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terça-feira, 21 de março de 2023

QUADRAS | SANTOS POPULARES




DESAFIO POÉTICO: "JUNHO | QUADRAS POPULARES"





FORÇA DA TRADIÇÃO


Santo António, és o primeiro
Dos três santos populares
És o santo casamenteiro
Que alegra os nossos lares

Tens tal fama no teu dia
Que toda a bela cachopa
Só pensa com alegria
Em queimar uma alcachofra

Santo António, Santo António
Dá me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Rapazes e raparigas
Dancem e cantem sem parar
As vossas belas cantigas
Para toda a gente alegrar

Cada marcha que aqui passa
É um bairro e um pregão
Que enfeita e dá graça
E mais força à tradição

Santo António, Santo António
Dá-me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Esta Lisboa velhinha
Que de ti se enamorou
Fizeste dela a rainha
Que o povo acarinhou

Vosso par ficou eterno
E durante o mês de Junho
Renasce um amor mais terno
Nessas noites como um sonho

© ARIEH NATSAC




AOS SANTOS POPULARES



Chegado o mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

Nas ruas há animação
E não faltam manjericos
P'ra entoar no coração
A música dos bailaricos!

António de Lisboa,
Meu Santo milagroso,
Casai a rapariga boa
Com um moço bondoso!

São João, lá do Porto,
Trazei-nos vinho prá boda
E verão p'ra conforto
Do luar de roda em roda!

E, cansados de dançar
Que nos valha São Pedro
Para a fogueira saltar
Até à sombra do cedro!

A chave, entre o arvoredo,
Duma casa caiada
De branco, de manhã cedo,
Para ser nossa morada.

Nas casinhas há harmonia
E não faltam manjericos
P'ra dar à janela poesia
De cheirinho a namoricos!

No fim do mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

© Ró Mar




“Festas Populares 2022”


Mês de junho, mês do povo,
Mês dos Santos Populares,
Pelas ruas nada de novo
Muito menos nos altares.

Cascatas de Santo António
Enfeitadas com balões
Manjericos património
E uma cesta prós tostões.

Santo António e São João
Com brincadeiras finas
Vão jogando de mão em mão
Coloridas serpentinas.

Não acha graça São Pedro
Aos alhos-porros famosos
Mas guarda-os em segredo
Dos olhares cobiçosos.

Festas Populares são assim
Singelas e sem intrigas
Que o diga o Benjamim
Sempre atrás das raparigas…

Com sardinhas ou bifanas
Todos querem petiscar
Há tintol prás carraspanas
E caldo-verde a fumegar.

Mês de junho, mês do povo,
Mês pequeno, mas com graça,
Todos gozam, sem estorvo
Pelas ruas, em cada praça.

Mês do povo, mês de junho,
Mês de todas as primícias,
Boas-Festas, testemunho
Coisas belas, oh delícias!

© Frassino Machado




LISBOA PRIMEIRA


Na noite de Santo António
Nas escadas, nas vielas;
Pressente-se matrimónio,
Nos olhos, nas piscadelas.

Belo é ver remexer
Se alusão ao namorico;
Há cartãozinho a benzer
No cimo dum manjerico.

No pão, assadinha sardinha
Pede depois de bailar;
Que sirvam boa pinguinha,
Num copo pra acompanhar.

Lisboa é a primeira
Dos Santos na tradição.
Pra que pronta a sementeira,
Segue os Stos Pedro e João.

© RAADOMINGOS




Santos populares


Santo António, São João
Protegei-lhe por favor
A bem do meu coração
Os passos do meu amor

Pelos bairros a saltar
Toda a noite e mais meu bem
Fartei-me de o beijar
Ele beijou-me também

Que boa rusga fizemos
De mãos dadas a correr
O festival que nós demos
Todos o quiseram ver

A nossa alma salta e canta
Nas rusgas do São João
Cada cantinho encanta
Canta o nosso coração

© Custódio Montes




MARCHAS…


Lá vai Lisboa a marchar
Com fatos de multicores
Andam no ar mil odores
Cheira a santo popular

Desfila-se na avenida
Soam cânticos p’los ares
Todos ligeiros os pares
Felizes da sua vida

Cada bairro faz figura
P’ra manter a tradição
Com amor no coração
Desta gente humilde e pura

Rapazes e raparigas
Mostram todo o seu valor
Na beleza no esplendor
Na garra de umas cantigas

Vem p’ra rua toda a gente
Também gostam os turistas
Acompanham os bairristas
De uma maneira diferente

Desde Alfama à Madragoa
Do Bairro Alto a Benfica
Mas em casa ninguém fica
Para ver passar Lisboa

No dia treze de junho
Santo António dá-lhe a mão
Como manda a tradição
Passando-lhe o testemunho

Marchas já há este ano
Covid tudo mudou
O povo não desfilou
Naquele passeio urbano

Nossa prisão foi marcando
Lisboa perdeu a cor
Deixando um rasto de dor
Pandemia desfilando

Santo António nos libertou
Temos de volta a cidade!
Deu-nos nossa liberdade
Solidão em nós acabou.

© ARIEH NATSAC



 

HÁ NOVAS MARCHAS NAS RUAS


Já te vestiram de tudo,
O teu pranto cantaram.
És generosa pra estudo,
Tanto em ti se inspiraram.

Já te calçaram chinelas,
Sapato fino, outros mais...
Nas pernas tuas canelas,
Te adornam pros arraiais.

Na ligeireza do passo,
Deixas os olhos pousar.
É deles o teu compasso;
Sua, a tua verve amar.

Na esbelta cintura dedos,
Decifram a tessitura.
Qual a fase nos segredos,
Quando pronta a partitura.

Nesse doce encantamento,
Santo António fez das suas.
É claro o enamoramento,
Há novas marchas nas ruas.

© RAADOMINGOS

 
 
 

COSTUME DE LISBOA


Varinas tem no andar
Manjericos na lapela
Vai Lisboa namorar
No mais lindo barco à vela

Remam asas de gaivota
Flutua nos braços do Tejo
Levando o cheiro da lota
A brisa manda-lhe um beijo

Junto ao cais a baloiçar
Tem costume de adormecer
Vê Santo António bailar
As suas sete colinas
As suas lindas meninas
Que o estão a proteger

Durante a noite o luar
É o seu lençol de espuma
Que a sabe alindar
Como se fosse uma pluma

Ele contente e feliz
Sonha com a sua história
E quando passa bem diz
Seu orgulho de vitória

© ARIEH NATSAC



      

TRONOS DE SANTO ANTÓNIO


Lisboa tem tradição
Pelas ruas e vielas
O cheiro a manjericão
E das sardinhas capelas;

Há grinaldas de flores,
Lanternas, balões e mais
Feitos de papel de cores
Garridas prós arraiais.

Lisboa tem património
Pelas montras e janelas
Tronos de Santo António
Chamariz prá ginga delas;

Há caldo verde, bifanas
Chouriço assado e vinho
Que engorda as trezenas
Do seu Santo Antoninho.

Lisboa menina do Tejo,
Sete saias a marchar,
Lava as vistas no cortejo
A António e vê-se casar;

Há andores e tambores,
Seda e chita colorida
P'ra conquistar amores
E saudade à despedida.

Lisboa tem arte e oficio
Pelos bairros típicos,
O fado honra o solstício
De verão com namoricos;

Há alegria e multidões
Pelos Santos populares
E Amália nas canções
A avistar todos os altares.

© Ró Mar


 


UMA MARCHA PARA ALCÂNTARA


Alcântara passas brejeira
De mansinho a dar ao pé
Saltas em qualquer fogueira
Mostrando um ar sem ralé

Vais formosa como sempre
Aqui ninguém te segura
Vens dizer a toda a gente
Que não há gente mais pura

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passas a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Teve a rainha do fado
D.ª Amália foi a dilecta
Cantou-o por todo lado
De uma forma bem discreta

Alcântara é um rosário
De penas por desfiar
É tão grande o seu Calvário
Que o foram lá deixar

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passa a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Tens a ponte sobre ti
E toda a gente que passa
Olha do alto e sorri
Extasiada com a tua graça

Passam para lá do Tejo
 Com Santo Amaro a vê-los
Lançando-lhes um terno beijo
Para sempre protegê-los.

© ARIEH NATSAC
 
 


JUNHO É LISBOA EM FESTA


Junho é Lisboa em festa,
Santo António vai á Sé
E ao município, nesta
Maravilhosa tournée;

Após o matrimónio
Desfilam pela Avenida
As noivas de Stº António
E as Marchas dão-lhe vida!

Noite de Santo António
Leva Lisboa ao céu
Compõe o aniversário
Do padroeiro a tropel!

Amália é mote forte
E os bairros badalam
E marcham a sua sorte
A ver o que conquistam!

O júri é soberano
E a mais linda da Avenida
Vai ser coroada este ano
E por todos acolhida!

Noite longa e calorosa
Que abre as portas ao verão
Com muita música e prosa
Ao luar do manjericão.

Junho é Lisboa em festa,
Santo António é a Fé
E com alegria nesta
Vai de chinela no pé!

© Ró Mar




QUERO VER VIVA LISBOA…


Quero ver viva Lisboa
De Alfama à Madragoa
Bem juntinha à beira rio
Mostrar-se fresca e ladina
No seu porte de menina
Que lá no alto surgiu

Tem as honras de rainha
De um castelo foi madrinha
E de um povo que bem lhe quer
Por ser nobre e azougada
Para a farra foi fadada
Vai numa marcha qualquer

Tem seu santo padroeiro
Que o nosso rei primeiro
Quis que fosse S. Vicente
Quando conquistou Lisboa
Embora muita gente boa
Tem Santo António em mente

É santo mais popular
Põe o povo a cantar
É também casamenteiro
Dá mais brilho à cidade
Festeja-se em liberdade
E Lisboa tem outro cheiro.

© ARIEH NATSAC




Autores: ARIEH NATSAC,  Custódio Montes, Frassino Machado, 
RAADOMINGOS e Ró Mar

 

Ilustração: Fotografia © Ró Mar | 2022

sábado, 1 de janeiro de 2022

ELÉTRICO DA CARRIS


Fotografia de Ró Mar


ELÉTRICO DA CARRIS


Parece-me um acervo do museu da Carris,
É o que a imagem e a placa do elétrico me diz!
Por norma é amarelo e desconheço a intenção
Talvez o chamariz seja a origem da função!

Já andei. Não em jeito de veraneio;
Era pequena não me recordo do itinerário!
O ziguezagueio que ele oferece diário,
Traça do passeio um belíssimo cenário!

Há também a versão vermelha histórica.
Não sei se passa na igreja de S. Vicente de Fora ou é o da carreira 28 !?
Seja qual for do elétrico o circuito
Não destrona nem um nem outro!

São lindos, são pitorescos,
Fazem parte da história de Portugal.
A ideia não foi nossa;
Já outros primeiros, tiveram igual.

Mas o que é certo é que fazem da nossa bandeira um local atrativo para visitar Lisboa.
Neles circulam turistas, fazendo muitas visitas sem deles - coisa boa - terem que sair do lugar!

Ele é ruas estreitinhas, largas ou zonas ribeirinhas, miradouros, cais...
Subidas ou descidas, duas, três, sete colinas...
Cá nada de gasolinas, só sob o carril.
De vê-lo; a Baixa Pombalina o Castelo - outros mais - sob o céu anil sorriem...
Tudo é belo quando nele andas e vais...

© RAADOMINGOS | 01/2022

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

O E L É T R I C O V I N T E E O I T O


Foto de Ró Mar 


O  E L É T R I C O  V I N T E  E  O I T O


O "Amarelo" é inteligente e passeia pelos típicos bairros lisboetas.

E létrico, que data de 1911, tem alma alfacinha e o dom
L ivre e destemido dum vento soalheiro na dobra do mar português.
É mais do que transporte, o ponto de encontro com a cultura portuguesa -
T elas, paisagem, gastronomia, artesanato, tudo num ecossistema fantástico;
R ei de carris, que nos coroa de boas sensações, trajeto invejável,
I nigualável, por isso, afamado internacionalmente!
C omo pode alguém visitar Lisboa e não andar nele?
O "Vinte e Oito" - mirabolante e secular das sete colinas!

V iajem lúdica dos Prazeres ao Martim Moniz,
I tenerário turístico que dá a conhecer o melhor da cidade.
N uma visita histórica a paisagem tem mais significado,
T odas as zonas de paragem têm tradição e encanto, especialmente a
E strela e a Basílica. O elétrico que proporciona conhecer o foco da Capital.

E stonteante travessia! De Campo de Ourique, por S. Bento ao Adamastor em Santa Catarina!

O Camões, o Chiado da brasileira, a Sé Catedral, o Limoeiro, as Portas do Sol e Santa Luzia
I maginando a Graça de Sophia de Mello Breyner beijando o mar -
T êm o Tejo para sempre! O oceânico sentimento - Sal de Portugal!
O passeio de "Vinte e Oito" a recordar e a continuidade a (de) pé pela encosta até ao Castelo!

© Ró Mar | 2021

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

LISBOA NÃO TEM SÓ TEJO…


Fotografia de Ró Mar


LISBOA NÃO TEM SÓ TEJO…


Lisboa não tem só Tejo
Nem os santos populares
Há também outros festejos
E turistas a passar

Lisboa não tem só gaivotas
Pombos voam nas vielas
Onde desfilam garotas
Como sendo caravelas

Passam nelas tanta sombra
Em noturnas procissões
Quando aparece a penumbra
Enlouquecem-se as paixões

Muitos poetas deram brado
Entre portas fora de horas
Na nostalgia de um fado
Até ao romper de auroras

Com mistérios de outras eras
Difíceis de desvendar
Foram loucas primaveras
Passadas no alto mar

Lisboa tem sua sina
Que lhe marcou a matriz
E cresceu como menina
Rainha deste país.

© ARIEH NATSAC


domingo, 31 de outubro de 2021

AO DOMINGO DE MANHÃ


Fotografia de Ró Mar 


AO DOMINGO DE MANHÃ


Ao domingo de manhã
Há perfumes pelo ar
E as faces cor de maçã
Têm o dom de nos beijar!

Ao domingo de manhã
Há missa pra celebrar
Vida e crer no amanhã,
Que não demora a chegar!

Ah, fluxo de hortelã
Pela escadaria do dia,
Ao domingo de manhã
Todos somos poesia!

Passeamos o sorriso
Numa roupagem aldeã
E temos o preciso,
Ao domingo de manhã!

© Ró Mar |10/2021

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

PESCADORES DO MEU PAÍS




PESCADORES 

DO MEU PAÍS


As ondas batem forte no cais
É o temporal que se levanta
No ar fica o grito do arrais
Partindo para nova campanha

Gaivotas chilreiam bem no ar
Como sinal de luta, de despedida
Parecem também elas implorar
Por quem tem tão dura lida

E as ondas batem forte
Levando tudo que encontram
Com sua fúria de morte
Os que se não amedrontam

Baloiços que são traineiras
Onde a vida é incerteza
De almas aventureiras
Que procuram uma certeza

Trabalho. Que é o seu pão
P’ra matarem fome aos seus
Que com grande devoção
Pedem por eles a Deus,

Chora o Ti Zé a Ti Maria
Pelo pai ou pelo filho
Para que este maldito dia
Não seja o último trilho

Mas o mar não acalma é cruel
E lá longe bem distante
Nas águas verdes cor de fel
Tudo acaba num instante

É o filho que perdeu o pai
A mulher que perdeu o marido
É um mundo que se esvai
Num grito sem ser ouvido

E as ondas batem forte
Torcendo ferro e cimento
Deixando homens sem norte
Não se entregando um momento

A noite é escura e nada vê
O pescador que o mar desafia
Mas em tudo isso ele revê
O seu pão de cada dia

E a noite se prolonga
Os minutos não se passam
Cada onda é mais longa
Mais corações despedaçam

O piloto saiu a barra
Que teria acontecido?
Ter-se-ia partido a amarra
Ou alguém já está em perigo?

Ouvem-se então as lamúrias
Das mulheres e dos mais velhos
Rezando. Lançando injúrias
Ou dando mesmo conselhos

Seus olhos estão vermelhos
Vermelhos de tanto chorarem
Mas são fiéis como espelhos
Nas lágrimas de tanto penarem

Com angústia e ansiedade
Eis que rompe um novo dia
E neste cais de saudade
Chegam lágrimas de alegria

Barcos já estão de volta
Os homens estão cansados
Mas neles não há revolta
Por estes perigos passados

O mar ficou mais sereno
Já deixou de ser feroz
Tornou-se até mais pequeno
Por não impor sua voz

Amanhã é outro dia
Nova luta vão travar
De prazer ou de agonia…
Quem poderá adivinhar?

Pescadores do meu país
Tendes raça de Camões
Tendes força de raiz
Tendes grandes corações.

© ARIEH NATSAC

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

HISTÓRIA E MONUMENTOS


HISTÓRIA E MONUMENTOS


É lindo o Minho em Bom Jesus e no Sameiro
Também Guimarães com orgulhoso castelo
Que o nosso rei, audaz, Dom Afonso primeiro
Com a conquista deu ao mundo a conhecê-lo

Em Trás-os-Montes mostram-nos antas de granito
Douro Litoral tem lindo Douro – estrangeiro –
Beleza eterna perde-se lá no infinito
Vidrado fica, e mais convicto o forasteiro

Na Beira Litoral – Conímbriga, Batalha –
Aljubarrota nossas tropas deram brado
Beira Alta, Viseu, catedral – bela talha –
Guarda fria co’a Sé – Trancoso acastelado
 
Beira Baixa apresenta-nos Castelo Branco
Também sobressai linda e a mais Portuguesa
Aldeia de Monsanto rochosa um encanto
Erguendo-se altaneira; tamanha beleza

Na Estremadura muito haverá para ver
Imponentes castelos e lindos mosteiros
Fizeram nossa história, mais engrandecer
Fazem parte hoje de belíssimos roteiros

Mosteiro dos Jerónimos, convento em Mafra
São obras tão imponentes e colossais
Do nosso orgulho hoje sentimos essa “safra”
Construídos em tempos imemoriais

Ribatejo das lezírias tão extensas
E do arruinado castelo em Santarém
Nas Portas do Sol extasiado tu pensas;
Como é maravilhosa nossa pátria mãe

Lá podes relembrar quem foi tão importante
Figura heroica da história de Portugal
Após descobrir o Brasil – o almirante –
Sepultado aqui, Pedro Alvares Cabral

No Alto Alentejo também vês história
Templo de Diana – Palácio do Ducal
E vem-nos avivar sossegada memória;
D. Jaime orgulho de nobre casa, real

Continuo, porém, narrando excelso encanto
Que podemos ver nas ruínas de Pisões
Também no Baixo Alentejo o trigo é seu manto
Contracenando com castelos e brasões

Em caravelas conseguimos dar o salto
Em Sagres – atrevimento – o mar desventrou
Infante foi o grande obreiro e o arauto
De quem p’lo mundo fora, se abalançou

Partimos sem destino, demos co’a Madeira
E com bastante funcho, em sobranceiro monte
Sobressai do resto o pico do Areeiro
Perante nosso olhar – fica mesmo defronte –

Os Açores também, azuis, logo se avistam
As lagoas realçam das sete cidades
Tantas belezas belas por lá se registam…
São registos históricos quais majestades

Descobrimos Angola também Moçambique
Tivemos que vencer gigante adamastor
P’ra que passados tantos anos glorifique
Nós chegamos à India, Macau e a Timor.

© ARIEH NATSAC

sábado, 26 de setembro de 2020

BRAGANÇA




BRAGANÇA...


Julióbriga seu primeiro nome
Também Brigância deu-lhe Augusto
Imperador Romano de renome
O sobrinho de Cesar achou justo

Destruída p’las guerras, Cristãos, Mouros
Que se digladiaram durante anos
Mais tarde Benquerença teve louros
P’ra D. Sancho I novos planos

Bragança teve honras, feira franca
D. Afonso V fê-la cidade, branca,
Dada a sua altitude e ser fria

Tem um forte castelo a protegê-la
Se for a Trás os Montes podem vê-la
E a Igreja de Santa Maria.

© ARIEH NATSAC

terça-feira, 15 de setembro de 2020

HOMENAGEM A BOCAGE




O DIA EM QUE EU NASCI 


“Homenagem a Bocage” (*)


O dia em que nasci seja louvado,
E tudo quanto existe se exalte
Para que nada ao Universo falte
E possa eu dizer que sou honrado.

Passei, a minha vida, angustiado
Entre a dor de a viver e o seu esmalte,
Naquele sonho em que sofri desfalque
Por nunca o conseguir ter realizado.

Mas eu nasci, cresci e amadureci,
Correndo todo o orbe para aprender
A desbravar, a lutar e a escrever…

Entre o sim e o não daquilo que vivi,
Ficaram versos feitos de verdade
À clara luz do esmero e qualidade…

Bocage sou – e com orgulho serei!
Aquele ser humano qu´ engendrei
De vir a ser pioneiro da Liberdade!

© Frassino Machado

In OS FILHOS DA ESPERANÇA

(*) – Bocage, patrono da «Tertúlia Poética América Miranda»


Manuel Maria Barbosa du Bocage 

nasceu em Setúbal,

a 15 de Setembro de 1765

 

JÁ BOCAGE NÃO SOU 


Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento;
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio de razão seguisse pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria.

Outro Aretino fui ... A santidade
Manchei – Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

© Barbosa Du Bocage

In RIMAS




TERTÚLIA POÉTICA AMÉRICA MIRANDA


ELMANO SADINO (*) – Hino a Bocage


Letra e música de Frassino Machado


Elmano, Elmano Sadino
Tens força de tradição
Nossa alma canta-te o hino,
Com versos do coração.
Elmano, Elmano Sadino,
És sempre a nossa canção!

És poeta nascido sobre o Sado azul
Criaste um modelo de íntegra história
Teus versos correndo p’ lo norte e p’ lo sul
São alma no povo da tua memória.

És poeta do mundo por mar e por terra
Fizeste odisseia por cidades mil
Teus versos de paz e teus versos de guerra,
Vão deste país ao distante Brasil.

És poeta vivido em justa alegria,
Nos ricos, nos pobres, sentiste equidade
Teus gestos, teus gritos em doce harmonia
Abriram caminho para a liberdade...

És poeta guerreiro, teu lema é justiça,
São limpos os cantos que atearam paixões,
Venceste os fantasmas do ódio e da liça
Morando p’ ra sempre nos fiéis corações.

© Frassino Machado

In MENSAGEIRO CANTANTE

(*)  – pseudónimo de Barbosa du Bocage

domingo, 13 de setembro de 2020

DE LISBOA ATÉ AO CABO…


Imagem: Cabo da Roca | Portugal


DE LISBOA ATÉ AO CABO…


Como te admiro Lisboa
Do alto do teu castelo
Aonde o sol te atordoa
Neste cenário tão belo

Desces vaidosa e ladina
Num andar que não ilude
E a Mouraria fascina
Com a senhora da saúde

E aqui mesmo em oração
Onde o fado é mesmo vicio
Na rua do Capelão
Nasceu Fernando Maurício

Seguindo o teu ritual
Na calçada Portuguesa
Onde o Marquês de Pombal
Te alindou com mais nobreza

De amarelo ia ligeiro
Um elétrico atrelado
Onde o comum passageiro
Andava por todo o lado

Alegria não te falta
Mesmo no escuro basalto
Anda e desanda a malta
P’las noites do bairro alto

Onde Camões e Pessoa
Não deixam de ser lembrados
Sua mística ecoa
Entre graçolas e fados

E o lisboeta sussurra
Entre as vielas de Alfama
Com muitos copos e surra
Muita gente se difama

Passo largo, co’a maré
Tem no Tejo um aliado
Cacilheiro leva o Zé
De Lisboa ao outro lado

Quando a noite desfalece
Acorda-se com um café
E muita gente aparece
Nas docas do Cais do Sodré

O dia acorda risonho
Co’o cheiro da maresia
Misturada com medronho
Que serve de anestesia

O bulício vem depois
O barulho dos motores
Onde puxam dos galões
Meliantes e doutores

Mas a cidade se espraia
No meio do sol ou bruma
Tanta calça tanta saia
Que desliza como espuma

Sob a terra ou mesmo em cima
Lá começa o desafio
Cada hora é uma rima
Cada passo um arrepio

Aparece quem trabalha
O que vai sendo tão raro
Desespero se amortalha
Porque o pão está mais caro

Cada vez há mais pedintes
Que não querem fazer nada
Já não fumam os três vintes
Preferem outra pedrada

Por uma linha se desce
Vê-se beleza sem par
No verão mais apetece
Essa mesmo desfrutar

Vem Belém lembrar história
Época dos descobrimentos
É o nosso orgulho e glória
Expressa com monumentos

Em seus jardins se passeia
Há sombra que é muito grata
Bem perto se saboreia
Os belos pasteis de nata

O encanto ainda é maior
Di-lo cético turista
Pois o mar e o seu calor
E a perícia do surfista

Carcavelos e a Parede
S. Pedro mais Tamariz
Deitar ao sol – tudo pede –
Faz muita gente feliz

Do bronze segue-se a noite
Cascais é um mar de gente
Doce brisa é seu acoite
Com um luar diferente

Dois passos mais adiante
Está a boca do inferno
Onde o mar é provocante
Co’a sua fúria de inverno

Seguindo p’la estrada fora
Vê-se a imensidão do mar
Que desbravamos outrora
Para mais longe chegar

Se o vento vem do norte
Faz da estrada um areal
Temos então pouca sorte
Levantou-se um temporal

Tudo tem sua beleza
Sem se conseguir passar
O vento montou a mesa
Com areia pelo ar

Pelos Oitavos ficamos
Onde Hildebrand encalhou
Hoje ainda nos lembramos
P’ra onde o mar o levou

Entre rochas e areais
Estas belezas eu “pincho”
Por serem tão naturais
Marinha, Abano e Guincho

Cada uma é diferente
Entre o mar e os pinhais
Mas aqui seja prudente
Porque as ondas são fatais

Foi aqui neste caminho
A quem o Camões chamou
O mais ocidental cantinho
Do Portugal que cantou

Cabo da Roca mostrou:
Finda a terra o mar começa
Um povo se aventurou
Tendo mundos na cabeça

Aqui findo esta viagem.
Quanta beleza nos toca
Desfrutando esta paisagem:
Lisboa, Cabo da Roca.

© ARIEH NATSAC

domingo, 6 de setembro de 2020

ATÉ QUE A VOZ E A MÃO, NOS DOA

 

ATÉ QUE A VOZ E A MÃO, 

NOS DOA


Neste cantinho do fado
Sinto-me bem motivado
Para uma boa desgarrada
Eu não sei cantar o fado
Pois sinto ser um bocado;
Canção da Pátria amada

Sint’ orgulho e me apraz
Pois mostro do que é capaz
Esta gente lusitana
Mesmo sem haver guitarra
O fado tem sempre a garra
E mostra-nos a sua fama

Do mundo vêm comentários
Connosco estão solidários
Gostam do nosso jeito
Fado é dor e é triste
Mas a ele ninguém resiste
Mesmo chorado a preceito

Vamos lá rapaziada
Numa inspiração afinada
O fado não é só Lisboa
O fado é de todos nós
Mesmo quando a nossa voz
A voz e a mão, nos doa.

© ARIEH NATSAC

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O PESCADOR


O MAR ESTÁ BRAVO!


Há alturas que nem o sermão aos peixes
Vale! O mar está bravo e não é de hoje!
E ir pró mar lançar a rede por uns peixes
Não está a render nada, tudo foge!

Foge o novo, fica o velho só e cansado!
A pesca artesanal é de muito risco e labor
E o turismo fez negócio enraizado,
Para a povoação ribeirinha dá calor!

Calor até demais, não há pela vista
Memória que não sue o conquistado!
Portugal de todos os mares, rei do pescado!

Há alturas que nem o pescador tem salvação!
Não há condições prá pequena embarcação,
O mar está bravo e em terra não há turista!

© Ró Mar | 2020

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

O ENGRAXADOR | "DAR GRAXA"



O ENGRAXADOR | "DAR GRAXA"


Velha profissão, que com o passar dos tempos finou, era uma arte bem sucedida, pois, todo o senhor fazia questão de passar pela banqueta do engraxador, em plena avenida faziam um brilharete.
Arte que dava valor ao calçado e à personalidade do individuo, o aspecto do sapato era meio caminho andado para uma boa postura na vida.
Os rapazitos, que engraxavam, é que coitados passavam o dia curvados, de cabeça para baixo e ganhavam uns tostões furados e muitos até andavam descalços, coisas dos velhos tempos! Também as há agora, mas, já há poucos a trabalhar na profissão e os que há são chamados de sapateiros, que também são engraxadores, mas, as condições são outras (lojas), o negócio é mais rentável, para além de fazerem concertos no calçado vendem produtos de manutenção para o mesmo.
Os engraxadores de rua deixaram memórias dos velhos tempos, que nos caiem bem à vista, as ruas estavam apinhadas de gente bem disposta. Eram aos três ou mais em cada rua da baixa lisboeta, naquela altura os senhores andavam de fato e gravata e o sapato era peça fundamental para uma boa impressão e quem vivia mais-ou-menos também ali parava, pois, também queriam fazer boa figura!
De pano no joelho, graxa nas mãos e escova aperaltada para puxar o brilho aos sapatos do freguês, estes artífices ganhavam a vida dia-a-dia, às vezes até tiravam uma boa gorjeta.
E o engraxador da fama de "graxista" não se livrava, poliam os sapatos e o senhores ficavam com o ego em grande, por isso se chama de bajulador a alguém que dá graxa, ou seja, sempre que se elogia alguém lá vem o velho pensamento "dar graxa". E é o que nos resta dos inúmeros engraxadores que havia, memórias muito vivas e fotos daquela época (séc. XIX), pois, a moda do calçado foi bastante alterada, adaptando-se a novas realidades, sendo que o sapato desportivo é muito mais prático, tornou-se comum, não requerem graxa, muitos até são laváveis na máquina de lavar roupa, o que veio a tornar cada vez mais esta profissão um biscate de muito pouca monta.
Ainda subsiste a critica à sociedade na expressão "engraxar", embora hoje em dia não se pratique muito. Os tempos mudaram e com eles mudaram as vontades! Os contemporâneos fazem mais criticas do que elogios e quando fazem elogios lá está, está-se mesmo a ver, estão a "dar graxa", esta expressão está ainda muito presente e sem duvida que faz sentido, pois, muitos dizem bem ou fazem algo com a intenção de receber algo em troca, ora se isso não é "dar graxa" é o quê? Poucos são os que têm o sentido apurado para um brilho natural e sabem dar o valor ao que é devido!
Contudo, dar graxa aos sapatos é algo que devia de ser tão natural como nos velhos tempos e o elogio devia de ser estimado como bem essencial (quando sincero) para proliferar as relações interpessoais.

BRAGA


BRAGA


Tens título de Roma Portuguesa
E também és cidade de arcebispos
Jardins, praças, igrejas com seus bispos
E Sé bordada a ouro uma beleza

Por ela passa a via Santiago
Que levava ao seu sítio peregrinos
P’la Porta Nova com comuns destinos
Mas cada um levando o seu orago

Cidade do barroco em Portugal
Foi Bracara Augusta imperial
Implantada na zona do Gerês

Sua gastronomia bem se traga
*O malcriado abaixo vai de Braga
Assim o mandam no melhor Braguês.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

PRAIA DE ALMOGRAVE


PRAIA DE ALMOGRAVE


As rochas saíam do mar
Como imponentes castelos
Fazendo minha imaginação voar
Pelos sítios mais belos

Sua cor um verde escuro
Como feitas por um escultor
Projectando para o futuro
A imagem para um pintor

O mar rebentando as ondas contra elas
Ornamentando como linho arrendado
Tornando-as ainda muito mais belas
Como fascinante colar de pérolas colocado

Por fim chegou o final deste dia
Subi as escadas com dificuldade
Levo na minha mochila esta poesia
E com o coração cheio de saudade

© Paulo Gomes

terça-feira, 11 de agosto de 2020

AÇORDA DE COENTROS




AÇORDA DE COENTROS


O português é freguês,
Broa no que toca ao pão
E ninguém lhe tira a vez;
No que toca a confecionar
Faz açorda de coentros.

I

Trigo, milho, centeio,
Aveia e mais cereais,
Sementes e outros mais
Que eu tanto saboreio;
Fornadas que recheio
Com os olhos que vês
E a barriga que Deus fez;
Coisa boa este naco...
Farinha de todo o saco,
O português é freguês!

II

E eu alfacinha de gema
Confesso que o da Capital
Não me é substancial;
O de mistura é meu lema
E dá gosto ao tema...
Quando quente é paixão
E derrete o coração
Manteiga desta miúda...
Que gosta de coisa graúda,
Broa no que toca ao pão!

III

O saloio é do melhor
E tem mais que paladar,
Dizem que faz engordar!
Na espiga há mais amor
E na gastronomia é flor,
No céu da boca se fez
A receita do português!
O segredo do padeiro
Tem dedo de pasteleiro
E ninguém lhe tira a vez;

IV

O Moinho que dê pedaço
Ou a lenha das aldeias
Portuguesas dê ideias;
Na minha terra as amasso
Até me doer o braço,
Depois deixo levedar
O tempo que se precisar,
Ao enfornar a bênção
Pra cozer e crescer são,
No que toca a confecionar.

V

Se é pão d' água ou de leite
Não é relevante, pode ser
Tudo que dê prazer comer!
Se é pão de forma, cacete
Brasileiro ou baguete
É banquete e aos quartos
Tostado cozinha pratos:
Aperitivo ou lagostas?
Cheio de miolo e côdeas
Faz açorda de coentros.