domingo, 20 de maio de 2018

SETÚBAL – POUCO BOCAGE PRA TANTA POESIA


Casa da Baía – Centro de Promoção Turística – Setúbal


SETÚBAL – POUCO BOCAGE 

PRA TANTA POESIA


Setúbal, capital da nobre Poesia?
Não, não! Poesia não tem capital
Pois, pela própria essência, ela é universal
E o que passar além é pura fantasia… 

Há, sim, nesta cidade como por magia
Vivência colectiva, rica e original,
Que atrai muitos poetas, o que é natural
P´la sua própria dinâmica e empatia.

Apenas um “senão”, o que é preocupante,
Setúbal, pouco Bocage pra tanta poesia…
E este Vate, que dela fez apologia,
Merecia uma homenagem mais estimulante.

Sim, é na correnteza da excelsa linguagem
Que mora toda e qualquer motivação
Pois, como diz o povo, e com toda a razão,
“Vê-se pela aragem quem vai na carruagem!”

É certo que Bocage honrava a Liberdade
Mas não é honra que dele s´esqueça a cidade!

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA

sábado, 19 de maio de 2018

TRAGO EM MIM UM UNIVERSO DIFERENTE


Imagem - Silent WHisPer,s


TRAGO EM MIM UM UNIVERSO DIFERENTE


Trago em mim um universo diferente,
Sim diferente, vida de outra gente,
Que nem meus olhos alcançam presentemente,
Ainda assim quero tê-la em toda a mente.

O que a gente têm comum é céu aberto
Idêntico, sim idêntico, a tantos outros, 
Vemos de olhos fechados, o ponto
De luz onde cruzam caminhos de uns e outros.

O que me é diferente e também idêntico, 
Sim diferente e idêntico, é o escrito sagrado
Que se os olhos lessem seria fantástico,
Plantio de amor e sobretudo paz pelo mundo.

O que me é idêntico e também diferente,
Sim idêntico e diferente, é a natureza 
Que se os olhos falassem diriam com certeza:
Trago em mim um universo diferente.

© Ró Mar

sábado, 12 de maio de 2018

FADO VELHO É... SEMPRE NOVO !!!...




FADO VELHO É... SEMPRE NOVO !!!...


O velho fado morreu!...
Era popular e bairrista;
Muito atropelo sofreu,...
Para agradar ao turista!...
Fado a canção Nacional;
Corre no Mundo inteiro,
Porém só em Portugal,
É típico... é verdadeiro!...
Soam guitarras trinando;
Com arte dum guitarrista...
No silêncio a voz soando,
Da garganta dum fadista!...
O fado típico é do povo;
Mesmo erudito ou calão!...
Fado antigo é sempre novo,
Liga a alma... ao coração!...
Fado moderno... actual;
Não rejeito... podem crer!...
Porque Fado... é Portugal,
Vai mudando ao renascer!...

António J. A. Cláudio 

terça-feira, 8 de maio de 2018

AS VOZES DA CAPITAL




AS VOZES DA CAPITAL 


“Na semana de todos os festivais”


Ouvem-se as vozes de Lisboa,
Ouvem-se os fados e os cantos,
Toda a alma da cidade entoa
Trovas de Maio e seus encantos.

Em cada bairro canta o povo,
Cantam vozes duma cigarra,
Cada tema sai sempre novo
Na voz de viola ou de guitarra.

Canta a moça namoradeira
Canta pela rua o cauteleiro
Canta na praça a vendedeira
E o marialva o dia inteiro.

Canta a gaivota à beira-tejo
E o cacilheiro, além no rio,
Cantam deputados em cortejo
Suas charadas ao desvario. 

Cantam sem-abrigos indigentes 
Cantam polícias generosos 
Cantam banqueiros prepotentes
E arrumadores presunçosos.

Canta o trânsito de sul a norte
Cantam os fadistas toda a noite
Cantam turistas à boa sorte
E os hoteleiros sem pernoite.

Cantam elevadores d´alto a baixo,
Subindo ou descendo a ladeira,
Cantam os metros por debaixo 
E os eléctricos na chiadeira. 

Cantam os camones pelo Chiado
Cantam curiosos pela Avenida
Canta o Marquês afunilado
E os pobres fazendo p´ la vida. 

Canta a bola sobre o relvado
E as torcidas pela bancada
Canta o agiota empertigado
Nos negócios do tudo ou nada.

Cantam feirantes embalados
Cantam agentes comerciais,
Cantam os “média” enfatuados
Com promessas de festivais.

Cantam vocalistas ciumentos
Com baladas de banda em banda
Cantam fregueses d´ instrumentos
E publicistas em sarabanda.

Ouvem-se modas de rua em rua
E cantilenas bem estranhas,
Cada aedo, co´ a voz, insinua
Outro canto desafinado.

Canta o vento de voz primeira
Rodopiando no Cristo Rei
Canta a brisa madrugadeira
Nos veleiros da lusa Grei.

Cantam pardais por todo o lado
Em sinfonias de tempo ameno
Cantam os arautos de mau fado
Nas touradas do Campo Pequeno.

Cantam na Sé os sinos e o órgão
E os maestros com seus coristas
Cantam flores de mão em mão
Na voz ingénua das floristas.

Cantam viaturas e comboios
Lá para as bandas do Oriente
Cantam forasteiros e apoios
Co´ a candonga pra toda a gente. 

Cantam nomes de concorrentes
Com apostas aliciantes
Cantam as letras recorrentes
Com polémicas discordantes. 

Toda a Europa é grande, por certo,
Mas encaixa bem em Lisboa
Muitos cantos, um só concerto
E um só canto, cara ou coroa.

Ouvem-se na Baixa os festivais
Em anúncios de Eurovisão
Todos marcham com seus arrais 
Cantando a Festa da Emoção.

E nestas vozes da Capital
Com o seu timbrado profundo
Cantam as vozes de Portugal
Desde Lisboa para o Mundo!

Frassino Machado
In TROVAS DO QUOTIDIANO

UM FADISTA




UM FADISTA


No fado da vida
Um idoso fadista 
Numa ruela perdida
Dormia um artista

No esplendor perdido
Um destino de desgraça 
Numa vida sem sentido
Fazendo dó a quem passa

No anoitecer tristonho
Um futuro sem sonho 
Numa carreira destruída
Apenas agarrado à bebida

Tirei minha guitarra da sacola
E toquei algumas notas sonantes
Ele agarrou tremulo sua viola
E cantarolou por uns instantes 

Parecia a voz de um anjo
Seu olhar encheu-se de alegria
Como se descesse do céu um arcanjo
Para cantar esta singela poesia

Paulo Gomes