sexta-feira, 3 de novembro de 2017

HÁ LUZ (SÃO MARTINHO)


Foto © Ró Mar 


HÁ LUZ (SÃO MARTINHO)

QUE ALUMIA TODOS OS TERRENOS


O tempo arrefeceu, sente-se a frescura
Da natureza enroscada em folhas curvas
De um outono polémico. E, há chuvas
Que caiem do céu salpicando verdura.

O tempo arrefeceu, aos dias que encolhem
A beleza do outono outros se seguem
De um outro verão estimado por todos.
E, há castanhas que saltam aos olhos de todos.

O tempo arrefeceu, sente-se a frescura
Dos dias amanhecer em calva brandura
De um outono preciso e alegre. E, há chuvas
Que caiem pelos lagares fermentando uvas.

O tempo arrefeceu, aos dias mais pequenos
O estatuto de grandes sonhadores
De um tempo a outro verão de mais sabores.
E, há luz (São Martinho) que alumia todos os terrenos.

© Ró Mar 

A SINFONIA DA CHUVA




A SINFONIA DA CHUVA


Porque estou a ouvir tão doce, e bela melodia
No sossego deste meu lar,
Sinto que alguém está a tocar, uma linda sinfonia,
Porque neste meu humilde lar,
Alguém quer que haja, sempre a paz e harmonia.

Acontece porém que o dia amanheceu triste,
Olhei, e as negras nuvens que no céu vi,
Quase que de alegria chorei, porque delas água caía
A chuva abençoada, por ela rezei, todo o santo dia.

Oh chuva por tanto tempo nos abandonaste
Deixando tanta albufeira, e barragem já vazia!
Em seca estrema nos deixaste, onde tanta falta fazia
Hoje quando ouvi teu toque, desafiavas uma banda rock,
Já era bem melhor o ouvir dessa bela melodia,

Faltas-te nas horas, em que nosso País estava em chamas,
Tanta gente perdida, tanta terra demasiado aquecida!
Hoje tu não reclamas, mas nós te agradecemos, bela aparecida
Chegaste queremos que fiques o tempo que for preciso
Mas te pedimos: enche as barragens, quando terminares faz a despedida

E Todos nós te agradecemos.
Oh chuva sê bem vinda
Mas não chegues em fúria!
Quantas vezes na tua incúria
És abusadora e também te tememos.

Joana Rodrigues

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

PASSEAR...


Foto © Ró Mar - Lisboa - Portugal 


PASSEAR...


Passear ao ar livre traz outro sabor
De natureza para dentro do coração
E a alma respira todo aquele amor
Que tem dentro e faz dele uma canção.

Canção que embala milha de um universo.
Passo ante passo lá anda ela de verso em verso
Passeando pelo ar de um outro sabor
Que tem dentro da mente e expira o ardor.

Ardor de uma paixão que não tem mais espaço
Dentro do poema que passeia passo ante passo
O tempo que encolheu à memória de um olhar.

Olhar que espreguiça passo ante passo
Dentro da natureza que a tem num abraço
Dentro do coração e a leva a passear par a par.

© Ró Mar

MURMÚRIOS



MURMÚRIOS


Cruzam-se olhares, percebem-se desejos…
Afloram pensamentos indiscretos…
No ar pairam canções, sonhos, afectos,
Entre loucas sensuais trocas de beijos…

Relembram-se romances incompletos,
Nos arquivos da mente, nos lampejos,
De momentos sisudos e gracejos,
Ou suspiros recônditos secretos!

Por entre a multidão em movimento,
Há mistos de alegria e de lamento,
Que ficam no silêncio mais atroz!

O amor, a felicidade ou a desgraça,
Misturam-se nas vidas de quem passa,
Pela estrada da vida tão veloz!...

J. M. Cabrita Neves 

DESPERTOU O OUTONO




DESPERTOU O OUTONO


Arrefeceu a noite, é o Outono
Cumprindo, finalmente, o seu dever...
Era já tempo de ele arrefecer,
P'ra poder o Verão dormir seu sono.

A natureza, a seu bel prazer,
Deixou as leis da vida ao abandono,
Sem uma direcção, sem rei nem dono,
Sem soluções para retroceder...

Alguém ou algo decidiu tomar
As rédeas do destino desgarrado
E devolver a vida ao seu lugar.

Se foi um deus, a sorte ou foi ditado
Pelo destino, para nos testar,
Graças a um dos três, é já passado! 

Carlos Fragata

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DOÇURA OU TRAVESSURA?


Imagem - ephéméride - seasonal calendar


DOÇURA OU TRAVESSURA?


Hoje já não se brinca como antigamente!
As pessoas mal humoradas, saturadas de bruxas 
De um ano inteiro! Essas, fantasmas reais, que invadem
O dia-a-dia e quando é dia de uma brincadeira 
Ninguém leva a peito! Não há maneira
De dar volta a isto! A insegurança, que reina em todos
É demais, não dá estimulo a um dia de brincadeira!
Hoje 'Halloween' bruxas são apenas fantasias e nada mais!

Quando as pessoas deixam de brincar, de sonhar, 
E vivem só a pensar nos medos que as assoleiam,
É um caso sério e de mau feitio que não tem maneira!
Ah, como o mundo poderia ser tão mais colorido
Se não houvesse bruxas a reinar o ano inteiro! 
Mas, vida é isto, o presente, e é ele que temos de viver!
Tenho pena das crianças que não têm nada a ver
E não têm outro tempo de 'doçura ou travessura?'!

Quando as crianças deixam de brincar o mundo
Fica bem mais pequeno, pobre em sorrisos e as bruxas 
Ganham força para exercer mais um ano de diabruras!
Tenho na ideia que o hoje não deve ser o antigamente,
Também, que o hoje não é o hoje e que não é o futuro!
Dizem que os monstros do 'Halloween' as assustam! 
E, eu que penso no que elas sentem, diariamente, 
Convivendo com tantos outros monstros reais demais!

Vamos a animar, hoje é dia das boas bruxas
E, é preciso gargalhar, nem que por um momento! 
Que tal enfeitar aboborinhas e sair à rua para trocar
Abraços e outras doçuras pelo verão que vai acabar!
Do Inverno não nos livramos, mas, não deixemos passar
Em branco o último dia de Outubro! Vamos a festejar!
Não é o Carnaval, é o doce Halloween, outra tradição!
Vejo ó salgado Tejo o apregoar 'Doçura ou travessura?!

© Ró Mar