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terça-feira, 21 de março de 2023

QUADRAS | SANTOS POPULARES




DESAFIO POÉTICO: "JUNHO | QUADRAS POPULARES"





FORÇA DA TRADIÇÃO


Santo António, és o primeiro
Dos três santos populares
És o santo casamenteiro
Que alegra os nossos lares

Tens tal fama no teu dia
Que toda a bela cachopa
Só pensa com alegria
Em queimar uma alcachofra

Santo António, Santo António
Dá me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Rapazes e raparigas
Dancem e cantem sem parar
As vossas belas cantigas
Para toda a gente alegrar

Cada marcha que aqui passa
É um bairro e um pregão
Que enfeita e dá graça
E mais força à tradição

Santo António, Santo António
Dá-me um arco e um balão
Santo António, Santo António
Vem prender meu coração

Santo António, Santo António
Vem saltar uma fogueira
Santo António, Santo António
Vem brincar a noite inteira

Esta Lisboa velhinha
Que de ti se enamorou
Fizeste dela a rainha
Que o povo acarinhou

Vosso par ficou eterno
E durante o mês de Junho
Renasce um amor mais terno
Nessas noites como um sonho

© ARIEH NATSAC




AOS SANTOS POPULARES



Chegado o mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

Nas ruas há animação
E não faltam manjericos
P'ra entoar no coração
A música dos bailaricos!

António de Lisboa,
Meu Santo milagroso,
Casai a rapariga boa
Com um moço bondoso!

São João, lá do Porto,
Trazei-nos vinho prá boda
E verão p'ra conforto
Do luar de roda em roda!

E, cansados de dançar
Que nos valha São Pedro
Para a fogueira saltar
Até à sombra do cedro!

A chave, entre o arvoredo,
Duma casa caiada
De branco, de manhã cedo,
Para ser nossa morada.

Nas casinhas há harmonia
E não faltam manjericos
P'ra dar à janela poesia
De cheirinho a namoricos!

No fim do mês de Junho
Há alegria nos olhares
E quadras que rascunho
Aos Santos populares.

© Ró Mar




“Festas Populares 2022”


Mês de junho, mês do povo,
Mês dos Santos Populares,
Pelas ruas nada de novo
Muito menos nos altares.

Cascatas de Santo António
Enfeitadas com balões
Manjericos património
E uma cesta prós tostões.

Santo António e São João
Com brincadeiras finas
Vão jogando de mão em mão
Coloridas serpentinas.

Não acha graça São Pedro
Aos alhos-porros famosos
Mas guarda-os em segredo
Dos olhares cobiçosos.

Festas Populares são assim
Singelas e sem intrigas
Que o diga o Benjamim
Sempre atrás das raparigas…

Com sardinhas ou bifanas
Todos querem petiscar
Há tintol prás carraspanas
E caldo-verde a fumegar.

Mês de junho, mês do povo,
Mês pequeno, mas com graça,
Todos gozam, sem estorvo
Pelas ruas, em cada praça.

Mês do povo, mês de junho,
Mês de todas as primícias,
Boas-Festas, testemunho
Coisas belas, oh delícias!

© Frassino Machado




LISBOA PRIMEIRA


Na noite de Santo António
Nas escadas, nas vielas;
Pressente-se matrimónio,
Nos olhos, nas piscadelas.

Belo é ver remexer
Se alusão ao namorico;
Há cartãozinho a benzer
No cimo dum manjerico.

No pão, assadinha sardinha
Pede depois de bailar;
Que sirvam boa pinguinha,
Num copo pra acompanhar.

Lisboa é a primeira
Dos Santos na tradição.
Pra que pronta a sementeira,
Segue os Stos Pedro e João.

© RAADOMINGOS




Santos populares


Santo António, São João
Protegei-lhe por favor
A bem do meu coração
Os passos do meu amor

Pelos bairros a saltar
Toda a noite e mais meu bem
Fartei-me de o beijar
Ele beijou-me também

Que boa rusga fizemos
De mãos dadas a correr
O festival que nós demos
Todos o quiseram ver

A nossa alma salta e canta
Nas rusgas do São João
Cada cantinho encanta
Canta o nosso coração

© Custódio Montes




MARCHAS…


Lá vai Lisboa a marchar
Com fatos de multicores
Andam no ar mil odores
Cheira a santo popular

Desfila-se na avenida
Soam cânticos p’los ares
Todos ligeiros os pares
Felizes da sua vida

Cada bairro faz figura
P’ra manter a tradição
Com amor no coração
Desta gente humilde e pura

Rapazes e raparigas
Mostram todo o seu valor
Na beleza no esplendor
Na garra de umas cantigas

Vem p’ra rua toda a gente
Também gostam os turistas
Acompanham os bairristas
De uma maneira diferente

Desde Alfama à Madragoa
Do Bairro Alto a Benfica
Mas em casa ninguém fica
Para ver passar Lisboa

No dia treze de junho
Santo António dá-lhe a mão
Como manda a tradição
Passando-lhe o testemunho

Marchas já há este ano
Covid tudo mudou
O povo não desfilou
Naquele passeio urbano

Nossa prisão foi marcando
Lisboa perdeu a cor
Deixando um rasto de dor
Pandemia desfilando

Santo António nos libertou
Temos de volta a cidade!
Deu-nos nossa liberdade
Solidão em nós acabou.

© ARIEH NATSAC



 

HÁ NOVAS MARCHAS NAS RUAS


Já te vestiram de tudo,
O teu pranto cantaram.
És generosa pra estudo,
Tanto em ti se inspiraram.

Já te calçaram chinelas,
Sapato fino, outros mais...
Nas pernas tuas canelas,
Te adornam pros arraiais.

Na ligeireza do passo,
Deixas os olhos pousar.
É deles o teu compasso;
Sua, a tua verve amar.

Na esbelta cintura dedos,
Decifram a tessitura.
Qual a fase nos segredos,
Quando pronta a partitura.

Nesse doce encantamento,
Santo António fez das suas.
É claro o enamoramento,
Há novas marchas nas ruas.

© RAADOMINGOS

 
 
 

COSTUME DE LISBOA


Varinas tem no andar
Manjericos na lapela
Vai Lisboa namorar
No mais lindo barco à vela

Remam asas de gaivota
Flutua nos braços do Tejo
Levando o cheiro da lota
A brisa manda-lhe um beijo

Junto ao cais a baloiçar
Tem costume de adormecer
Vê Santo António bailar
As suas sete colinas
As suas lindas meninas
Que o estão a proteger

Durante a noite o luar
É o seu lençol de espuma
Que a sabe alindar
Como se fosse uma pluma

Ele contente e feliz
Sonha com a sua história
E quando passa bem diz
Seu orgulho de vitória

© ARIEH NATSAC



      

TRONOS DE SANTO ANTÓNIO


Lisboa tem tradição
Pelas ruas e vielas
O cheiro a manjericão
E das sardinhas capelas;

Há grinaldas de flores,
Lanternas, balões e mais
Feitos de papel de cores
Garridas prós arraiais.

Lisboa tem património
Pelas montras e janelas
Tronos de Santo António
Chamariz prá ginga delas;

Há caldo verde, bifanas
Chouriço assado e vinho
Que engorda as trezenas
Do seu Santo Antoninho.

Lisboa menina do Tejo,
Sete saias a marchar,
Lava as vistas no cortejo
A António e vê-se casar;

Há andores e tambores,
Seda e chita colorida
P'ra conquistar amores
E saudade à despedida.

Lisboa tem arte e oficio
Pelos bairros típicos,
O fado honra o solstício
De verão com namoricos;

Há alegria e multidões
Pelos Santos populares
E Amália nas canções
A avistar todos os altares.

© Ró Mar


 


UMA MARCHA PARA ALCÂNTARA


Alcântara passas brejeira
De mansinho a dar ao pé
Saltas em qualquer fogueira
Mostrando um ar sem ralé

Vais formosa como sempre
Aqui ninguém te segura
Vens dizer a toda a gente
Que não há gente mais pura

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passas a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Teve a rainha do fado
D.ª Amália foi a dilecta
Cantou-o por todo lado
De uma forma bem discreta

Alcântara é um rosário
De penas por desfiar
É tão grande o seu Calvário
Que o foram lá deixar

Vives junto à beira-mar
Com os pés assentes na terra
Com seus modos de encantar
Passa a vida a cantar
O que a tua beleza encerra

Nem Camões foi esquecido
Tem aqui a sua rua
Neste bairro onde é merecido
E os Lusíadas sempre ouvido
Na boca de qualquer pessoa

Tens a ponte sobre ti
E toda a gente que passa
Olha do alto e sorri
Extasiada com a tua graça

Passam para lá do Tejo
 Com Santo Amaro a vê-los
Lançando-lhes um terno beijo
Para sempre protegê-los.

© ARIEH NATSAC
 
 


JUNHO É LISBOA EM FESTA


Junho é Lisboa em festa,
Santo António vai á Sé
E ao município, nesta
Maravilhosa tournée;

Após o matrimónio
Desfilam pela Avenida
As noivas de Stº António
E as Marchas dão-lhe vida!

Noite de Santo António
Leva Lisboa ao céu
Compõe o aniversário
Do padroeiro a tropel!

Amália é mote forte
E os bairros badalam
E marcham a sua sorte
A ver o que conquistam!

O júri é soberano
E a mais linda da Avenida
Vai ser coroada este ano
E por todos acolhida!

Noite longa e calorosa
Que abre as portas ao verão
Com muita música e prosa
Ao luar do manjericão.

Junho é Lisboa em festa,
Santo António é a Fé
E com alegria nesta
Vai de chinela no pé!

© Ró Mar




QUERO VER VIVA LISBOA…


Quero ver viva Lisboa
De Alfama à Madragoa
Bem juntinha à beira rio
Mostrar-se fresca e ladina
No seu porte de menina
Que lá no alto surgiu

Tem as honras de rainha
De um castelo foi madrinha
E de um povo que bem lhe quer
Por ser nobre e azougada
Para a farra foi fadada
Vai numa marcha qualquer

Tem seu santo padroeiro
Que o nosso rei primeiro
Quis que fosse S. Vicente
Quando conquistou Lisboa
Embora muita gente boa
Tem Santo António em mente

É santo mais popular
Põe o povo a cantar
É também casamenteiro
Dá mais brilho à cidade
Festeja-se em liberdade
E Lisboa tem outro cheiro.

© ARIEH NATSAC




Autores: ARIEH NATSAC,  Custódio Montes, Frassino Machado, 
RAADOMINGOS e Ró Mar

 

Ilustração: Fotografia © Ró Mar | 2022

terça-feira, 30 de junho de 2020

SÃO PEDRO DO TOURAL


SÃO PEDRO DO TOURAL 


Santuário da minha meninice,
Viagem conjugada com meus pais,
Cidade-berço ornada de latinice
E ao ritual dos sons dominicais.
Horário nobre, em nobre fantasia,
Ouvindo as homilias inacabadas
No despertar do coro e da magia
De belas melodias requentadas.

As doze badaladas do Toural
Dando notícia ao «ite missa est»
Abriam apetite conjuntural
Pr´ à ida ao bom café e ao jornal.
E a acompanhar o lídimo arcipreste
Cavalheiros e madamas, o habitual.

Só depois os pequenos, aos apelos
Dos vendedores de rua ocasionais,
Trocavam seus gostosos caramelos…

E, em festejos, e apostas informais,
São Pedro, regateando com desvelos,
Aviva em nós memórias ancestrais!

© Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA E DO MEU PAÍS

segunda-feira, 29 de junho de 2020

ORAÇÃO A SÃO PEDRO


ORAÇÃO A SÃO PEDRO 


Mote: de Abel Cunha


“São Pedro, na hora incerta,
Uma só coisa preciso:
Ter a tua porta aberta
Para entrar no Paraíso.”

Glosa


Nesta vida, conturbada
Pela maldade completa,
Quem ouve oração rezada?
São Pedro, na hora incerta.

Eu não sou rico nem pobre
Estou de perfeito juízo,
Ó meu São Pedro, tão nobre,
Uma só coisa preciso:

Tu tens poder e bondade
Ouve minha voz, em alerta,
´Spero na hora da verdade
Ter a tua porta aberta.

Quero minha vida viver
Sem ter dela prejuízo
E, boas obras eu fazer,
Para entrar no Paraíso.

Anda moléstia no mundo
Por culpa da insensatez
Seu horror é bem profundo
E aumenta de mês a mês.

Foste o escolhido por Deus
Para missão destemida
Confiou-te a chave dos céus
Pra abrir as portas da vida.

Ó bom São Pedro divino,
Meu oráculo e devoção,
Ampara-me no desatino,
E escuta a minha oração.

© Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA

domingo, 28 de junho de 2020

O HOMEM DAS SETE CHAVES


O HOMEM DAS SETE CHAVES 


«Em honra de São Pedro 2020»


Sto. António não ligou nenhuma,
O São João fez orelhas moucas,
Resta agora o São Pedro, em suma,
Com as suas tarefas loucas…

Há sempre alguém que não tem medo
Mesmo qu´ esteja em confinação,
Esse, alguém, chama-se São Pedro
Que tem sete chaves na mão.

“Eu dar-te-ei a Chave do Reino”,
Disse-te Ele, sem nenhum segredo,
Não te exigindo nenhum treino,
Ou não fosses tu o Simão Pedro.

Tu, aproveitando a ocasião,
Não te ficaste por medida,
“Quero sete chaves para a mão
Porque bem difícil está a vida”.

“O Reino não tem sete portas,
Toma mais duas e já te chega…
Dá para entrar nas horas mortas
Mesmo depois duma cegarrega!”

“Eu preciso das sete chaves,
Para usar durante a semana,
E eu, sabendo que Tu o sabes,
Tua incumbência não me engana!”

“Sim, anda tudo tresmalhado
Já quase nada tem concerto:
O pobre mundo está confinado,
Só com sete chaves é que dá certo!”

“Pedro, foi o nome que me deste,
Embora eu achasse fantasia,
De pedra angular, Tu me fizeste
Para resolver esta pandemia…”.

“E eu aceitei o Teu desafio
Coloco apenas esta condição:
Quero, e não acho desvario,
Sete chaves na minha mão!”

“Toma lá, para a segunda, esta”…
“E dá cá outra para a terça,
Para a quarta, a quinta e a sexta…
(Sábado e domingo, descanso a cabeça!”).

“Ah, queres, ao fim-de-semana, relaxar!”...
“Estou farto de estar confinado
Neste medonho Céu d´ espantar
E a sete chaves bem fechado!”

“Ó, não queres chaves. Queres chavões?!”
“Quero, pois, para resolver este impasse:
Uma delas tem que ser a dos milhões
E, já agora, sem máscaras nem disfarce!”

“Toma lá, Pedro, mais esta gracinha:
Para as Chaves, estes sete chaveiros
Para fazeres uma boa figurinha
Diante dos teus belos parceiros…”

O bom do Pedro fez chegar a notícia
Ao amigo Paulo, de longa data,
Fazendo-lhe ver toda a delícia
Que lhe dava esta Concordata.

Paulo de Tarso, co´ a sabedoria
Da sua alta pregação,
Pode ser uma mordomia
E uma excelente solução…

E assim o nosso Homem conseguiu
Sacar do bom Deus, as Sete Chaves:
Tomou-as, caminhou e sorriu,
Pra resolver, cá, assuntos graves.

O pior deles, com certeza, é o Covid
Que parece não querer sair.
Vamos ver se São Pedro decide
Para que possamos em breve sorrir!

«Meu Santo, meu Santo adorado,
Das tuas Chaves, dá-me a sagrada
Que cure este mal amaldiçoado
E deixe a minha alma resgatada!»

© Frassino Machado
In ODIRONIAS

quarta-feira, 24 de junho de 2020

SÃO JOÃO CONFINADO


SÃO JOÃO CONFINADO 

“Auto de Contestação 2020”


Eu quero, meu povo, lavrar
Meu Auto de Contestação
Pra tripeiramente declarar
Esta falta de consideração!

Vi todo o País desconfinado
A preparar-se pra festejar
Um grito de alma revoltado
Eu quero, meu povo, lavrar.

Por decidirem pra Capital
Final da Europa do Campeão
Quero lavrar, de forma cabal,
Meu Auto de Contestação.

A culpa é de quem ´stá no poleiro
E que lá fora sabe incensar,
Venho aqui, e de corpo inteiro,
Pra tripeiramente declarar.

Eu me honro da minha Festa,
Com variantes de sensação,
Lamento por razão manifesta
Esta falta de consideração.

Diziam que Lisboa era segura
E que já nem Covide tinha
E, agora, metem-se em aventura
Puxando a brasa à sua sardinha.

Parece que a Fera regressou
Andando por aí em todo o lado,
Desta feita o caldo s´ entornou
Voltando tudo ao confinado…

Foi no que deu o quixotismo
Abrindo os braços à Europa
Epidemia mais facilitismo
Não dá pra brincar co´ a tropa.

Eu, como me acho bonzinho
E ´stou quase desconfinado,
Vou-lhes fazer belo jeitinho
Mandando-lhes este recado:

Temos cá o nosso Dragão,
Temos cá a nossa Pantera,
Mudem pra cá a Competição
Que a Ordem a gente assevera.

Fica assim resolvida a desfeita
E mais amigos do que dantes,
Quem à aventura se ajeita
Acaba o caminho a penantes.

Quanto às Festas… logo se vê,
Sardinhadas não faltarão
O resto, na Internet e na Tv,
Há sempre espaço pro São João.

Nem que seja à porta fechada
Ou mesmo dentro dum quintal
Haverá Festa até de madrugada,
E, quem sabe, algum arraial…

Com alhos-porros ou sem eles,
Sem martelinhos prós desafios,
Mas co´ a adrenalina nas peles
Estão mil balões a ver navios.

A gente nunca se atrapalha
Nem a nossa alma fica aflita,
Quem tem esta garra não falha
Porque somos a Cidade Invicta!

Frassino Machado
In AO CORRER DA PENA

O SÃO JOÃO


O SÃO JOÃO


Olha o São João
Que este ano está confinado
De máscara na mão
Espalhando gel todo o lado

Da Sé à Ribeira
Uma autêntica desolação
Com a PSP na barreira
É assim a noite de São João

És o segundo a festejar
Sem marchas populares
Com os polícias aos pares
E o povo em casa a chorar

Meu Santo de eleição
Vou festejar sem emoção
Espero por Ti no próximo verão
Sem covid a noite de São João

© Paulo Gomes | 2020

domingo, 7 de junho de 2020

"VIVA AOS SANTOS POPULARES!"


Foto de Ró Mar


"Viva aos Santos Populares!"


"Viva aos Santos Populares!"
O verão a chegar...
Gel pra te resguardares
Dum Junho por acabar!

"Viva aos Santos Populares
Que vão desconfinar!
Se ao arraial faltares
És bem-vindo pra casar!

"Viva aos Santos Populares!"
Santos de todos os lugares
Livrai-nos os maus olhares,
Boas quadras populares!

"Viva aos Santos Populares!"
Ao padroeiro de Lisboa
Boas quadras populares
Fez o poeta Pessoa!

© Ró Mar  

segunda-feira, 24 de junho de 2019

SANTOS POPULARES



© Lúcia Ribeiro

VEM AÍ O VERÃO




VEM AÍ O VERÃO  


Está à porta mais um Verão
Todos o querem saborear
Sol ou chuva, eis a questão
Vamo-lo em breve saudar!

O mês de Junho vai a meio,
Já entramos noutra metade,
Que este Verão seja o anseio
Duma risonha realidade.

O Santo António já lá foi
E o povo em festa continua
A triste mágoa, essa, não dói
Anda por aí de rua em rua.

Não há nada como o Verão,
Que a todos nos vem contentar,
Está próximo o São João
Qu´ é o maior santo popular. 

S.to António, São João, São Pedro
Não há terra que os não festeje
E nada ficará em segredo
Em todo aquele que os deseje. 

Em Braga, Porto, em todo o lado,
Nenhuma festa se regateia
É tradição e também fado
Em cada cidade ou aldeia.

Todas as pessoas se ajeitam
Na sua vida, durante o ano,
Merecidas férias se aceitam
Que venha o palco, corra o pano. 

Que venha o palco, corra o pano,
Estamos fartos de trabalheira,
Fora com todo o desengano
Fique a tristeza na prateleira.

Sim, venha lá mais um Verão,
Junte-se a ele a fantasia,
Pois há mais vida co´ emoção
E na alma um´ outra alegria.

Salvaguardando-se mil riscos
Ponha-se de lado a virtude
Há que saborear os petiscos
Controlando, porém, a saúde.

Não faltem os novos e os velhos,
Nada de fronteiras na idade
Qu´ os filhos aceitem conselhos
No que toca à felicidade. 

Qu´ haja festas, qu´ haja Verão
De lés-a-lés pelo país,
Não o esqueça o bom cidadão
Qu´ o maior sonho é ser feliz! 

Frassino Machado

In AS MINHAS ANDANÇAS

domingo, 24 de junho de 2018

EM ARRAIAL DOS SANTOS POPULARES




EM ARRAIAL 

DOS SANTOS POPULARES


Ai, São João dá cá um saltinho
Pra ver como andam nossas modas!
Então não é que, a sardinha do povinho
Anda armada em carapau p´las rodas!

Em arraial dos Santos populares
Iça bandeiras d´outros capoeiros! 
O que ela mais quer é bordaleiros
Pra concorrer como galo de milhares!

Ai, São João dá cá um martelinho
Pra ver se endireitam as modas!
Então não é que, a sardinha do povinho
Anda às postas p´las bocas todas!

Em arraial dos Santos populares
Gritam os tripeiros e outros, ó Santo!
O que ela tem é de se fazer aos mares
Pra conquistar o título ao nosso canto!

Ai, São João dá cá um balão aviadinho
Pra que as marchas desfilem direitinho!
É que numa sardinhada, que mais parece
Pescadinha de rabo na boca, há estresse!

Em arraial dos Santos populares
Quer-se maneirinha ao euro de Portugal!
É que ó melhor vinho vêm prazeres
P´lo turista que penica o nosso beiral.

Ai, São João ouve a nossa prece de coração
E vem cá dar o pezinho p´la fogueira
Pra pularmos de mão-cheia o verão
A todas as estações em pouca choradeira!

© Ró Mar

sábado, 23 de junho de 2018

UM HINO À CIDADE


UM HINO À CIDADE


Ai esse corpo cidade que a cidade vai abrindo
Esse corpo de ansiedade nas vidas que vão florindo...

Ai esse corpo violado que se esgueira pelas vielas
Esse corpo mal tratado nos corpos deles e delas...

Ai esse corpo almofada sem atavios riqueza
Corpo de pedra lavrada, corpo de vida burguesa...

Ai esse corpo cidade com traineiras na lonjura
Sempre manhã, sempre tarde, nos braços da noite escura...

Ai esse corpo doçura no amor de quem lhe quer
Esse corpo dedilhado, como guitarra-mulher...

Ai esse corpo de espanto desta cidade brumosa
Todo riso, todo pranto, todo amante ansiosa...

Ai cidade marginal no desespero dos dias
Cidade nobre e leal de muitas democracias...

Ai encanto de pintores, de poetas, doutros mais
De jardins cheios de cores, de tertulias ancestrais

És cidade toda Povo de manjerico na mão
E és Porto de igualdade em Noite de S. João!...

Maria Mamede
"DE AMOR E DE TERRA"

quinta-feira, 14 de junho de 2018

MÊS DE JUNHO




Mês de Junho 


É Junho, um mês de encantar
São os Santos Populares, muita alegria
Há manjericos e música a tocar
Há flores e os campos cheiram a poesia.

No coração sinto lindas emoções
Sorrio para o dia que está a nascer
Gosto de saborear novas sensações
E bons momentos poder escolher.

Neste mês tudo parece brilhar
Mil sabores e paisagens para admirar
É tempo de alegrias e ternura partilhar
Sentimos vontade de sorrir e namorar.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

P'LA CONFRARIA DOS SANTOS POPULARES


Imagem: Festas de Lisboa  


P'LA CONFRARIA DOS SANTOS POPULARES


Com ou sem manjerico o Santo é, igual
P'ra todos e por todos os tempos, António
De Lisboa e do resto de Portugal!
Haja sardinha a pingar p'lo património!

Cá ó arraial, e é p'ra mais que um ano,
P'la confraria dos Santos Populares
Vai a capital de vento em popa ó engano!
Olha o Zé a dançar de calcanhares!

Cá ó vira ou revira, e é sempre a andar,
Até há quem diga que o S. Pedro anda a inovar,
Este verão deu-lhe para isto! Ai se a moda 
Pega vai ser chuva a cântaros e de parra nada!

Olha o St°António encolheu, só se vê a careca,
Até há quem diga que é p'ra ver o balão
Com a boa-nova ó calor de São João!
Olha o Zé a festejar em loira caneca!

© Ró Mar

sábado, 9 de junho de 2018

O PRIMEIRO AMOR




O PRIMEIRO AMOR


Foi numa rodinha de amores
Que tanta graça te encontrei,
Que até matei minhas dores
E enfim, por ti me apaixonei!

Quando na verdade se ama
Mesmo com todo o coração
O amor vira-se como chama
Igual às fogueiras de S. João.

Tanta felicidade de repente!
Mas sei e cuido certamente
Que não é demais a alegria;

Oh, amor, vivo só de te ver;
Já tenho medo de te perder:
Se morresses também morria!

Alfredo Costa Pereira

quarta-feira, 6 de junho de 2018

PALAVRAS PARA O MÊS DE JUNHO




PALAVRAS PARA O MÊS DE JUNHO 


As palavras ansiosas, feitas borboletas
Enigmáticas, voando pela atmosfera,
Vão deixando saudades desta primavera,
Abrindo frescas ondas, ainda que incertas… 

Palavras novas sempre, sempre incompletas
Com imperfeitos sonhos e sombras de quimera
Que passam ao de leve sem ficar à espera
Das ilusões perdidas, quem sabe indiscretas… 

Palavras curtas para este mês de Junho, 
Sempre escassas mas revestidas de emoções,
Palavras agitadas incendiando corações
Que dos Santos populares são o testemunho. 

Mês de Junho, de Portugal e de Camões
Mês pequeno, como as sementes de abrunho,
Mas que é enorme na força que traz no punho,
Que rola e dança em maré viva de paixões.

- Canta, ó soberbo mês, nas marchas da avenida
E rasga as falsas máscaras desta triste vida!

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA 

sábado, 25 de junho de 2016

LISBOA, MENINA DO TEJO


Fotografia - Lisboa - Portugal  © RÓ MAR


LISBOA, MENINA DO TEJO
(Santos populares)


Lisboa, menina do Tejo e de mil olhares
Enfeita-se pelos santos populares
De cores principais, alegria e mocidade,
Que realçam a beleza de uma grande cidade.

Lisboa, verdes são seus olhos de iris azul
Que brilham os arraiais de norte a sul
De Portugal, convida outras gentes
De todas as idades a serem sorridentes.

Lisboa, embora menina, é a capital
De todos, a que amamos pela alma e coração.
Que bem desfila o Junho, em saia rodada, o verão
Apadrinhada pelo António Santo graal!

Lisboa, varina que leva pelos ares
O balão de São João que é Porto, outros mares,
E não há martelinho que lhe dê volta à cabeça,
Nem ao lendário Douro se confessa!

Lisboa, menina do Tejo e de mil desejos,
Passeia sonhos de luz pelas calçadas portuguesas
A todos os que vêm por bem às suas mesas,
Há vinho, pão e sardinha pelos festejos.

Lisboa, verdes são seus olhos de abraços coloridos,
Que cheiram manjericos de todos os santos,
É regar e pôr ao luar, é menina de mil sentidos,
Há que levar São João Batista a todos os portos.

© RÓ MAR


domingo, 12 de junho de 2016

SANTO ANTONINHO




SANTO ANTONINHO 


“Florinhas da juventude”


Sto. António, Sto. Antoninho, 
Eu não te sabia finório
Pão com sardinhas e vinho
Levavas do refeitório.

No convento eras Fernando
Vinhas pra rua com vinho
Co´os amigos, feito malandro,
Sto. António, Sto. Antoninho.

Dinheiro não o havia,
Metias-te num peditório
E de quantia em quantia
Eu não te sabia finório.

Depois ficavas alegrote:
Com um simples tostãozinho
Embrulhavas num pacote
Pão com sardinhas e vinho.

Guardião por ti passando
Com uma cara de velório
Adivinhou, magicando:
Que levavas do refeitório.

E tu não te descoseste
Abriste o teu burel rico:
“São pãezinhos - logo disseste
E uma aguita pro manjerico”.

-“Naquele saqueta velha,
Cheira-me a sardinhas e pão
Se m´enganas com a botelha
Já me não escapas da mão”.

-“Não há crise, ó frei Abade,
O vinho não há-de faltar
E eu não fugi à verdade
Que a água é p´ra se lavar.

- Já agora, vinde daí também,
Que isto é tudo malta fixe,
Damo-nos todos muito bem
E o Ofício que se lixe…”

-“Vá, por hoje fica assim,
Também quero uma sardinha,
Que é que m´importa a mim
Se tu andas nesta vidinha!”

E assim, com estas florinhas,
Seja lenda ou invenção, 
Os teus pães e as sardinhas
Estão vivos na tradição.

E tu, com a tua calma,
Como filho do povinho,
Assumiste de corpo e alma
O nome de frei Antoninho.

Frassino Machado

In JANELAS DA ALMA