domingo, 22 de abril de 2018

A VOZ DA POESIA



A VOZ DA POESIA 


No mundo de hoje, tão tresmalhado e autista
E demasiadamente louco pelo trivial,
A Voz da Poesia só por si é crucial
P´la pena dos poetas de veia alquimista.

Seus olhos, sua mão e sua própria vista,
Com uma sensibilidade e alma de cristal,
Despem daquele pobre louco todo o mal
Revelando-lhe a Paz em jeito de conquista.

O sonho do Poeta, por sua obra e versos,
Vai pairando através do orbe qual navio
Tornado luz, em lenitivos tão diversos… 

(E é por esta voz cantante da Poesia
Instalada no fundo da alma como num rio
Que mais depressa se atingirá a harmonia.) 

O mal que o Mundo tem é, porém, bem atroz
E é ademais tão insensível e tão frio
Que da Poesia quase não lhe escuta a Voz!

Frassino Machado

In ODISSEIA DA ALMA

INTERMITÊNCIAS...


Arte: ARABE§QUES


Intermitências…


Há intermitências na vida
Na vida de cada um de nós
Se a alma não for sentida...
Todos perdem a sua voz

Mas não podemos bloquear
Quando isso nos acontece
Os conflitos são de se ultrapassar
Da verdade é o que transparece

Há pois que saber reagir
A esse tipo de intermitência
Para as lágrimas não sentir
E pela vida haver apetência

Aceite-se a incerteza da mudança
Como a coisa mais natural
Tudo se altere com esperança
Para que o mundo seja especial

Vivamos pois o mais serenamente
Que a vida nos possa permitir
Tal e qual como se sente
Essa luz que irá em nós surgir

Há determinados momentos
Em que vibra o coração
Aproveitemos esses tempos
Para viver essa paixão

Há que por o cerebro a raciocinar
Há que saber o que queremos dele
Para podermos assim amar
Sem que trema a nossa pele

Armindo Loureiro

quinta-feira, 5 de abril de 2018

A GRANDE OPÇÃO




A GRANDE OPÇÃO 


“Jumento vs. cavalo”


Jumento versus cavalo, eis a grande opção
Em que apostou Jesus Nazareno, Senhor,
Na semana que foi, e é, Semana Maior 
Que tem como ritual o trilho da Salvação… 

Sobre a cidade Santa, repleta de dor,
Em que o povo ansiava sua libertação,
Chorou por ela pra conseguir redenção
Esperando chegar a Sua hora de amor.

– Vem, ó Forte Rabi, num cavalo com asas
Que é esta a hora de lutar e de vencer,
Quebra-nos os grilhões do estranho poder
Destruindo uma a uma as maléficas casas.

– Não, não vou de cavalo mas sim de jumento
Pois é essa a Missão que me trouxe por Bem,
Vós que sois pobres ter-me-eis Pobre também
E sereis livres, assim, por meu mandamento… 

E Jesus Nazareno chegou a esta Cidade,
Não cavalgando ao jeito de ricos ou nobres,
Mas trotando ao de leve como fazem os pobres 
Dando-lhes Paz e Luz, e também Liberdade! 

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA 

LIBELO FINAL



LIBELO FINAL 


- À sombra da Cruz - 


“Eu tenho sede, eu tenho sede de justiça
Eu tenho sede duma Humanidade insubmissa
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, e sede de fraternidade
Eu tenho sede, tenho sede de liberdade
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, eu tenho sede d´ agasalho
Eu tenho sede, eu tenho sede de trabalho
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, eu tenho sede de partilha
Eu tenho sede, sede de água maravilha
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, eu tenho sede de educação
Eu tenho sede, eu tenho sede de Redenção
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, tenho sede de alimento
Eu tenho sede, tenho sede d´ acolhimento
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, eu tenho sede de direitos
Eu tenho sede, tenho sede de meus preitos
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, tenho sede de valores
Eu tenho sede, eu tenho sede de louvores
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, tenho sede de Cultura
Eu tenho sede, eu tenho sede de aventura
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, tenho sede de ser criança
Eu tenho sede, tenho sede de esperança
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, tenho sede do meu Sonho
Eu tenho sede, de ver o mundo mais risonho
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, de ver gente mais feliz
Eu tenho sede, de não poder ser aprendiz
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, de assumir cidadania
Eu tenho sede, de não haver democracia
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, de não poder-te dar as mãos
Eu tenho sede, de não podermos ser irmãos
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Eu tenho sede, eu tenho sede em toda a terra
Eu tenho sede, de que a paz não vença a guerra
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

………………………

Eu tenho sede, de acabar minha Viagem:
Perdoai-lhes, ó Pai, que não sabem o que fazem
Mas, porém, tudo está, tudo está consumado!

Porque me abandonaste, ó Grande Pai amado? 
Ó Cruz Santa, ó Santa Cruz minha amargura,
Faça-se a Tua vontade e cumpra-se a Escritura!”...

..................................

E ouviu-se um pavoroso «OH», que até a Luz
Se escureceu co´ a triste morte de Jesus! 

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA

quarta-feira, 28 de março de 2018

FLOR DE UNO SER


Imagem - F L E U R


FLOR DE UNO SER


Flor de uno ser abre em pétalas de açucena,
Pelo amanhã que a gente tem para viver,
Livre de utopias e em poesias de se ver,
Para que haja una felicidade plena.

Primavera d' uma estação deixa florir
O coração da nação pelo ano inteiro,
Em raízes d' um cheiro imenso, a sorrir
Pelo universo flores d' um lindo canteiro.

Canteiro de ar namoradeiro ao peito
E alva estrela a brilhar num céu que nos ame
De verdade, quiçá abraço de uno encanto!

Flor de uno ser beija a noite e acaricia o dia
Pelo solstício d' uma era que sempre clame
Natureza pela virtude de una poesia.

© Ró Mar

OS PALCOS DO MUNDO




OS PALCOS DO MUNDO 


“No Dia Mundial do Teatro”


São grandes e vistosos os palcos do mundo
Onde actuam a cada hora – dia após dia – 
As Vidas, separadas por um fosso profundo
Co´ as dores e os prazeres fazendo companhia. 

Enormes e vistosos, quais feiras de vaidade,
Os seus actores bem díspares, d´aura semelhantes;
Representações tristes de dúbia qualidade,
Em desfile d´ actos temporais e alternantes. 

Diz o poeta: “vemos, ouvimos e lemos,
E jamais poderemos, por certo, ignorar”:
Tantas desigualdades que jamais tivemos
Com violências recorrentes de espantar. 

Sofrem os pais e as mães pra conseguir o pão
Enquanto alguns vão consumindo até esbanjar; 
Sofrem seus filhos sem nenhuma condição
Enquanto há filhos d´ algo só a vegetar. 

Sofrem os pobres e indigentes sem terem mesa
Enquanto há usuários abusando de banquetes;
Uns, sem terem tostões, morrendo de fraqueza,
Outros, gozando alegres, e a lançar foguetes. 

Sofrem as gerações que não têm futuro
Enquanto há quem faça alarde d´ ostentações; 
Uns, vão sobrevivendo a tactear no escuro,
Outros, vão cirandando, sem limitações. 

Sofrem ao desabrigo todos os sem-casa
Enquanto outros com fortalezas e castelos;
Uns, penando ao relento sem ter lar nem brasa,
Outros, em dia e noite, à luz de sete-estrelos. 

Sofrem os refugiados da explorada terra 
Enquanto outros se vangloriam no poder;
Uns, carne de canhão para a selvática guerra,
Outros, cada vez mais, com armas e a crescer. 

Sofrem os que são vítimas da traficância
Enquanto outros se transformam em bilionários;
Uns, continuam escravos na sua militância,
Outros, em farta presunção e perdulários.

Sofrem os que não têm acesso à Cultura
Enquanto outros se gabam por serem génios;
Uns, sentem-se explorados em fel e amargura,
Outros, dominam a cada hora por convénios.

Palcos do mundo, aqui e além em todo o lado,
Senhores, poucos, com fortuna em demasia,
Servos e pobres, maltratados como gado:
Todos filhos de Deus, mas só por fantasia.

Se os Maiorais quisessem tais Palcos não havia
E um Mundo Novo tornar-se-ia mais risonho,
Porém abunda neles o egoísmo e a hipocrisia
E a Paz que se anseia não passa de mero Sonho. 

Palcos do mundo, palcos de filhos de Adão,
Actores a contracenar, mas por vezes a fingir… 
No Dia Mundial do Teatro, sim ou não,
Digam-no as Plateias, quase sempre a dormir! 

Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA