domingo, 26 de dezembro de 2021

A MEIO DA VIDA




A MEIO DA VIDA


Vou percorrendo a vida e cada hora
Acrescento novo pranto à dor antiga;
Nasceu minha alma em jeito de mendiga,
Enquanto os outros folgam, ela chora.

Quantas vezes tropecei, caminho em fora,
E sempre me valeu a mão amiga
Do Deus que me acompanha e me fustiga
Na cruz duma amargura redentora.

E julgam-me feliz (ai, olhos baços!)
Porque me ouviram a cantar e a rir.
Manto de seda a esconder um trapo!

Ó Senhor da renúncia dos meus passos,
A Ti, ao menos posso não mentir
Vê, o meu coração é um farrapo.

© Frei Mário Branco