quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A QUADRA DE NATAL É ÉPOCA MÁGICA




A QUADRA DE NATAL É ÉPOCA MÁGICA


I

A quadra de Natal é época mágica, 
Onde há luz e cor em toda a humanidade 
As árvores vestem uma imagética 
Que aviva a natureza com luminosidade.

Celebra-se em família, o nascimento, 
Onde há harmonia, amor e felicidade 
Pelo Menino Jesus que nasceu bento 
No mais belo presépio de simplicidade. 

O verde musgo, que inventa a pastagem, 
Onde surge os três réis magos que trazem 
Ao reino mirra, incenso, ouro e alegria. 

À volta do presépio as crianças brincam,
No mais belo cenário, baloiçando o coração
Às baladas da noite tocam sinos de poesia.

II

Às baladas da noite tocam sinos de poesia,
Data que nasceu Cristo, diz na lenda que o Galo 
Foi o primeiro animal a presenteá-lo, 
Gente na Igreja para "Missa do Galo". A magia

Do Pai de Natal, mais velho não desce a chaminé 
Mas quer estar presente em todos os lares, até
Tarde, contemplando o Natal de dia feriado,
Mais que motivo para ter a família ao lado.

Na noite de consoada há peru, rabanadas,
Bolo rei e outros, que deixam as mesas enfeitadas
Para o dia de Natal, quanta fartura!

O Natal é em qualquer lugar até pelas ruas,
Onde reina o frio, há bacalhau sem espinhas
E com todos, broa, tinto e mantas com largura!

III

E com todos, broa, tinto e mantas com largura,
A noite é de alegria que dá esperança ao planeta!
Nasceu o Salvador, pois, que haja nova estrutura
Pró que labuta sol a sol e não vê cheta!

Eis, a hora de contemplar a vida, 
Com toda a animação pela noite fora,
Vivendo o espírito natalício, de mão dada
E de coração aberto como quem namora!

Natal, é união e amor para com o próximo,
Devia ser dividido pelos dias ao máximo
E ser presente ao novo ano com vida e poesia.

Em sintonia, onde há estrelas luzindo a noite
E sol beijando a lua. Triste, menina da noite
Que é tanto quanto as outras e não tem família!

IV

Que é tanto quanto as outras e não tem família,
Teto pouco tem e a comida é o que vem,
De brinquedos nem fala, pensa noutra mobília
Que ilustre o dia! Ainda assim, esperança tem

Que regala o olho e pede ao pé descalço o Pai Natal:
Uns pais bonitos, como os que vê por aí passeando,
E ainda mais, umas gomas, que não caiam mal.
A noite vem e sobe a estrela ao céu e ela olhando

As casas luzidias e de cheirinho,
O azevinho, murmurando: quem têm pais 
Tem tudo! E, adormece o pinheirinho.

É noite de Natal e pela manhã há Natal!
Não há sonhos, mas, há outras coisas mais
Colorindo ruas, alguns agasalhos pró Carnaval!

V

Colorindo ruas, alguns agasalhos pró Carnaval,
O sol já vai alto, há comidas outras
E do bolo rei a fava para dar ar de Natal,
O seu jardim lotado de meninas loiras,

Onde há brincadeira e mui alegria!
É o grandioso dia, onde se juntam meninos
E outros, primos, amigos partilhando sabedoria
Entre si, de um Natal com todos os mimos.

Há solidão estampada pelo jardim,
Que poucos reparam, os que enxergam nada 
Têm para dar, ainda assim, têm o sorriso querubim,

Que sempre estrela os olhos e dá calor
Espalhando o Natal pelo verdadeiro amor,
Coração que é lágrima na hora da despedida.

VI

Coração que é lágrima na hora da despedida
Ao abençoado dia pelo nosso Menino Jesus,
Que ao mundo veio honrar a lei da vida,
Perdoando os pecadores que o levam à cruz.

Eis, uma salvação para a humanidade,
Mensagem natalícia que devia perpetuar
Pelo tempo como lei maior e humilde
Na sua prática para o universo amar.

Somos filhos de Deus, há sempre um irmão,
Abracemos o nosso semelhante,
Não só enquanto Natal, ou hora de oração!

A vida que é passagem, porquê não ser vivida
Por todos e para todos em constante 
Estrela guia premiando natureza abençoada!

VII

Estrela guia premiando natureza abençoada,
A luz lá bem ao cimo do pinheiro,
Porque é Natal em todo o mundo, alvorada
De bolas coloridas espelhadas em dia caseiro.

A quadra natalícia que tem o Dezembro 
Na azáfama de eventos e vislumbre de montras,
Tantas compras e há-de esquecer algum membro
Que vê na árvore o atrapalhado sem fitas!

À ceia não falta o tradicional bacalhau, 
As couves, o peru, as rabanadas, o fruto, 
Da época, mui doçuras e o bolo rei crucial.

À mesa portuguesa pão e vinho de atributo,
Tudo é escolhido a dedo para ser memorável,
Há calor para além do da lareira e mais afável.

VIII

Há calor para além do da lareira e mais afável,
Que aquece o Dezembro e faz dele especial -
O humano - que afirma o laçarote sociável
Num ato carinhoso, solidário, porque é Natal.

Tudo é sentido como Natal, de bom grado,
Vale a pena viver a época com intensidade,
Lembrando sempre que há outro mundo
Que nada tem, porque é felicidade.

O Natal é um tempo, de amor, paz e união
Que se vive de plena harmonia 
Com a consciência e um bom coração.

Há magia, vale a pena estender ao novo ano
O encanto, semeando entrelinhas de poesia,
Que vai chegar a todo o ser humano.

IX

Que vai chegar a todo o ser humano
Porque somos Natal todo ano!
É esse o espírito que devemos criar
Para que o mundo possa sempre amar.

A família reunida, em torno de uma tradição, 
A celebração do nascimento do Salvador,
O centro do universo, que vê amor
Em todos, o que escrevo de alma e coração.

Ah, que meu verso dê todo sentido à secular
Quadra trazendo muita alegria à humanidade 
Hoje e sempre e pela lágrima saudade!

Ah, sonho o mundo, que desejo meu e teu,
Que o Pai de Natal não conseguirá carregar,
Ainda assim, sonho o mundo meu e teu!

X

Ainda assim, sonho o mundo meu e teu,
Tenho esperança, há que reaprender a acreditar
Na longa barba do Pai de Natal, que eu
E tu à chaminé víamos, num enorme dar.

Alegria que havia e há sempre que, se acreditar
Na magia do tempo e no efeito que a gente tem
Quando pensa plural no Natal, viver a dar
Mão pela mão dedilhando o verso do bem.

Neste meu ver celebro o nascimento do Menino,
Presenteando-o com o que há de mais sagrado,
Não lhe dou mirra, incenso ou ouro este ano;

Dou uma porção de amor, a partilhar ao mundo,
Que baste para solidificar laços e firmar a paz,
Todos queremos, eu trago em meu cabaz.

XI

Todos queremos, eu trago em meu cabaz
Para dar a todos de coração: saúde,
Prosperidade, amor, alegria, paz,
Esperança, amizade - felicidade.

Que meu desejo assim se concretize aqui
Para que possamos ainda desfrutar 
A maravilha que é viver! Foi tudo o que pedi,
Pró Natal, pois, desejo muito amar.

Que as crianças cresçam, num mundo são,
Com o direito de serem meninos de ninho,
 A brincar e viver o Natal com sapatinho;

A mão cheia de doçuras e beijinho
Sempre, a vida não é só um dia (vinte cinco), não,
A vida é dias a fio, todos precisam de carinho.

XII

A vida é dias a fio, todos precisam de carinho
Principalmente os que nada resta de uma tragédia; 
A vida às vezes prega as suas partidas, ficar sozinho,
E velho para reerguer o que desfez um dia.

Ah, Cristo alumiai este reino para que haja solução
Para as gentes que andam no mundo sem norte,
Que jamais é Natal, partiu com o coração
De uma vida a trabalho e sem sorte!

Que haja justiça por uma lei que abarque todos
Que todos sejam gente de dever e direito
Para que a balança equilibre os pesos todos.

Que o espírito de Natal entre pelo ano
Novo, e com vontade para ficar ao peito,
Com firmeza para dar um mundo sano.

XIII

Com firmeza para dar um mundo sano
Cantam vozes "Natal" a canção mais linda
Que a história tem e que é mui bem-vinda
No tempo e especialmente este ano,

Ano de seca que pressagia mau tempo.
Cristo traz chuva e nela pouca tempestade,
Para sentir-mos prazer no nosso tempo,
 Água e alimento em boa quantidade.

Os três réis magos, Melchior, Gaspar, Baltasar,
Enviaram mensagem a dizer que vêm a caminho,
À luz da estrela chegarão cedinho

Ao casebre de onde estão José ao lado
De Maria e do berço de palha acolchoado
 Que a vinte cinco vai ter o Menino no lugar.

XIV

 Que a vinte cinco vai ter o Menino no lugar,
Tudo encaminhando pró Natal
Pelo mundo e também em Portugal,
Tudo a compor, pois, Jesus está em todo lugar.

Todos hão-de ter um presente por instinto,
Poema que escrevo em letra serena,
Não porque é Natal, mas, porque o sinto
De alma e coração e em cor morena.

Divino o que tenho à mão, certamente
 Romã, de uma era de toda a semente,
Que vou articulando uma a uma para dar

À quadra natalícia o dom de amar
De alma e coração tal meu sentimento.
Grata sou por ter no caminho tão belo momento.

XV

Grata sou por ter no caminho tão belo momento
Que me navega por mares jamais pensados
E traz outras histórias do acontecimento
Memorável e gente de mundos desejados.

Assim escrevo de vós e para vós a canção 
"Natal", que reinará em todos os lares,
Brindando a um ano novo de ascensão,
Singela flor - estrela dos amores

Iluminando, o meu/ vosso canto, adorando 
O Menino Jesus que, em manjedoura nasceu,
De sina em cruz, viveu para salvar o mundo.

Ah, poderá haver situação mais trágica, 
(Humilhação/ violência) que a que Deus viveu!
A quadra de Natal é época mágica.

© Ró Mar

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PRESÉPIOS DA VIDA




PRESÉPIOS DA VIDA 


Eu fiz um belo presépio
Cá muito dentro de mim
Ele não é frio nem tépido
Mas é rubro de carmesim.

Tem um menino trigueiro,
Tem Maria e tem José,
Tem aconchego e braseiro
Com animais ali ao pé.

Três corações que palpitam
P´ los traumas que a vida tem
E os animais que meditam
Naquele Presépio de Belém. 

E há corações tresmalhados 
Nos meandros tristes do mundo,
Quais presépios ficcionados
Com falta de senso profundo. 

Ele há presépios, de facto,
Nos quatro cantos da terra
Bailando em fado abstracto 
Por entre a paz e a guerra.

Presépios de encantos vazios
Sem conteúdo e à deriva
Que não são quentes nem frios
Nem têm norma que sirva. 

Presépios, feitos de aposta
Ao sol, à chuva e ao vento,
Subindo e descendo a encosta
Sem fazer contas ao tempo.

Presépios – rios de sangue – 
De altas e baixas marés,
Vertem pela alma exangue
Um espírito de insensatez. 

Presépios férreos de cor 
Com falta de paciência
Num oxidado torpor 
Sem culpa nem penitência.

Presépios, telhados de vidro,
Estilhaços de presunção,
Passos de um cego perdido
Em busca de orientação. 

Presépios em desmazelo
Com selvas em toda a volta,
Ervas daninhas e gelo,
Com turvas águas à solta. 

Presépios feitos de ócios
E sermões encomendados,
Cordas de forca-negócios
De penhoras e mercados. 

Presépios de fogo-vadio
Sem destino ou intenção
Que não aguentam feitio
Muito menos sujeição.

Presépios sem temperança,
Tão doces como amargos,
À sombra de birras-criança
Sem projectos nem encargos. 

Presépios sem rumo certo,
Nem uma estrela brilhante,
Travessia de um deserto
Sem colorido ou cambiante. 

Presépios de fim-de-festa
Portas fictícias de Natal
No fundo ninguém contesta
Porque já é tão natural… 

Há mais “presépios da vida”
Que não têm Vida, porém,
São panaceia acrescida
E não enriquecem ninguém!

Frassino Machado
In ODIRONIAS

terça-feira, 14 de novembro de 2017

... RENOVAR O MODO DE VIDA


Imagem - SAi$ONS 


... RENOVAR O MODO DE VIDA


Agitam-se as vontades através da tempestade 
De um outono tumultuoso de pouco vento,
Pouca chuva, muito seco e sem dó, nem piedade
E esta nossa estação medra a verdade do momento.

Verdade que espanta os pardacentos trigais
De um campo devassado e adorna as pedras,
Empilhadas (em prol de inovadora cidade), em floridos arrais
De muita monta que remonta ao tempo das esperas.

Agitam-se as colinas através da intrusa velocidade
De uma avassaladora locomotora, paranormal,
E o céu bebe o ocre outono e transparece a realidade
Que tem ar de querer gente de bem, simples e normal.

Gente de bem, simples e normal que labute pela vida,
Que o outono tumultuoso levou em seu regaço,
E agora, que o tempo é a favor e há mais espaço,
Não dê outra razão a não ser renovar o modo de vida.

© Ró Mar

VIELAS DE ESPERANÇA !!!...




" VIELAS DE ESPERANÇA !!!..."


Cai a noite na viela;
Surge um rosto... na janela,
P´la vidraça partida!...
Será um velho ou criança,
Desilusão ou esperança;
Ou dois sentidos de vida!...

Rostos perdidos no escuro;
Marcados com traço duro,
Com cinzel de amargura!...
Seus olhos tristes vazios,
Como aço duro,... frios;
Almas, que algo tortura!...

Olhos tristes sem expressão;
Retratando um coração,
Que sofre em silencio e chora!...
Viela escura... escondida,
Onde a fome e miséria é vida,
E a desgraça... sempre mora!...

Viela triste... abandonada;
Uma ténue luz apagada...
Algo esperando p´la morte!...
A esperança porém existe;
Com fé e força resiste,
Esperando um sopro de sorte!...

António J. A. Cláudio

domingo, 12 de novembro de 2017

... AS CASTANHAS DE SEU POUCO VINTÉM!




... AS CASTANHAS DE SEU POUCO VINTÉM!


A cidade animada, num dia frio abastava
A castanha dourada, que revirava 
O olho ao pobre coitado que a avistava,
Havia gente que às quarenta comprava!

A dúzia a dois euros e cinquenta cêntimos,
Uma ninharia para quem tem algibeira que abunda,
O pobre coitado, tinha-a rota pelo uso de vida
E, pediu meia dúzia, tinha os tostões contados!

A vendedeira pede um euro e cinquenta para as levar
E ele diz que só quer meia dúzia e estende a mão 
Com um euro e vinte cinco e ela tira uma do pacotão
E diz-lhe que (um euro e cinquenta) é para o troco facilitar!

O sujeito diz que trazia trocado e agradece de bom grado.
Pois, a vida é mesmo assim, uns têm o que outros não têm!
Ele tinha dignidade e educação e foi-se, carregando o fardo
Alegre, comendo as castanhas de seu pouco vintém!

© Ró Mar