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domingo, 21 de junho de 2020

A VONTADE DO CORAÇÃO



“Glosando Almada Negreiros”

MOTE - “TODA A NOSSA FELICIDADE
ADQUIRIDA PELA NOSSA CABEÇA
DEPENDE DO NOSSO CORAÇÃO.
UM HOMEM NUNCA É O QUE QUER
MAS O QUE QUER SER SEU CORAÇÃO."

Almada Negreiros

*

A VONTADE DO CORAÇÃO 


A maior aventura do mundo
Que todo o ser humano engendra,
E que parece não ter emenda,
É a que nasce lá bem no fundo
E que faz com propriedade
Sonhar ter, como oferenda,
Toda a nossa felicidade.

Prémio justo e compensador,
Por tudo quanto custa viver
Durante a vida que se tiver,
E não há alternativa ao redor
Que a todo o humano engrandeça,
Do que a vontade que se requer
Adquirida pela nossa cabeça.

Esta energia vital tremenda
Emergente das profundezas
É uma das maiores riquezas
Que a própria razão recomenda
E, pela vontade da emoção –
Como catarse para as certezas –
Depende do nosso coração.

Há corações largos e estreitos
E corações coesos e partidos
Aos quatro ventos dos sentidos
Mas nenhuns deles perfeitos.
E, quer em homem ou mulher,
Pelos meandros consentidos
Um homem nunca é o que quer.

Toda a vontade e solicitude,
Vinda de dentro do ser humano
Sem subterfúgio ou desengano,
É luz segura e é uma virtude
Que, sendo de si feliz condição,
Não tolera um cariz soberano
Mas o que quer ser seu coração!

© Frassino Machado

In OS FILHOS DA ESPERANÇA

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

OS REIS MAGOS



 

Os Reis Magos


Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.

Estrela nova … Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.

Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.

E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.

Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol

Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó …
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.

Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha …
Era o mais feio dos três !

Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.

E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir

Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.

E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor …

© OLAVO BILAC

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

SOBRAS NATALÍCIAS




SOBRAS NATALÍCIAS  


Quando se pensa no Natal
Logo se imagina a fartura
Numa abundância colossal
Que mete respeito e figura.

Quanto mais pessoas melhor
Cada um mostra o que vale
Importa qu´ se exija valor
Quando se pensa no Natal.

Haja prendas e mais alimento
Com um Pai Natal d´ aventura
Para lá do contentamento
Logo se imagina a fartura.

Com embrulhos e mais embrulhos,
E com ataduras bem ou mal,
Há mais ilusão do qu´ orgulhos
Numa abundância colossal.

- Quero uma coisa que m´ agrade –
Ouve-se a voz duma criatura –
É uma prenda de qualidade
Que mete respeito e figura.

- Neste Natal só me sai duques
E o meu Pai Natal é uma seca,
Já estou farto dos seus truques
E eu vou dormir uma soneca.

- Quando acordo só vejo sobras
Em caixas, caixinhas e sacolas,
Nada de jeito para as dobras
E o “Pai Natal” é um gabarolas!

- Oh, tanta gente a passar fome!
Se as sobras pudessem chegar
A todos, sem olhar ao nome,
Este mundo poderia mudar…

Lembrei-me agora, de repente,
Do poema NATAL DE QUEM
Que amigo poeta-competente
Compôs certo dia muito bem.

Trata duma família moderna,
Sem nenhuma crença nem luz,
Que o Pai Natal trazia à perna
Em vez do Menino Jesus:

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA


*

NATAL DE QUEM?  


Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
-- Está bem, eu sei!
-- E as garrafas de vinho?
-- Já vão a caminho!
-- Oh mãe, estou p’ ra ver
Que prendas, vou ter.
-- Que prendas terei?
-- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
-- Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papéis
Sem regras nem leis.

E Cristo Menino
A fazer beicinho:
-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

-- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
Foi este o Natal de Jesus?!

© João Coelho dos Santos
In “Lágrima do Mar”, 1996

QUANDO UM HOMEM QUISER




Quando um Homem Quiser


Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

© Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

sábado, 21 de dezembro de 2019

PRESÉPIO VIVO




PRESÉPIO VIVO


Em tempo antigo
O presépio era vivo
José e Maria se reflectia
Nas pessoas da avó e do avô 
Em volta seus netos e filhos
A família uma só.
Havia um rebanho 
Um pastor e um estábulo
Na loja o burrinho
Na pocilga o boi 
Era substituído pelo porquinho.
Amassavam-se as filhoses 
Para alegria dos mais pequeninos
Cantava-se à volta da fogueira
Ao Deus menino tão pequenino.
Tenho estas memórias guardadas
Lembrança e quanta saudade
Cada pessoa é lembrada
No presépio da humanidade.
Saudades de tanto empenho…
Do avô e da avó, dos pais que já não tenho,
Tanto mistério neste presépio humano, 
A saudade engole a gente.
A luz do presépio era fraca 
Mas estava sempre presente
A candeia era alimentada com azeite.
A casa era humilde, não muito importante,
Mas suficiente 
Para o nosso aconchego.
A lembrança da nossa fé
E da nossa inocência
Vinha com a presença
Do divino infante.
A simplicidade daquele presépio humano,
Tinha enfeite irrelevante
Transmitia paz e alegria
Na sua essência, no meio do alarido
Da presença das tias e tio.
Na ceia, não faltavam as filhoses
O pão e vinho e o sorriso abundante
Esperando as doze badaladas
Para celebrar o nascimento
Do divino infante
Reflectia sobre estes engodos,
Tanta alegria, nos unia,
Jesus nascia para todos.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O PERÚ DE NATAL


Imagem: November Turkey Quilt Block Pattern


O PERÚ DE NATAL 


A loja do Manuel era simples e mágica como todas as mercearias das aldeias pequenas. Tinha uns armários de carvalho que cobriam as paredes quase até ao tecto, algumas prateleiras eram protegidas por vidros, mas a maioria expunha simplesmente os produtos ao olhar dos fregueses: farinhas, latas de atum ou sardinhas em azeite, fósforos, umas garrafas de vinho do Porto, uns licores, brandes e aguardentes finas.
...
Sobre o enorme balcão de madeira, a balança de pratos era a figura central – por ali passava quase tudo. Ao lado estavam os pesos de metal. Parecia uma família, uns maiores que eram os pais, e depois a criançada dos pesos pequenos e pequeninos. E esta família tinha uma casa, uma caixinha com os redondos exactos em que cada peso se incrustava, mas o Manuel não tinha tempo para essas coisas e ficavam desarrumados no balcão, ao lado das caixas dos rebuçados de mel, como se as crianças estivessem no recreio e os pais a vigiar. 
- Ó senhor Manuel, avie-me lá um quarto de açúcar amarelo, por favor…
Abria a tampa de madeira da tulha, enchia um cartuxo de papel pardo que depois batia em cima da pedra mármore do balcão para o açúcar assentar. Colocava-o na balança e com uma corredora de alumínio, deitava ou retirava mais uma ou duas pitadas de açúcar loiro para acertar o peso. Depois dobrava as pontas do cartucho deixando umas orelhas atrevidas, e colocava-o no balcão com um sorriso adocicado como o cheiro que ficava no ar. 
- Aqui tem D. Bárbara, precisa mais alguma coisa?... o senhor Arménio como vai? – dizia ele subindo para o estrado de madeira, o que lhe dava um ar mais distinto ao balcão.
- Vai bem, obrigada! Aponte lá no livro, por favor, já cá passo no final do mês!
O Manuel apontava. Era freguesa de confiança, gente séria, o marido era feitor de uns senhores de posses, no acabar do mês sabia que ela trazia as moedas contadas para desarriscar o nome.
...
“Ó sô’ Manuel, assente lá, que o patrão logo passa cá a pagar”, dizia ela. Só que o patrão não passava e os números aumentavam no livrinho preto, quadriculado, onde o Manuel fazia as contas de somar. 
- Ó home’ vai lá bater-lhes à porta… é Natal, devem ter dinheiro! 
- Ó mulher, vou agora bater às portas do doutor… ainda se amofinha co’a gente! E se depois precisamos do home’ numa aflição, e ele está derrancado com a gente…?
- Numa aflição está a gente agora, temos o Natal a chegar e nós sem dinheiro… Vai lá a bater à porta, que pedir o que é nosso não é vergonha! Era só o que faltava! Ele a alambazar-se na consoada e nós aqui a chuchar no dedo… e com os fornecedores á perna! 
Contrariado, mas bem-mandado, Manuel lá se foi ladeira acima com o intuito de pedir satisfações ao médico. 
...
Pressentiu uma mesa farta e isso deu-lhe ânimos para agarrar no batente da porta – um punho de metal – e sacudir as madeiras com violência. Foi o próprio médico que veio abrir:
- Ó Manuel, tu por aqui? Entra lá homem, entra que está frio. Então o que te traz por cá? És tu que andas mal? Ou é a tua patroa?
Ele tirou o boné, revoluteou-o entre os dedos nervosamente. Nem sabia por onde começar. Foi olhando a mesa posta, vendo as filhós, as rabanadas, os pudins. A batata assada que estava a ser servida, o esparregado, o peru acabado de sair do forno e que a mulher colocava na mesa dentro de uma travessa de loiça. O cheiro quente chegou-lhe ao nariz e desatou-lhe a boca.
- Não se trata de maleitas, senhor doutor. Como lhe hei-de dizer… O doutor não levará a mal, mas é que tem lá uma conta já grandita na minha mercearia e… Estou aqui por mor de levar algum pagamento que as coisas lá em casa estão apertadas de dinheiros… sabe como é!
- Ó Manuel, claro que sei, homem! Se eu te contasse também a minha vida…! Nem imaginas. É como a ti, ninguém me paga, sabes como é… Olha que eu também tenho o meu livrinhos dos apontes. 
Manuel sentia que lhe estava a fugir o chão dos pés. Ainda tentou um último argumento: 
- Compreendo! Compreendo! E desculpe, ter batido na sua porta. Mas é que eu estou mesmo de bolsos revirados. Pelo menos o doutor ainda tem a mesa farta, e um bom peru assado…
Ao que logo o médico respondeu: 
- O peru? Ah, o peru! É o que te digo Manuel… se eu te contasse a minha vida. Sabes lá!!… O peru, vou-te confessar… - e chegou-se junto a ele, baixando a voz em tom de confidencialidade. – O peru, eu não queria, mas tive de o matar. Sabes porquê? É que já não tinha nada que lhe dar de comer, coitado!!!

© João Morgado, in MEIO-RICO E OUTROS CONTOS (Kreamus, 2011)

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

UM NATAL TODOS OS DIAS


Imagem: Mala d'estórias


UM NATAL TODOS OS DIAS


Quem faz o Natal para todos nós?
São os amigos
Quem nos dá prazer e dá calor?
São os amigos
A quem é que damos a ternura?
É aos amigos
A quem é que damos o melhor?
É aos amigos

Os amigos são o nosso bolo de Natal
Cada amigo nosso vale mais que um Pai Natal
É um irmão nosso que trabalha no Natal
E com suas mãos faz a diferença do Natal
O dinheiro pouco importa
O que importa é a verdade
E a prenda mais valiosa
É a prenda da amizade
Quem faz das tristezas forças
E das forças alegrias
Constrói à força de Amor
Um Natal todos os dias.

© Ary dos Santos e Joaquim Pessoa

sábado, 14 de dezembro de 2019

NOITE DE NATAL!...




Noite de Natal!...


O Natal é alegria
É noite de luz a brilhar
Natal com a Virgem Maria
E o Menino Jesus a beijar

Mas, Natal é noite santa
Para nós sempre louvado
O Menino Jesus encanta
Numas palhinhas deitado

Natal é prendas e luz
Nos corações há alegria
Ver o Menino Jesus
Ao colo da Virgem Maria

Para todos os povos também
Eu te peço sim em oração
Nesta noite santa sem igual
Que não deixes ninguém
Sem agasalho nem pão
Nesta linda Noite de Natal!

© Maria de Lurdes Cunha

https://www.facebook.com/mlurdescunha

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

HISTÓRIA DO MENINO JESUS


Foto: © Acácio Costa

História do menino Jesus


Era uma vez um menino
Que nasceu em Belém
Seu pai era José
Maria a sua mãe.

Viveu junto de seus pais,
Perto do rio Jordão,
Um dia saiu de casa,
Foi ver seu primo João.

Reuniu doze bons homens
Para o seguirem nas pregações.
Pregou a palavra de Deus, fez milagres,
Encheu de esperança muitos corações.

Revelou ser Filho de Deus
E que amar é sobretudo perdoar;
Pai nosso que estás no céu (…)
Ele ensinou a rezar.

Até que um dia, foi traído,
Após uma última-ceia;
Foi julgado e condenado
Como impostor da Galileia.

Entre dois ladrões, foi crucificado
E como malfeitor foi tratado;
Ficaram Madalena, Maria e João
Por quem não foi abandonado.

Depois de morto, foi sepultado
- Era o “Messias” que acabou;
Mas, como tinha anunciado,
Ao terceiro dia, ressuscitou.

Fundou, em Pedro, a sua Igreja,
Crentes-católicos-cristãos;
Deixou Maria como mãe,
Pra que todos fossem irmãos. 

Esta a história de Jesus Cristo,
Que disse e a vós todos eu lembrei:
“Amai-vos uns aos outros
Como eu vos (amo e) amei”!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

ESPÍRITO DE NATAL


Pintura: Tela_ID (arte sacra)  

Espírito de NATAL 


Enquanto o Homem
viver,
enquanto uma criança
nascer,
enquanto houver amor
para oferecer,
haverá sempre,
um dia de Natal.

Natal
sentimentos de contradição
de silêncios muitos
de solidão
de abraços muitos
de enfeites mais
com a fome de tantos
e outros com demais.

Natal
vejo-o sempre
numa sopa aos sem abrigo
ou num sorriso de alegria
duma criança ao colo da mãe
que já há muito não via.

O NATAL É SÓ O MÊS DE DEZEMBRO


Imagem - Bellissime Immagini

O NATAL É SÓ O MÊS DE DEZEMBRO


Dezembro chegou e a azáfama do natal
Percorre as ruas e carrega o lindo pinheiro ou abeto,
Para dar um novo respirar aos lares…
Verdinho, com bolas de todos os feitios, fitas de muitas cores
E também nódulos de algodão, brancos demais,
Enche o coração das casas e os olhos das crianças.
E, claro está, o presépio, o berço de palhinhas assente
Em musgo para receber o menino
Jesus que nasce em Belém…
Ao lado de virgem Maria e de José.
Lá no cimo da árvore a estrela a brilhar
Para Belchior, Baltasar e Gaspar, os três Reis magos,
Que carregam ouro, incenso e mirra para adorar o menino.
As crianças têm um sorriso frenético e curiosidade demais.
É a quadra mais mística e aliciante do ano.
Há prendinhas embrulhadas em papéis coloridos
Para dar alegria ao presépio, (simbolicamente)
Para ofertar ao menino Jesus que, nasce em Belém,
Vai a casa de todos os meninos.
Vem no ventre da virgem Maria em véspera de natal
Para dar luz à ceia de natal
E alumiar os corações de todos.
Há missa do galo e ao sino das doze badaladas
Ouve-se a boa-nova: Jesus nasceu, o salvador!
Lá vêm as renas, é o trenó do pai de natal!
Já se vê o fuzuê que vai à volta da chaminé...
São os meninos que vão ver o sapatinho.
Já nasceu o menino Jesus, a alegria perpétua a noite, é natal.
Desembrulham-se as prendas e trocam-se abraços e carinho.
A algazarra instala-se no seio da família, o vozeirão das crianças,
Que não têm pressa de dormir querem mais é brincar.
E, o natal fica até mais tarde, vai enfeitando o resto do mês
Com muita brincadeira e guloseimas,
Em especial o bolo-rei que é dos três
Reis magos e vai de novo às mesas com fava e presente
Para festejar o dia de Reis, que deixa saudades em todos os lares.
Chega a hora de arrumar a casa e lá se vai o pinheiro
E as bolas de natal
Arrumam-se para o ano que vem.
Há tristeza nos olhares das crianças…
As casas já não são as mesmas,
A família não é a mesma, os amigos não são os mesmos.
Tudo é diferente, os brinquedos são os mesmos
E a rotina volta ao dia a dia por mais um ano.
O verde fica estampado no olhar das crianças…
Um novo ano em que é preciso que se portem muito bem
Para ter novos brinquedos no ano que vem.
Os corações ficam mais pequeninos e o inverno vem pela frente,
Sente-se o frio em muitos lares,
Onde o amor não reina simplesmente;
Há outros que os aquecem o ano todo em trocas de coração aberto.
Mas por norma, o natal é só o mês de dezembro 
E o nascimento do menino Jesus é (o salvador), 
Mesmo só, a vinte cinco de dezembro.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NATAL NOVELA




NATAL NOVELA, 

Jesus versus Pai Noel 

“Natal de 2015”


À entrada do hipermercado
Viram-se Jesus e Pai Noel 
Cada um muito empenhado
Falando do seu papel.

Jesus co´ as mãos a abanar
Mas firme na Identidade
Pai Noel, saco a abarrotar,
Todo cheio de vaidade.

“- Quem és tu, imberbe garoto,
Que andas por aqui a fazer?
Assim descalço e todo roto
E a precisar de comer…

Não te tenho visto por aqui
E muito menos sozinho,
E, segundo eu já entendi,
Estás mesmo um coitadinho…

- Ando a ver as novidades,
Sou o Jesus de Nazaré
A mais humilde das cidades
Filho de Maria e José.

Eu trabalho na oficina
Para o nosso ganha-pão
E às vezes peço na esquina,
A quem passa, o meu quinhão.

- Eu sou oriundo da Lapónia
E venho aqui a abastecer
E já agora sem cerimónia,
Vou por aí… a oferecer.

Tu, coitado, já foi tempo, 
Em que eras um senhor,
Agora não tens sustento
E cada vez estás pior.

- Tu tens dinheiro pra tanto?
Passas a vida a esbanjar,
E eu para aqui feito santo
Sem nada pra arrecadar…

O meu pai morreu há pouco
Minha mãe faz pela vida
E eu até dou em louco
Para lhe trazer a comida.

- Quanto a mim, sou solteirão
E sou muito divertido
Mas, pelo sim pelo não,
Ponho tudo em sentido.

Não digas nada a ninguém,
Aqui quem manda sou eu
E ando sempre num vaivém
Para ver se compro o céu…

- A ver se compras o céu?
Não estou a compreender
Lá quem manda é Pai meu
Que não dá o braço a torcer.

E se algo vier a falhar,
Na vida que se tiver,
Ele está pronto a ajudar
Seja homem ou mulher.

- Isso dizes tu, ó fedelho,
Aposto que o Céu tem preço
E eu, mesmo sendo velho,
Vou virá-lo do avesso.

O que importa é o negócio,
De tudo o que seja útil,
E se queres ser meu sócio,
Pára de seres um inútil.

- Não gosto de te ouvir,
Tens a mania que és rico,
Mas ainda me vou rir
Do teu reles mexerico.

Cá por mim, procuro casa
Que me queira aconchegar,
Um caldinho e uma brasa
Já basta pra m´ agradar.

- Então, tens muito que penar
Toda a gente anda tesa,
Mal chega pra desenrascar
E não há que pôr na mesa.

O que vale eu dou um jeito,
Ponho tudo em promoção,
Quer tenha ou não defeito,
E agora… nesta estação…!

- Dizem que entras pela chaminé
Mas não tens idade pra isso…
Ademais, então se o não é,
Como assumes teu compromisso?

- Oh pá, vejo qu´ és um imberbe,
Se não posso levar o frete
E o trenó de pouco me serve,
Deito a mão à internet…

- Ena, fico muito admirado
Por tu seres tão esperto,
Cá por mim, pobre coitado,
Limito-me só ao afecto.

Nasci pobre e sobre a palha,
Pouco tenho para dar
Mas cada ano, Deus me valha,
Sonho o mundo conquistar.

- Oh pá, deixa-te de conversa,
Hoje em dia no mundo inteiro
A paixão que mais interessa
É o cheirinho do dinheiro.

Por isso promovo as compras
E, à vista de tanta prenda,
As crianças até ficam tontas
E os adultos não têm emenda.

- E lá por que és da Lapónia,
Terras de muita riqueza,
Não achas que é ideia errónea
Incentivar a despesa?

Há por cá necessidade,
E tu andas ao contrário,
Em vez de felicidade
Só provocas o calvário.

- Oh, oh, oh, oh, és um néscio
E tens a tua cabeça oca
Pior que tu, só o Lucrécio
Que de ciência tinha pouca.

O mundo não é eterno,
Há que saber aproveitar,
Entre o céu e o inferno
Alguma coisa há-de ficar…

- Pois, finges ter seriedade
E que tens muito valor,
Mas eu, com menos idade,
Aposto tudo no amor.

Se não crês nesta mensagem
E só pensas em explorar
Inverte a tua viagem
E deixa as crianças sonhar.

- Ter coisas é o mais natural -
Estás bastante enganado –
Todo o ambiente de Natal
É o meu Império encantado.

Reforço nele meu estatuto
E uso de todos os meios
Que esta semente dê fruto
Cá nestes meus sacos cheios.

- Sacos cheios, desilusão,
Vê-se bem a resultante,
Fica vazio o coração
E a família muito distante.

Sou criança, sim, criança
E um futuro quero ter,
É essa a minha esperança
E com ela quero viver.”

Acabou aqui a estória
Deste encontro ocasional
Que ficará na memória
Dum qualquer outro Natal.

O Menino Jesus deu cartas
Pai Noel enfiou o barrete
Foi-se embora e virou as latas 
Pra Lapónia, como um foguete!

Frassino Machado

In JANELAS DA ALMA

domingo, 29 de março de 2015

A PAIXÃO DO PLANETA



A PAIXÃO DO PLANETA

“Páscoa 01, 2015”


Em cada hora, em cada dia e em cada ano,
Alguns milhares de séculos ultrapassados,
Nem todo o corpo nem toda a mente associados
Lograram desfazer o triste vício humano.


Travado o vil combate entre o fogo e a razão,
Que de longe tem sido sempre uma constante,
O ódio sobre a alma tornou-se triunfante
Permitindo riscar plenamente o coração.


De nada servirão os elos da cultura
De nada valerão as lágrimas da dor
E o halo do poder fez-se exterminador
Cabendo ao homem toda a cruz da desventura.

A fome, a peste e a guerra provam a vendeta
No logos da palavra, nascida envenenada,
Que deixa a própria lei despida e algemada
Anunciando a paixão deste pobre Planeta.

Ó Tu, Jerusalém terrestre, chora e grita,
Afasta do teu ventre a vaidade e a cobiça
E rasgando essa máscara que te enfeitiça
Revela, finalmente, onde é que a Paz habita!

Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

QUE O NOVO ANO SEJA O MEU E O TEU SUCESSO!


 Imagem - Beautiful Word, Nature, Love, Art.


QUE O NOVO ANO SEJA 

O MEU E O TEU SUCESSO!


Que o Novo Ano nos traga a paz, a justiça e o amor;
Que tenhamos consciência e a mente aberta à humanidade;
Que façamos com dignidade o bem maior;
Que amemos o próximo e a todos num laço real de amizade.

Que o Novo Ano não seja mais um ano em branco ao progresso;
Que tenhamos todos a coragem e audácia de bem dizer;
Que façamos com humildade e diplomacia o tempo ser;
Que vivamos respeitando estratos ou estatutos, os que houver;

Que sejamos o bem maior, em todo o sentido lacto da palavra, e sempre.

Porque podemos sempre ser mais e melhores;
Porque está nas nossas mãos a vida que temos e queremos dar;
Porque há luz que abrange todos e nela podemos não só sonhar…
Sobretudo realizar;

Porque a vida é um milagre, sejamos gratos e maiores;
Porque eu e tu somos nadas… juntos somos mais e melhores;
Porque a felicidade se constrói, em pequenos nadas, hoje para o sempre.

Que o Novo Ano seja o meu e o teu sucesso.

Obrigado amigo por estares a meu lado
Que a vida te sorria sempre.
Acredita que te amo e que serás sempre
O meu pilar e o que tenho de melhor ao lado.

© RÓ MAR