiro Amor
É tudo isso e muito mais
É sentir no peito um ardor
É suspirar de saudade com ais

Mas o verdadeiro Amor
É uma jóia difícil de encontrar
É uma bebida com um único sabor
É essência do sorrir e do chorar

© Paulo Gomes

ELEGIA FAMILIAR




ELEGIA FAMILIAR 

“Na Semana da Família”


Na aridez do insondável mundo social
Os mendicantes olhos, procurando alguém
Que dê sentido lógico e sobrenatural,
Corporizam a vida que o destino tem.
P´la própria natureza, que supõe o perigo
Onde a mulher e o homem têm cumplicidade,
Há lugar em si mesmo na veracidade
Do sustento e defesa num qualquer abrigo.

Terá sentido o pai, terá sentido a mãe,
Terão sentido os filhos - neste mundo atroz -
E até as próprias coisas naquele vai-e-vem
Co´ a frágil segurança de uma casca de noz?
Onde terão lugar o alicerce e a sorte
Que, só por si, se complementam na essência
Da pura espécie humana em sua consistência,
Podendo contornar a prazo a mísera morte?

Quando será que o ser humano se apercebe
Que a sua mente, sempre esvaziada e fria
Sem coração e com o seu espírito imberbe,
Vagueia no deserto por todo o santo dia?
Quando será que a luz que animava a alma
Colectiva, da casa e dos avós firmeza,
Garanta todo pão e vinho sobre a mesa
E reorganize na família a união e a calma?

Ó Maiorais, ó Leis, ó sábios desta terra -
Se é que vós tendes alguma razão de ser
E ao mesmo tempo não vislumbrais esta guerra
Cujos contornos ninguém está a perceber…
Para quando o saltar da profunda barreira
Da desumanidade, que é aquela vil imagem
Que vos embala a cada hora na viagem?
Quando será que rasgareis vossa cegueira?

Parai, escutai bem e, já agora, indagai
Aqueles remédios que é urgente reencontrar:
Se virdes que há mister cortar vaidade, cortai;
Governai, sim, se houver mister de governar;
Fazei justiça se para tanto houver mister;
Fazei partilha com a maior seriedade.
E se derdes o exemplo, com frontalidade,
Toda a Nação terá a Família que quiser!

© Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA
 

VAI EMBORA ANO VELHO




VAI EMBORA ANO VELHO


Vai-te embora ano velho
Não me deixaste saudades
Só devastação e morte
Do teu dorso obtivemos.

Vai-te embora ano velho
Ainda tenho sonhos guardados
Bem no fundo do coração,
Sonhos jamais renovados.

Vou dizer-te adeus ano velho
Sem de ti sentir saudades,
Vai num adeus sem retorno
Vai para não voltares.

Na minh' alma ficará tatuado
Lembranças que vou guardar
E outras pequenas coisas recordar,
Que ficarão como legado.

A dor que senti no teu regaço,
Será mais uma condição
P'ra te banir do meu coração
Depois de tanta devastação.

Se sentirei saudades, conheço a razão.
De todas as conversas e risos deitados ao vento,
De alguns momentos que passamos
Durante uma bela estação.

Guardo o sabor do beijo na memória.
No Inverno cinza, a despedida, último adeus,
Como se te foras sem deixar-me uma esperança
De reviver o carinho dos lábios seus.

Vai embora ano velho
Relembrarei com avidez
O som ensurdecedor da dor
Tudo registei com lucidez.

Contigo chorei, dancei, sofri a despedida,
Na vespertina de cada noite...
Tudo senti, traços de alegria, sementes de dor,
No sol frágil do teu inverno, pintei a minha vida.

Vai sem demora, está a chegar lentamente,
O toque da tua derradeira hora,
Vai sem olhar para traz,
P'ra que o novo nos traga uma aurora de paz.

© Naná Gonçalves Ferreira

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

"ANO NOVO, VIDA NOVA"




"ANO NOVO, VIDA NOVA"


"Ano Novo, vida nova"
É o que tanto ansiamos,
Que se cumpra nesta trova
Dando o que desejamos!

"Ano Novo, vida nova,"
Queríamos mui acreditar
Nesta abençoada boa-nova
P'ra viver sem hesitar!

Somos regidos de fé
E o mal há de ir prá cova!
Esperança é lema do Zé:
"Ano Novo, vida nova."

Haja o que houver a poesia
É alma que sempre renova
E faz com que haja harmonia!
"Ano Novo, vida nova!"

É a nossa felicidade
E também a melhor prova
De que temos boa-vontade,
"Ano Novo, vida nova!"

© Ró Mar | 12/2021

COMBINAÇÃO PERFEITA

 



COMBINAÇÃO PERFEITA


O amor e a amizade se combinam,
Como sendo um do outro complemento,
Apenas divergindo o sentimento,
À luz da isenção pura que os definam!

Só quando cada um esteja isento,
De int’resses materiais que os contaminam,
Se poderá dizer que vaticinam,
A mais pura união ou casamento!

Há nestes sentimentos tal nobreza,
Que outros não há contendo igual pureza,
Nos laços fraternais da humanidade!

Felizes os que os sentem e praticam,
Pois que são relações que sempre ficam,
Razões da verdadeira f’licidade!...

© J. M. Cabrita Neves | 12/2021

UM ANO DE DOIS MIL E VINTE E DOIS FELIZ




UM ANO DE DOIS MIL E VINTE E DOIS FELIZ


No limiar do Ano Novo, que se lime a aresta
Numa vertente produtiva e construtiva,
Que se saiba interagir, com dois dedos de testa,
Mãos de palmo e meio numa pose positiva!

Ansiamos o viver salubre e em comunhão,
Havemos de ser uma grã família e unida!
Porque temos sonhos, vontade e coração -
Abri-lo-emos p'ra dar e p'ra receber vida.

Acolhendo o perdão sarar-se-ia a cicatriz
Maior e pouco a pouco a humanidade serviam!
Pedimos pouco, que ninguém se sinta infeliz.

Desejamos p'ra nós e p'ra os que nos rodeiam
Um Ano de Dois Mil e Vinte e Dois Feliz,
Haja paz, saúde e amor, que todos os dias sorriam!

© Ró Mar | 12/2021

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

FELIZ ANO NOVO




FELIZ ANO NOVO


Ao terminar de um ano, outro começa,
Repetindo-se os sonhos e a esperança,
De que nos dias maus haja mudança,
Para que à f’licidade nada impeça!

De pedir mais, a gente não se cansa,
Acreditando embora não pareça,
Que o Universo faz com que aconteça,
O que na nossa mente enfim balança!

Mais tectos e amor aos sem abrigo!
Fazer de cada estranho um novo amigo!
E semear a paz no mundo em guerra…

Também mais atenção com os migrantes,
Que ao fugir da miséria morrem antes,
De chegar a bom termo a nova terra!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

"AO NOVO ANO QUE COMEÇA"




"AO NOVO ANO QUE COMEÇA"


Na mira de paz e união
E cansado de promessa
Entrego meu coração
"Ao novo ano que começa."

Que m' alentem a razão
De corpo, alma e cabeça
Para despontar paixão
"Ao novo ano que começa!"

Que haja alegria de viver
P'lo Planeta, que se teça
Esperança e bem querer
"Ao novo ano que começa!"

Tudo o que a nós interessa
É que s' acabe depressa
O mal e nada s' impeça
"Ao novo ano que começa."

© Ró Mar | 12/2021

É TEMPO




É TEMPO


Efémero é o que passa;
O que se regista é eterno!
A palavra por tão lassa,
Precisa dum bom caderno.

Cuidar é tarefa laboriosa;
As folhas também adoecem.
Amar os que padecem,
É preciosa ajuda, no curar!

Que se desbrave matagais!
Lenho em que se tropeça,
É demais e não interessa.
Depressa nos traz ais!

É tempo de novas canetas;
Alianças, interiorização;
Compromisso, promessas;
Reescrever um outro guião!

Por tudo isto, que é tanto,
Que o pranto seja remisso.
Nas linhas do entretanto;
A felicidade mostre serviço!

© RAADOMINGOS | 2021

O SILÊNCIO DA LAPINHA




O SILÊNCIO DA LAPINHA 


Um dia, após o nascimento do Salvador,
Caiu sobre a Lapinha um silêncio e um temor.

José sonhou que o mais tirano dos tiranos
Mataria as crianças menores de dois anos.

Espalharam o boato em toda a redondeza
Que viria o Herodes co´ a sua malvadeza.

Secaram as palavras nos progenitores
E o mesmo aconteceu na alma dos pastores.

Apenas um rugir dos carentes animais
E lá fora, na noite, o uivo dos chacais.

Houve troca de olhares em almas sem rebuços
Deixando revelar somente alguns soluços.

- “Que faremos sem paz, sem água e alimento?”
Segredaram os dois bloqueados em sofrimento.

- “Vamos fazer as trouxas, vamo-nos salvar
E partir muito antes de a aurora raiar”.

- “Temos cá um jumento e uma velha carroça
E venceremos a distância que é bem grossa".

E foi assim que se salvou, sem mais quezília,
Aquela que Deus fez como Sagrada Família.

Desta forma em silêncio foi José, aflito,
Levar Maria e o Menino até ao Egipto.

E por toda a Judeia o que é que aconteceu?
Chispou a fúria do Tirano debaixo do céu:

Milhares de criancinhas quebraram o silêncio
Bradando aos quatro ventos o seu grito imenso.

O silêncio salvou, o silêncio matou
E a Tirania, essa, aos poucos soçobrou.

Mas tudo o que é silêncio ademais denuncia
Que a distância entre o Mal e o Bem é fantasia…

O silêncio de agora é, porém, mais profundo
Pois que o Mal, em si mesmo, é que reina no mundo.

E não há uma palavra apenas que o trave
Neste mar de procela cada vez mais grave.

O ruído do mundo, volteando em Babel,
Assumira na Lapinha um silêncio de fel…

O silêncio eficaz que sempre se alcança,
Resulta duma fé, resulta duma esperança.

A luz desta Lapinha irradiou, num só verso,
O salvífico sonho de todo o Universo!

© Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA
 

domingo, 26 de dezembro de 2021

A MEIO DA VIDA




A MEIO DA VIDA


Vou percorrendo a vida e cada hora
Acrescento novo pranto à dor antiga;
Nasceu minha alma em jeito de mendiga,
Enquanto os outros folgam, ela chora.

Quantas vezes tropecei, caminho em fora,
E sempre me valeu a mão amiga
Do Deus que me acompanha e me fustiga
Na cruz duma amargura redentora.

E julgam-me feliz (ai, olhos baços!)
Porque me ouviram a cantar e a rir.
Manto de seda a esconder um trapo!

Ó Senhor da renúncia dos meus passos,
A Ti, ao menos posso não mentir
Vê, o meu coração é um farrapo.

© Frei Mário Branco

A VELHA FONTE




A VELHA FONTE


Olhei, corria fresca a água cristalina,
Na fonte onde recordo a infância com saudade,
Onde até na pobreza havia felicidade,
Onde até na carência a fome se combina…

Todo eu era inocência ainda em tenra idade,
Olhando ao meu redor que o verde predomina,
Nas searas de arroz a luz do sol s’ inclina,
A dourar as espigas cheias de vaidade!

Recordo os passarinhos de manhã em bando,
Poisavam sobre a seara mas eis senão quando
Para os afugentar lá estava alguém a ver…

Com os braços abertos, o velho espantalho,
Sem sequer se mexer la faz o seu trabalho,
Enquanto isso na fonte eu ouço a água a correr!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

A ESTRELA



  

A ESTRELA

 
A noite dos tempos desceu depressa
e tomou conta da linha do horizonte
cobriu mares, desertos e cada monte
escureceu fronteiras e toda travessa.

Uma estrela brilhou como promessa
com sua luz em forma de uma fonte
ligando o Céu e a Terra feito ponte
- e tinha a linda mensagem expressa.

Ela nos dizia - além de qualquer teoria -
que a partir dali haveria mais Harmonia
e nada mais (jamais) seria algo em vão!

Que uma doce criança estava a caminho
e nunca mais o ser humano seria sozinho
pois, um dia, Ela multiplicaria amor e pão.

© Silvia Regina Costa Lima

PASSOS DE LUZ




PASSOS DE LUZ


Vem caminhando em passos de luz
Aproximando-se a Festa Maior
Espera o mundo a vinda de Jesus
Já se ouvem cânticos em dó maior...

Lembra-se o presépio em tempos de outrora,
Em passos gigantes, em pés de cambraia
Pisando as estrelas no meio da aurora,
Os passos de luz vêm pela praia...

Cruzam-se as famílias em tom de festejo
O Deus Menino nasce com desejo
Há prendas, oferendas, assim, tão presentes!

Os passos de luz, iluminam janelas
Piscam as luzes como sentinelas!
Nas ruas e ruelas já intermitentes...

© Maria Graciete Felizardo | 12/2021

Chove. É dia de Natal.




Chove. É dia de Natal.


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

© Fernando Pessoa

PRESÉPIO - DE - DOR




PRESÉPIO - DE - DOR 


No mundo cego de engano
O choro de Deus-criança
Em seu Natal franciscano,
Traz a beleza da paz
E a vida eterna a quem jaz
Sem uma luz de esperança!

Mote: Miguel Cadavadas

*
 
Com esta triste cegueira
Sofre a Criança-de-Deus
Co´ a cabeça numa esteira,
Nunca dá sossego ao sono
Pois vive só e sem dono
Sob o rebrilho dos Céus!

É esta Criança, Senhor,
Não tem comida nem luz
Neste Presépio-de-dor,
Sem sonhos e sem destino
E gémea de Deus-Menino
Qu´ em manjedoira reluz!

Triste Lapinha, animais
Ao calor dum bafo magia
Nos mais íntimos sinais,
Presépio de Gréccio sentido
Por Il Poverelo vivido
Singela e alegre harmonia!

Sem uma luz de esperança
Neste horizonte sem fim
Que mundo há, que confiança
Num clarão de madrugada
Passos vazios na estrada
Criança, qual flor de jardim?

© Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA
 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

FELIZ NATAL




FELIZ NATAL


Desejamos a todos Bom Natal
E também um Bom Ano que ora chega,
Mensagens que o Destino se encarrega,
De torcer pra o Bem ou para o Mal…

Se bem que nos desejos se delega,
Uma intenção sincera e fraternal,
Com um sentido abraço universal,
Onde o puro de nós se faz entrega!

Faz-nos bem esta paz feita desejos,
Esta troca de abraços e de beijos,
Este intenso vibrar tradicional!

Porém a pandemia é uma lança,
Que sobre todos nós paira e avança,
Quebrando o nosso afecto emocional!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021

COISAS SIMPLES




COISAS


Na frescura de um beijo
em face onde o rubor
gravou na alma ensejo
de paz; felicidade; amor!

E na porta da entrada
aquele abraço apertado,
deixou na alma gravada
a calor mais desejado.

Não porque seja Natal,
uma noite com a magia
do aconchego familiar.

Talvez, o poder recordar,
do quão grande é a alegria
das coisas simples, afinal...

© António Fernandes | 2021

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

CORAÇÃO DE NATAL




CORAÇÃO DE NATAL 


Há um Natal dentro de mim
Numa música de emoção
Tem um aroma de alecrim
E a forma de um coração.

Este mundo é uma floresta
Muitas plantas, pouco jardim,
Todo eu me exulto em festa,
Há um Natal dentro de mim.

Cantam as aves em harmonia,
Cantam os anjos uma canção,
Em meu redor só há alegria
Numa música de emoção.

Há misérias no horizonte,
Há ruídos e banal chinfrim,
E este Natal na minha fronte
Tem um aroma de alecrim.

Há muitos natais à porfia
Com fantasias de ilusão
O meu, porém, só tem magia
E a forma de um Coração.

O meu Coração de Natal
Tem raízes em todo o mundo
É um Coração de cristal
Regado de amor profundo.

Está deitado na manjedoura
Nas palhinhas de Nazaré
Descansa lá a toda a hora
Aos pés de Maria e José.

Dorme meu Coração dourado
Na simples gruta de Belém
Ao som de um canto sagrado,
Pra minha harmonia e meu Bem.

Não é um Coração qualquer
Mas é um coração Divino,
Nascido de Maria mulher
Na condição de um Deus Menino.

Não sou Monge, vivo acordado
Numa paixão da Liberdade,
Há sempre um Natal encantado
Em cada hora e em cada idade!

© Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA
 

SEM FRONTEIRAS




SEM FRONTEIRAS


Junto aos rios de Babilónia
Junto aos rios do mundo inteiro
Deus me disse, sem cerimónia,
Um homem nunca é estrangeiro!

Eu olhei para o céu azul
Que enche de luz a terra inteira
E desde o Norte até ao Sul
Eu nele não achei fronteira.

Eu olhei para o vasto mar
Até à praia derradeira
E nele não pude encontrar
Algum traço como fronteira.

Olhei o buliçoso vento
A percorrer a terra inteira
Sem encontrar impedimento
Nem obstáculo nem fronteira.

Vi também a florir as rosas
Não querendo saber de fronteiras
Vi-as igualmente formosas
Sem se sentirem estrangeiras.

Vi as aves livres a voar
Sobre todos os continentes
Vi-as partir, vi-as voltar,
Às fronteiras indiferentes.

As fronteiras não são divinas
E por isso Deus as não quer
Deus só quer gentes peregrinas
Por tudo o que é lado a viver.

Os homens são todos Irmãos
Por isso não são estrangeiros
E, muito mais que cidadãos,
São filhos de Deus verdadeiros.

Religiões, raças e línguas,
Não fazem ninguém estrangeiro
Os homens, co´ as próprias mínguas,
São cidadãos do mundo inteiro.

Junto aos rios de Babilónia
Junto aos rios do mundo inteiro
Deus me disse, sem cerimónia,
Um homem nunca é estrangeiro!

© Frei Adelino Pereira
In DIÁRIO POÉTICO

O PRESÉPIO ILUMINADO




O PRESÉPIO ILUMINADO


O presépio iluminado
Tem o musgo esverdeado
Tapizando a manjedoura
Onde se coloca o amado
Menino em palha loura;

José, o anjo imaculado,
Maria e o burro a seu lado,
A vaquinha, a espalhadoura,
Simples Natal e adorado
Por todos, os bens de lavoura.

O estábulo estrelado
Na noite fria, aconchegado
Pela estrela de Belém,
Anuncia o recém chegado,
Vem salvar o que convém;

Celebra-se tão reinado
Humilde e super dotado
De esperança, que advém
Dum espírito louvado;
Construiu-se o maior bem;

O presépio iluminado
Tem vida e arte; elaborado
Por mãos de sentimento,
Que dão ao Natal agrado,
Coração e acolhimento.

© Ró Mar | 2021

domingo, 19 de dezembro de 2021

PANÓPLIA DE EMOÇÕES




PANÓPLIA DE EMOÇÕES


Se a vida correr mal não te lamentes,
Virão, poderás crer, dias melhores!
Por entre ervas daninhas nascem flores,
Que alegram os caminhos decadentes!

A manchar a alegria há dissabores,
Como um aniversário sem presentes,
Quiçá ter numa festa sons silentes,
Ou a certos vilões chamar de amores…

É pois nesta panóplia de emoções,
Que andamos para aqui aos trambolhões,
Ao sabor turbulento das marés!

Mas é na incerteza do amanhã,
Que há mais sabor, mais gozo, mais elã,
Porque a vida é um mar de lés-a-lés!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021

A GUIRLANDA DE NATAL


Ilustração: Desenhos Gelados da Vanessinha


A GUIRLANDA
DE NATAL


Como já é uma tradição as guirlandas colocadas nas porta dão as boas vindas ao Natal, sempre escolhendo elementos, que fazem parte dessa época e são representados com muita criatividade e talento.

© Noeli de Carvalho

sábado, 18 de dezembro de 2021

"LUZ NO FUNDO DO TÚNEL"!




"LUZ NO FUNDO DO TÚNEL"!


Faltam poucos dias para o dia de Natal
E nós cansados de os contar e de esperar
Pela "Estrela"! Não há meio de acabar
A lenga-lenga: "Luz no fundo do túnel"!

P'ra muitos o mais certo é não haver Natal
Porque o bom viver não se dá pra todos,
Apesar de Cristo ser o pai de todos,
Muitos são os que não sentem o Natal!

Muitos são os que ficam sem Natal
Porque os homens não sabem dividir,
Aprenderam a produzir sem construir
O bem-estar de todos, o que é normal!

Por todo o mundo há alegria e tristeza
E o que se queria era mais riqueza
Humana para contrabalançar
Os sentimentos e poder-se confiar!

Este ano não é muito diferente, o Natal,
Dos outros, é um dia triste porque é pobre,
Pois, ainda há quem não saiba ser nobre
E comtemplar o vero espirito de Natal!

É um dia triste, o mundo está a desabar,
Não é normal e não tem como ficar
Diferente, falta a vontade de adorar
Jesus, que está cansado de os ensinar!

E nós de não ver "Luz no fundo do túnel"!

© Ró Mar | 18/12/2021

ROSÁRIO

 


ROSÁRIO


A vida é um rosário e uma reza
Nas horas que demarcam a existência;
Nela se casam sombra e refulgência,
Momentos de alegria e de tristeza.

Feliz de quem se apoia na certeza
E mais do que na certeza, na evidência
Da fé que ilumina a consciência
Da sublime e humana natureza.

E êxitos e fracassos se sucedem!
A fé atrai em graças que se pedem
Porque Deus ouve sempre a nossa voz:

O rosário remata-se na Cruz
E nela se recorda que Jesus
Ressuscitou e vive ao pé de nós.

© Frei Mário Branco
In SONETOS

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

VIRGEM MARIA



 

VIRGEM MARIA


Aquilo que tinha doou;
Coisa alguma foi encenado.
Tudo foi por Graça dado,
O que a vida lhe ofertou!
Se Deus quis e lho enviou,
Lá o fez sua maneira
E pela voz mensageira,
Do Anjo da Anunciação;
Soube ser sua intenção
Ser a escolhida, primeira!

© RAADOMINGOS | 2021

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

HUMANIDADE


Autores: Armindo Loureiro, Ró Mar e RAADOMINGOS




"Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco.
Necessitamos mais de humildade que de máquinas.
Mais de bondade e ternura que de inteligência.
Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá."

Charles Chaplin

*

A PRETO E BRANCO


I

O mundo avança desalmadamente,
O progresso robotiza, como louco,
O ser humano, quotidianamente!
Ah, que correria desenfreada, pouco
Se ganha! O desgaste (inconscientemente),
A labuta infindável e tampouco
O reconhecimento (infelizmente)!
Hoje, os sentimentos somam pouco,
"Pensamos demasiadamente
E sentimos muito pouco."

II

Privilegiemos os bens essenciais
E preservemos as cinco quinas,
Nosso planeta e tantos outros mais
Apreendendo todas as disciplinas
Com um certo gosto e atitudes reais!
E, se houver pão e clementinas
Demos graças por tal feito e jamais
Cobicemos! Orgulhemo-nos dos ardinas,
A preto e branco! "Necessitamos mais
De humildade que de máquinas."

III

É preciso salvar a humanidade!
Sejamos veículos de consciência,
Bons observadores e com equidade!
Acompanhar o que nos rodeia,
Saber ouvir, entender a adversidade
De forma positiva! E, a vida clareia
Num simples gesto de solidariedade,
Sem ser necessário fomentar a ideia!
Pois, urgimos "mais de bondade
E ternura que de inteligência."

IV

Encontremo-nos aqui e acolá,
Com toda a simplicidade, num sofá
Deleitemos a amizade e haverá alegria
Em toda a boa ação! Fazer companhia
A nós e ao que connosco estará,
Porque sim, não porque se ganhará!
Que se saiba viver em harmonia,
Buscando a paz a cada dia!
"Sem isso, a vida se tornará
Violenta e tudo se perderá."

© Ró Mar 

*

VIOLÊNCIAS PESSOAIS...


Numa vida violenta tudo se perde
Mesmo que a vida nada valha
Pelo menos para ti, tu cede
E não faças nada ao calha

Há determinados pensamentos
Que colhem por vezes a alegria
Do que se passou por momentos
Num momento de tanta magia

Relembra o quão feliz é um ser
Que vive a bondade por inteiro
Se um dia vieres a colher prazer
Lembra-te dum momento tão porreiro

Retira de ti certas ilações
Da vida que já viveste
E dá de ti muitas paixões
Aos temas que por aqui leste

Não queiras perder a virtude
Que deve para sempre existir
Há que colher em nós amiúde
A beleza do ser no seu sentir

"Mais de bondade e ternura que de inteligência"
É o que entendo desta vivência pessoal
Por determinadas coisas tenho apetência
Que a nossa vida seja o mais especial

© Armindo Loureiro 

*

DEPENDE DE TI


Diz-me Homem, conta tu
Porque te vestes assim,
Se nasceste literalmente nu?

Que alheamento ou que confim
Te leva a cobrir do que não interessa;
Se te faz um ser mesquinho e ruim?

Descarta a maldade que te acesa;
É feita de roupa que o corpo não precisa;
O que enraíza não se arranca tão depressa!

A benevolência é de todo a melhor camisa;
Brancura em cama de lençóis de pura seda;
Leveza que adentra na mais suave brisa!

Prepara o leito sem que alguém te impeça;
No caudal do rio que no mar se cruza;
Acede às margens onde a foz tropeça...

Inunda-te; da braçada usa e abusa;
O navegar só de ti dependerá;
Permite que essa extensão te seduza!

"Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá."

© RAADOMINGOS

*

JÁ O SENTI


Desprende o que te enobrece,
Pra que veja esse sorriso;
Sem que te faça uma prece.

Mas se for mesmo preciso,
Pra ver o que ainda não vi;
Farei o pedido em juízo.

Mas sinto; eu já o vivi;
Creio não ter que pedir;
Sei-o belo, vindo de ti...!

Não te consigo mentir;
Li o vezes em entrelinhas...
Foi marcante esse sentir!

S' acaso ideias minhas...
Não interessa. Fora intenso!
Sou eu que registo essas linhas...

O coração é propenso;
Peço que não o julguem louco
Por deixar aqui o que penso:

"Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco."

© RAADOMINGOS


Sonetos do Universo | 2021

O E L É T R I C O V I N T E E O I T O


Foto de Ró Mar 


O  E L É T R I C O  V I N T E  E  O I T O


O "Amarelo" é inteligente e passeia pelos típicos bairros lisboetas.

E létrico, que data de 1911, tem alma alfacinha e o dom
L ivre e destemido dum vento soalheiro na dobra do mar português.
É mais do que transporte, o ponto de encontro com a cultura portuguesa -
T elas, paisagem, gastronomia, artesanato, tudo num ecossistema fantástico;
R ei de carris, que nos coroa de boas sensações, trajeto invejável,
I nigualável, por isso, afamado internacionalmente!
C omo pode alguém visitar Lisboa e não andar nele?
O "Vinte e Oito" - mirabolante e secular das sete colinas!

V iajem lúdica dos Prazeres ao Martim Moniz,
I tenerário turístico que dá a conhecer o melhor da cidade.
N uma visita histórica a paisagem tem mais significado,
T odas as zonas de paragem têm tradição e encanto, especialmente a
E strela e a Basílica. O elétrico que proporciona conhecer o foco da Capital.

E stonteante travessia! De Campo de Ourique, por S. Bento ao Adamastor em Santa Catarina!

O Camões, o Chiado da brasileira, a Sé Catedral, o Limoeiro, as Portas do Sol e Santa Luzia
I maginando a Graça de Sophia de Mello Breyner beijando o mar -
T êm o Tejo para sempre! O oceânico sentimento - Sal de Portugal!
O passeio de "Vinte e Oito" a recordar e a continuidade a (de) pé pela encosta até ao Castelo!

© Ró Mar | 2021

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

DONOS DO MUNDO




DONOS DO MUNDO


Sou bem intencionado e gosto disso!
Dá-me prazer ser bom mas parvo não!
Se tentam abusar ponho um travão,
Pois serei pela paz mas não submisso…

Com bom senso e cabal compreensão,
Em que nunca o respeito seja omisso,
Não haverá razões pra reboliço,
Nem motivos p’rá minha indignação!

Não suporto as pessoas que se arvoram,
Donas do mundo e mais que outro qualquer,
Com o seu inchado ego aonde moram!

Pessoas simples, sim, me dão prazer,
Na bonita humildade que incorporam,
Dando sábias lições de bom viver!...

© J. M. Cabrita Neves | 2021