terça-feira, 6 de outubro de 2015

MASOQUISMO POPULAR

 

MASOQUISMO POPULAR


Estou triste como a noite escura e fria!
Estou desolado, incrédulo, doente,
Por ter acreditado piamente,
Que o meu povo sabia o que fazia…

Pensei que fosse mais inteligente!
Vivendo no sufoco em que vivia,
Quisesse acreditar num novo dia,
Pensar poder viver condignamente…

Há coisas que não são pra entender!
Malhar em ferro frio é pra esquecer!
Seguem sempre os caminhos do abismo…

Quer seja ignorância ou desinteresse,
É falta de pensar em quem padece,
Para quem já sofria, é masoquismo!...

José Manuel Cabrita Neves

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

RAIO DE LUZ




RAIO DE LUZ 


A mesa estava posta na tresmalhada toalha de hipocrisia,
Tudo perfeito, o salto a condizer com a gargantilha;
As vozes exaltadas em falsos diamantes
Enalteciam sorrisos deslavados
E o Báton rouge tomava forma nos presentes.

Falavam fluente demagogia e politica 
Como se fosse o prato do dia;
Os talheres estavam alinhados na enometria
Dos copos e os guardanapos exalavam a gargalhadas de folia;

Ali, havia lagosta suada, caviar 
E muito marisco com assimetria,
Assim como, pele de cobra
De unhas alongadas no verniz à cor 
Dos pensamentos,
O cardápio ao pormenor!

E, as vestes tão carnavalescas,
Mais pareciam máscaras de quadrilha
De gentes burlescas!

Mas, no meio do cenário encontrei alguém
Que me pareceu bem, talvez pela sua imagética,
Parecia um lavrador, 
As suas mãos calejadas revelavam no gesticular artes
E o seu olhar era de gente que alcança mais além.

Homem um pouco só, talvez pelo traje, não era a rigor!
Nos traços e rugas acentuados, 
Pareceu-me ser um pintor,
Talvez fosse artesão,
Tinha ar de ter grande coração.

A fanfarra durou até altas horas, vinho da melhor 
Colheita adormecia as vozes dos dementes 
E na madrugada ouvia-se o ‘rouxinol’ cantar:
_ Descansai em paz, ó gentes…!

Tudo não passou d’uma farsa, não obstante a obra
Acontece e remanesce momentos
De luz, raio fecundado na grandiosidade d’um ‘lavrador’
E transcrito na voz de ‘rouxinol’ de amor.

® RÓ MAR
 
 Poema vencedor do desafio Alen Criativos -"Raio de Luz" /2013

domingo, 4 de outubro de 2015

COMO O TEMPO PASSA


 COMO O TEMPO PASSA
 

As horas que se vencem, formam dias,
Depois semanas, meses, até quando?
E a nossa vida assim se vai gastando,
O espólio são tristezas e alegrias.

É feita de querer e de fobias.
Vontades e ilusões que vão sobrando,
Mas todavia todos vão sonhando
Em ter da vida faustas regalias.

É lesto e fugidio, ninguém pára,
Quantas vezes a gente nem repara
Que o tempo não tem conta nem medida.

Lutamos pra viver e ser feliz,
Mas sempre que se perde essa matriz,
Perdemos o melhor da nossa vida.

Abílio Ferradeira de Brito

DELÃES


Delães - Portugal


Delães


Envolta entre aldeias lá do Minho,
Delães, a promissora freguesia,
Trilhava passo a passo o seu caminho
Na senda do progresso e da harmonia.

A sua vasta indústria trazia 
Ao povo segurança em seu caminho
E no labor, com raça e galhardia
Passo após passo erguia seu cantinho.

As fábricas de sedas, fiação,
Garantes de trabalho, eram então
A fonte de um viver feliz, fecundo.

Bem cedo, laboriosa, toda a gente
Saia do seu lar feliz, contente,
Em força e paz para abraçar o mundo!

José Sepúlveda 

BALADA DE SÃO FRANCISCO


Imagem - São Francisco de Assis


4 DE OUTUBRO - 

DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS


PATRONO DA NATUREZA, 

DA ECOLOGIA UNIVERSAL 

E DOS ANIMAIS


BALADA DE SÃO FRANCISCO


Amanhã 
O irmão-sol vai de novo nascer,
A irmã-água vai de novo correr,
O irmão-fogo uma vez mais vai arder.
E cada homem teu irmão
Continua a sofrer,
Esperando por ti
Num abraço de paz,
Numa palavra de amor.
São Francisco!
São Francisco!
Irmão de tudo
Quanto Deus nos deu:
Da pedra da montanha,
Do espinho e da flor,
Da avezinha do céu,
Do frio e do calor.
São Francisco!
São Francisco!
Amanhã
A irmã-lua vai de novo voltar,
A irmã-estrela vai de novo brilhar,
A irmã-noite uma vez mais vai reinar!
E cada homem teu irmão
Continua a sofrer,
Esperando por ti
Num abraço de paz,
Numa palavra de amor.
São Francisco!
São Francisco!
Irmão de tudo
Quanto Deus nos deu:
Da pedra da montanha,
Do espinho e da flor,
Da avezinha do céu,
Do frio e do calor.
São Francisco!
São Francisco!

Frassino Machado

In MENSAGEIRO CANTANTE

FLOR DA PAZ



© RÓ MAR