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sexta-feira, 29 de abril de 2022

"ABRIL | AMENDOEIRA"




DESAFIO POÉTICO: "ABRIL | AMENDOEIRA"


*

AMENDOEIRA EM VERSO


Primavera chuvosa tem outra vida,
Abril regado, Páscoa abençoada
Pela família, alma alva, renascida,
Mimo da natureza, Flor venturosa.

A timidez do Sol declara paixão,
Que promete ser grandioso amor,
Lê-se nas faces rubras dum coração
De sorriso rasgado, libertador!

Os dias crescem no leito, que cochila
Naquele olhar campestre, níveo-rosa
Desfilando em romaria até à Vila!

Vento frutífero, árvore frondosa,
Celestial, devaneio da pupila,
Amendoeira em verso, maré de prosa!

© Ró Mar 

*

EM ABRIL É PRIMAVERA


Em Abril é primavera
Jorram águas p’los montes
É espera noutra espera
Valha-nos Deus quem me dera
Ver uns novos horizontes

Com flores de amendoeira
A lembrar gelo passado
Mas quebrou-se a rotineira
De ver tanta pasmaceira
Ai jesus seja louvado.

Quem cava a terra seus chãos
Vai abaixo, vem acima
Tem na ideia um irmão
Que nem sempre tem razão
Semente que não germina

É como flor tão bravia
Que no agreste se entrega
Gestação fraca e tardia
Que seu caminho arrepia
Ousado e muito brega

Contra o tempo é resistente
Suporta uma mascarilha
Leva tudo no batente
Rasteja como serpente
Vai num barco sem ter quilha

Sempre tão bem perfilado
É um homem indefeso
Vai sentir-se apavorado
Quando cair para o lado
Numa teia fica preso

Nunca se dá por vencido
Faz lembrar um gajeiro
Passa ao lado sem sentido
Mesmo sendo preterido
Julga-se ser o primeiro.

© ARIEH NATSAC

*


© Lúcia Ribeiro 

*

SE A PAZ SE FOI EMBORA


Já não sabem onde moram, e já perderam o norte
É tão grande o desnorte, que de vergonha até choram
Entregues à sua sorte
Os meses estão a passar, os anos já vão pesando
De tudo se estão a fartar, já perderam o comando
Para se orientarem
No calendário do tempo, se foi o mês de Abril
Só lhes resta o lamento, que lançam a mais de mil
Nas desfolhadas do vento
Capitães lançaram chamas, num mar de tempestade
Apagaram-se com a idade, e em lágrimas se derramam
Como símbolo da saudade
Se a paz se foi embora, saiu pela porta fora
Procurando novos caminhos, sem saber se a encontram
Pisando tantos espinhos
As casas estão fechadas, e as janelas tristonhas
Amendoeiras estão desfolhadas, parecem coisas medonhas
São verduras assombradas
Filhos se desconhecem, foram levados para longe
Pensam que adormeceram, no silêncio amanhecem
E do país se perderam
Ai como tudo é diferente, até perderam o falar
Andam à toa sem verem gente, para um sorriso lhes dar
Vão vegetando tão lentamente
Que se sentem a delirar.

© ARIEH NATSAC

*

A VIDA


A vida tem pressa.
Nessa sofreguidão sucedem-se abris!
A compasso, desponta impaciente a amendoeira.
Pergunto-me porquê a urgência?
O meu abril longínquo ensinou-me que não há que a precipitar;
O futuro se encarregará de a devolver!

© Rosa A. Domingos

 *

CALEM-SE…


Calem-se todos. Menos aves e as fontes
Que soprem os ventos nas florestas
Vejamos límpidos horizontes
Façamos na vida muitas festas

Calem-se as vozes dos algozes
Que atiram palavras como metralha
Levantem-se nas marés cascas de nozes
Afundem-se os vapores da escumalha

Calem-se os cães que usam gravata
No canil onde escolhem osso
Indo procurar ao fundo de muita lata
Quando rosnam põem tudo em alvoroço

Calem-se os arautos da pouca sorte
Da seara seca e sem trigo
Num ondular sem verde que é suporte
Sem voltarmos ao tempo antigo

Calem-se os profetas que sabem tudo
Que a hora vai passando lentamente
Onde os minutos são apenas escudo
Um pano quente

Calem-se os amigos do bolso alheio
Vivendo no mundo em comunhão
Montados num cavalo sem freio
E mais tarde ou cedo vão ao chão

Calem-se os de abril sem ver ABRIL,
Que vivem num mundo estrangulado
Continuam construindo o seu canil
Ladrando num atoleiro amotinado

Calem-se os outros que vão ao fundo
Procurando meios hábeis e subtis
Abrindo cicatrizes no seu mundo
Vincadas nas mazelas sem verniz

Calem-se os diabos e os santos
Leem todos na mesma cartilha
Embora AMENDOEIRAS sejam cantos
Esqueçam o missal e a forquilha

Calem-se Adamastores inda presentes
Façam-se ao mar como Bartolomeu Dias
Neste mar com novas correntes
Acalmar novas tormentas, sem orgias

Calem-se os bruxos e os fariseus
Não queiram dar cabo do que louvo
Não escondam vozes livres entre véus
Com rezas que atrofiem mais o povo

Calem-se os medos e as preguiças
De avançar sem ter destino
Descolem-se as coisas pegadiças
Façamos da atitude nosso hino.

© ARIEH NATSAC

*

ABRIL TEM MIL E UMA FLORES


Abril tem mil e uma flores
E um brilho no luar,
Que acorda Lisboa e arredores
Em cravos multicolores
Daquele perfume impar!

Tem amendoeiras com flores
Rosas e brancas no olhar
E um coração de amores,
Que é delicia de escritores
De pena fina p'ra voar!

© Ró Mar 

*

DUAS CORES NOVA HISTÓRIA…


Amendoeira flor branca
De pureza sem igual
De um mês foi alavanca
Do abril em Portugal

Mas foram cravos as flores
Que foram flores do povo
Libertou as suas dores
Num despertar que foi novo

Amendoeiras flores da paz
Num abril, criou raiz
Com a força de ser capaz
De mudar e ser feliz

Gente gritou bem alto
Tirou algemas do medo
Foi neste dia o arauto
Nova história outro enredo.

© ARIEH NATSAC

*

NO MEU PAIS PRESENTE…


Fiz um castelo no ar
Com ameias cor de vento
Cantei versos ao luar
Com estrelas de embalamento

Tive princesas errantes
Tendo as mãos cor de rosa
Seus olhos eram brilhantes
Suas bocas eram prosa

Suspiros de fim de tarde
Na ponta do fim do mundo
Na lonjura que ainda arde
Num terreno que fecundo

Tendo os gemidos na voz
Horas vivas com o cio
Caverna de um tempo algoz
Onde desagua um rio

São pedras que não atiro
Nos meus jogos florais
Reserva como retiro
Que me esconde nos seus ais

Seca meu pranto de neve
Amendoeira que aflora
Pesadelo que nos deve
Deixar ir, e sem demora

A noite faz ponto cruz
Dum novelo feito lua
Carne ardente de luz
Toalha que apazigua

No meu castelo incendeio
A corrente que me agarra
Um abraço onde permeio
A escassez em que se amarra

Minha amiga, minha flor
Terraço onde não caio
Soltei pássaros de dor
Com passos de abril e maio. 

© ARIEH NATSAC

*

"ABRIL | AMENDOEIRA"
Autores: ARIEH NATSAC, Lúcia Ribeiro,
Ró Mar e Rosa A. Domingos


*

Sonetos do Universo | Abril de 2022

domingo, 6 de setembro de 2020

A RODA DA ESPERANÇA




A RODA DA ESPERANÇA


Quando o tempo é incerto a estação 
É outra, queria eu que fosse primavera!
A vida vai rolando numa ilusão,
Porque ainda há esperança e quimera.

A tendência de florir o inverno
É tão natural quanto esta nota,
Que o movimento não se denota
E de mansinho preenche o caderno.

E levemente sobre o verde prado
A vida vai rolando uma mudança,
Porque ainda há vontade de ser amado.

E a natureza ganha confiança
Reflectida num poema perfumado,
Deslizando a roda da esperança.

© Ró Mar | 2020

domingo, 16 de agosto de 2020

AH, CHOVE, CHOVE!




AH, CHOVE, CHOVE!


Ah, chove, chove! Chuva miudinha,
Que rega a natureza e traz riqueza
Ao planeta e à nossa vidinha
E gota a gota vai nossa tristeza!

São lágrimas divinas nas entrelinhas
Da folha dum tempo, que de certeza
Nos dão bons rebentos! Ah, molhadinhas
De céu têm sempre outra beleza!

Fruto de verão não é e d' outono
Também não, será o inverno dono
Do rio qu' enche abril de primavera?

Ah, chove, chove! Maio no mês nono?
Flor neste tempo ao abandono
Em letra miudinha tal quimera!

© Ró Mar 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

AS CINCO ESTAÇÕES!

 


AS CINCO ESTAÇÕES!


Há uma manhã em cada primavera
E uma tarde em cada verão!
Uma noite d' outono, quem me dera!
E de inverno que bom um serão!

A luz do dia confunde-se com a da noite,
O chá deixou de ser às cinco da tarde
Porque o dia abruptamente é noite
E o verão é ao serão a saudade!

As cinco estações!

Por mais voltas e reviravoltas
Que haja as estações são no tempo,
Contudo perdem o sentido do tempo,
Que não há meio de abrir portas!

Abrem as janelas desconcertadas
Em meio-dia de existência
Até que a vela acabe as madrugadas,
Pois, o amanhecer está longe da ciência!

As cinco estações!

Correm-se as cortinas do ano
Em meio-século de existência,
Sem querer passar mais um outono
Ao desnorte só resta a paciência!

E quando chegar o inverno
Que seja o tempo de ficar à lareira,
À conversa com a gente caseira
Até que lá do cimo toque o sino!

As cinco estações!

Às doze badaladas canta o galo,
O dia de Natal a chegar, quem me dera!
E logo de manhã cedo o regalo
É de viver mais uma primavera!

A luz do dia a perpetuar pela noite,
O chá servido às cinco da tarde,
Miraculoso, o dia deixar de ser noite
E o verão qualquer dia ser felicidade!

As cinco estações!

Abrem as portas ao pipilar da passarada
E é mais um dia pela existência
Até que a lua adormeça a madrugada
E o amanhecer longe de ser alquimia!

Abrem-se as cortinas do novo ano
Em um século de existência
Sem querer acordar para o engano,
Pois, só resta o sonho e essência!

As cinco estações!

Ao meio-dia outro galo canta,
Um dia alegre de Sol, quem me dera!
E à noitinha o luar que desperta,
É de viver mais uma primavera!

E uma tarde em cada verão!
Uma noite d' outono e d' inverno
Que bom viver um serão por ano!
E este tempo mais uma estação!

As cinco estações!

sábado, 20 de junho de 2020

O VERÃO!


O VERÃO!


Eis que o verão vem pra a vida desenhar
Em traços d' esquentar a frieza que tem
A natureza só, a dor de não estar,
Época de ninguém, só e triste também!

Entre as linhas de cor pálida da estação
Que parte o coração, só e desconsolada,
Sobrevoa o amor! Dói tanta solidão
E primavera é flor para ser amada!

Eis que o verão vem dar mais cor à vida,
Em cada um pintar a terra de alguém,
Numa mão calejada dum' alma inspirada!

Entre ele e nós está a vera tela dos sós,
Que no silêncio serve a arte que tem
E volve o estio que dá corpo à voz!

sábado, 11 de abril de 2020

O MADRIGAL DAS ROLAS




O MADRIGAL DAS ROLAS  


Fluem meus passos através da orvalhada
Na indecisão da ténue e branda claridade
E ao som do arrulhar das rolas da calçada
Acabei atenuando os meus ais d´ ansiedade.
Por entre os verdes arvoredos do calmo bosque
Fez-me bem esta descontraída caminhada
Que reavivou em mim um salutar retoque
Para cuidar duma terapia apropriada.

Vestido de silêncio, logrei fruir, e bem
Este meu madrigal que, por ora, me retém…

O sol anda vadio e não revela o rosto –
Aquele rosto que todos os pássaros veneram –
Mas as cantantes rolas gozam a contragosto
O primaveril prazer que ainda não tiveram.
Ao meu lado, caminha a brisa baloiçante
Que noutro tom vai sussurrando suavemente
Uma ária de saudade longa e deslumbrante
Que sobe do meu corpo e bate à minha mente…

Ai rolas, ai rolas, deste madrigal singelo
Trazei o vosso canto para o meu castelo!

© Frassino Machado
In INSTÂNCIAS DE MIM

MINHA DOCE ROSA RUBRA


Imagem: Merveille du monde 2


MINHA DOCE ROSA RUBRA


Minha doce Rosa rubra
Tenho um verso para ti,
Níveo Mar, ah, que cubra
O que a musa viu em ti!

Minha doce Rosa rubra
Aceita meu coração,
Ah,'Rosácea' deslumbra
A alma duma paixão!

Ah, botão de Mulher...
Que o vento vislumbra!
A primavera a nascer,
Minha doce Rosa rubra.

domingo, 5 de abril de 2020

ESPERANÇA DE ABRIL


Obra do pintor polaco:
Ladislas Wladislaw von Czachórski


ESPERANÇA DE ABRIL


Os teus olhos vivos cor de ciúme
Beijam ávidos a nova primavera
Que destila no soneto o perfume
Fragrâncias, divinas de outra era

Agora! És a mulher, sábia e bela
Lembrança desse jardim proibido
És, pintura delicada de aguarela
Resgatada no éden já esquecido

És volúpia, transparente e subtil
Escondida no teu invólucro mortal
És beleza radiante do mês de abril

A cor rubra dos cravos de Portugal
Reduto de esperança que vi, em ti
Cada ser, mais humano, mais igual

terça-feira, 31 de março de 2020

"LIMPAR A QUIMERA"




TEMPO DE MITIGAÇÃO  


“Limpar a quimera”


Em tempo de mitigação
Deste cataclismo vigente
Há que racionar a emoção...
E colocarmo-nos frente a frente
Na quarentena da contensão
Para qu´ o mal não chegue à gente!

E para que, de facto, não chegue
Arredem-se os colaterais
Males, e que a alma sossegue.
Virá o tempo da água clara
Da original fonte de cristais
Que tudo, mesmo tudo, sara!

Que há males que vêm por bem
Di-lo a popular sabedoria,
Ainda que a Páscoa se contém
E, ademais, resta-nos a nostalgia
Donde a Mitigação nos vem
Preparando um´ outra harmonia.

Mitigação, um tempo de espera,
Um tempo certo de renovo
Para a segura Primavera.
Importa limpar o estorvo
E remover toda a quimera
Para consolação do povo!

© Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

sexta-feira, 20 de março de 2020

P R I M A V E R A


Imagem: Beautiful world. Nature, love, art.


P R I M A V E R A


      Primavera que trazes no olhar lágrimas de Abril és: verde maio em flor;

      Rosa do meu beiral que teima em florir o universo;

      Incenso duma bonita estação a propagar amor;

      Mimosas que trepam num muro de abismo e dor;

      Amor-perfeito poluído pelo rio da minha cidade;

      Violetas de todas as cores sonhando liberdade;

      Esvoaçar do meu quintal; jarros brancos; meu verso

      Rodopiando o equinócio, sem querer confundir

      A quimera que vem com vontade de partir.

sábado, 14 de março de 2020

REGRESSO


Ilustração: Obra do artista austríaco Cristian Schloe


REGRESSO


As andorinhas graciosas e viajantes
Regressam tristes e vestidas de luto
Vêm das terras longínquas distantes
Abençoadas plo céu divino impoluto

Que o mundo cante agora em coro
Cânticos sublimes em vosso louvor
Bebam as lágrimas deste meu choro
Abençoem a natureza agora em flor

Oh! Como desejo que esta quimera
Perpetue como um sonho, sem fim
E o perfume destilado na primavera
Caia, sobre este mundo e sobre mim

Voltaram ágeis, subtis, tão discretas
Para quebrar esta soturna nostalgia
Alegram a alma secreta dos poetas
Com seus voos mágicos de poesia

Com palavras celebro seu regresso
E a Primavera por nós tão desejada
Num mistério contido em cada verso
Exalto, estas aves de matriz sagrada

É incrível como as belas andorinhas
Exercem em nós grande fascinação
Louvei-as, com estas singelas linhas
E voo com elas para nova dimensão

© Joaquim Jorge de Oliveira

sábado, 7 de março de 2020

AS PRIMAVERAS DE MARÇO!


Imagem: Bellissime Immagini


AS PRIMAVERAS DE MARÇO!


Mais um Mês se passou
e em Março nos deixou,
numa Manhã invernosa,
há que pôr Mestria à prosa!

Mês que brilha à tardinha
e Magica ao serão
a Moça e a Madrinha,
nó de Moer coração!

Mulheres bordando dias
com as linhas Mescladas
do Mês de trinta e um dias,
as Mãos de grandes fadas!

Marias de todo o universo
que fazem do Mês abraço,
Maviosas de Meu verso,
as primaveras de Março!

© Ró Mar  

domingo, 1 de março de 2020

MÊS DE MARÇO




MÊS DE MARÇO


Chegaste oh! mês de Março
Espero que, a esperada lua
Que para o bem e o mal se espera
Marçalina te chamaram, assim
Trás-nos tudo de bom e seremos tua

Quando surges numa noite linda
Que teu brilho é cintilante,
Gostamos mais de ti ainda,
Março, tens o dia da mulher
E fazes dela um ser deslumbrante,

Março mês muito grande e belo,
Tens o dia dos pais, a dezanove,
Para os filhos um grande elo,
Chega a Primavera que envolve
O lindo florido dos campos suas cores
O verde o roxo, vermelho e amarelo,

O mês de todas as flores, a Primavera,
Que saudade tenho dos teus dias de sol,
Março tens brilho em todo o teu colorido,
Todas as flores para mim fazem sentido,

Chegou o Março, o tal Marçagão
Que nos pode surpreender,
Com excelentes dias de verão
Ou até com um mês inteiro a chover
Depende de ti oh! lua Marçalina
Aquela hora, em que vais nascer!!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

"AS QUATRO ESTAÇÕES"


Fotografia de Ró Mar


"AS QUATRO ESTAÇÕES"


A vida é a natureza
Das quatro estações,
Com janelas bem abertas
E uma única porta,
Que se fecha de repente,
À saída do planeta!

No ciclo normal da vida
A primavera é eleita,
Quiçá o viscoso frescor
Lhe dê o nobre estatuto!
Quem não gostaria
De ser seu olor perpétuo?

Contudo, as rosas são belas
E também têm espinhos!
Como tudo nesta vida,
A primavera também
Tem razões p'ra ser triste,
Quando a desnorteiam!

A juventude que somos
É o primeiro estádio
Num universo secundário
Que por sua vez é o
Primeiro de nossas vidas,
A natureza de cousas!

Na temática luminosa
"Natureza" consta que
Salta a olho nu aquelas
Puras poesias, porque
Ela é musa formosa
Em qualquer das estações.

No meu coração é
A beleza natural
Que ano após ano
Idolatro, em qualquer
Época e circunstância,
Inclusive no inverno.

Todas as quatro estações
Têm um dom de beleza,
Mas, a minha predileta
É a flor alva de maio,
A natural primavera
Até a porta fechar!

Contudo, sou um outono
Delineado em tom
Vivo, porque o viver
Não é idade, ainda que
No inverno de edredom,
Amarei um outro verão!

Caminho de passagem
Olhando ao segundo
O que de melhor há nelas
["As quatro estações"],
Porque minha natureza
É natureza de cousas.

© Ró Mar 

sexta-feira, 26 de abril de 2019

SEMENTE




SEMENTE


semente
na terra fértil
socalcos do arado
seara ondulante 
ceifeiras de saia rodada
trigo dourado
o pão na mesa
por Deus abençoado 

semente
botão a desabrochar
jardins floridos
pétalas perfumadas
abelha a polinizar
borboletas azuis 
danças ao sol
primavera 
por Deus anunciada

semente do amor
mulher, esperança
no estio da vida
feto fecundo 
filho no ventre
alento no peito
choro de gente
vida
por Deus concebida

sapiência
sementes de ontem
que secaram
pouco a pouco
no silêncio da terra
pés feridos 
nos caminhos
incertos da vida
corpos exaustos
desejos mortos
ponteiros parados
nas horas loucas
lágrimas vertidas
gritos de dor
tocam os sinos
e a semente 
é lançada à terra
para todo o sempre
paz eterna
Deus cuidará 
eternamente

© Lurdes Rebelo

DESEJOS DE ABRIL


Ilustração obra de: Jesus Helguera


DESEJOS DE ABRIL


Neste dia lindo de abril.
Exalto o teu doce olhar,
Sinto o meu corpo febril
E um desejo de te amar.

Nesta manhã primaveril,
Lembra-me a liberdade.
E, esse teu feitiço subtil,
Revelando a eternidade.

Aonde tudo se perpetua,
Muito além do nosso ser
E o brilho perene da lua.

Deslumbra ao escurecer
E, a minha alma e a tua,
Deslumbradas de prazer.

© Joaquim Jorge de Oliveira
 

sábado, 13 de abril de 2019

ESPERANÇA DE ABRIL


Ilustração obra de Lee Bogle


ESPERANÇA DE ABRIL


Os teus olhos vivos cor de ciúme.
Beijam ávidos a nova primavera,
Que destila no soneto o perfume,
Fragrâncias, divinas de outra era.

Agora! És a mulher, sábia e bela.
Lembrança desse jardim proibido,
És, pintura delicada de aguarela,
Resgatada no éden já esquecido.

És volúpia, transparente, e subtil.
Escondida no teu invólucro mortal,
És beleza radiante do mês de abril.

A cor rubra dos cravos de Portugal,
Reduto de esperança que vi, em ti.
Cada ser, mais humano, mais igual.