sábado, 21 de julho de 2018

CAMPEÕES DA ESPERANÇA




CAMPEÕES DA ESPERANÇA
“O drama da Tailândia»


Doze, mais um, aonde é que já vimos isto?
Doze discípulos mais um mestre Redentor
Que na Tailândia, num singelo drama, soou 
À semelhança do testemunho de Cristo,
Aquela prova de uma vida feita d´ Amor,
Daquele Amor que aos seres humanos resgatou… 

Doze, mais um, a própria vida regenerou, 
O que a mesma Natureza parecia renegar
Pela inclemência das circunstâncias adversas,
E eis que todo o drama, em si, já sublimou
Tudo o que tinha humanamente a sublimar
Pelas medidas, quem o sabe, controversas? 

Doze, mais um, aquilo que fora uma aventura
Tornou-se todavia um milagre no perigo
Revelando, nos corações, aquela ternura
Que na alma humana é bálsamo e abrigo.

Se há dois mil anos foram adultos-confiança
No tempero dos labirintos da discórdia
Hoje foram crianças – campeões-da-esperança – 
No negro ventre da ingénua concórdia! 

Frassino Machado
OS FILHOS DA ESPERANÇA

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O MUNDO NO SÉCULO XXI




O MUNDO NO SÉCULO XXI


Hoje não foi dia vulgar, foi absorto.
Talvez porque o Sol nasceu morto;
Que enorme desconforto eu senti!
Mas foi o Sol ou fui eu que não vivi?

Rouxinol: ensina-me lá o teu canto,
Quero viver, quero cantar apenas;
Viver a vida sem angústia, e penas,
Num mundo mais perfeito e santo.

Passa-se neste mundo um temporal,
Uma tempestade apocalítica imoral;
A minha alma no meio da tormenta,

Não anda calma, iludida, mas infeliz,
Pois o vento quer arrancar pela raiz
Os princípios de justiça que sustenta!

Alfredo Costa Pereira

QUANDO O MAR BATE NAS ROCHAS...!!!




 QUANDO O MAR BATE NAS ROCHAS...!!! 


As ondas das marés vivas;
Destroem duros rochedos...
Quantas aves fugitivas;
Ao voar afastam medos!...
Nas tempestades da vida;
Podem naufragar navios...
Jamais ´ma luta é perdida;
Ao enfrentar desafios!...
Se o Sol brilhar nos Céus;
E no Mar reinar calmaria,
As brumas passam a véus;
Tal como sonho ou magia!...
Quantas ilhas tropicais;
Existem p´lo mundo fora...
Jóias perdidas que jamais;
Voltam a ter fauna e flora!...
Se no Mar existe perigo;
Gaivotas fogem em bando!...
Voam em busca de abrigo;
Podem salvar-se... lutando!...

sábado, 14 de julho de 2018

CADA SER É UM MUNDO


Imagem - J'ad' OR


CADA SER É UM MUNDO


Ser é mais que existir,
o passo importante a seguir.
Devemos agraciar o mundo,
partilhar nosso ser de coração,
pra que vivamos em comunhão
connosco e de bem à natureza
que nos cerca de rara beleza.
Projetar nosso ser aos outros
e viver em sintonia com o universo.
Eis, a fórmula possível pra atingir 
aquele grau de existência eficaz: 
percecionar que existem outros
seres com semelhante eficácia.
Ser é mais que falácia,
a palavra de ordem que concede paz
e harmonia pelo mundo,
o queremos todos conquistar.
Plenos de ideias pra alcançar 
plenitude e repletos de atitude, 
somos certamente mais que virtude,
cultivaremos a raiz do mundo 
em una semelhança a todos 
os que nele coabitam.
Ser é mais que existir,
constante presença no dia a dia 
extensível a tudo e todos,
mormente os seres vivos.
Devemos pautar o ar 
que nos move de poesia
e ser mais que criativos,
pois, pra conquistar o mundo
é necessário consciência e assumir
que cada ser é um mundo.

© Ró Mar

CENAS DA PESCA ARTESANAL


Pintura de Marques de Oliveira


CENAS DA PESCA ARTESANAL


Olha para o mar, vê nas ondas
Barcos a saltitarem na bruma!
Como um bailado das mondas,
Vêm-se lá os batéis na espuma.

E na areia, por entre os barcos
De proa em Terra junto ao mar,
Sobre redes ainda com charcos,
Miúdos molham os pés a saltar.

São de pinho, barcos e lanchas,
E cheiram a pinhões e a resina;
Sobre as ondas, são manchas!

Vão e vêm pescar numa rotina;
Trazem o pão da seara do mar,
Para peixeiras logo o apregoar!

A LENDA DE SÃO BENTINHO




A LENDA DE SÃO BENTINHO 


Quando eu era pequenino
Contava um velho mendigo
Vindo do monte sagrado,
Onde tinha o seu abrigo,
A lenda de São Bentinho
Num vigor entusiasmado.

No alto daquele monte
Entre Vizela e o céu
Vivia um santo eremita,
Com uma alma sem labéu,
Rogando naquele horizonte
Perdão pra toda a desdita.

Para ali do seu convento
Desde cedo se encaminhou
Pois a vida conventual,
A ele mesmo o desencantou,
E longe desse tormento
Ganhou alma angelical.

A razão que o fez partir
Era a vil maledicência 
Que reinava entre os irmãos,
Turvando-lhes a sapiência,
Podendo ali conseguir
Erguer pra Deus suas mãos.

Se bem pensou melhor o fez,
Contava o velho Aranhão,
Cada manhã vinha um corvo
Acompanhá-lo na oração
Que os dois faziam à vez
Com toda a fé e sem estorvo.

O Santo o pão repartia
Com a ave companheira
Que apesar de ser estranha
Não saía da sua beira
Durante as horas do dia
Passadas naquela montanha.

Mas um certo dia, porém,
Um ruim frade traiçoeiro
Ali chegou co´ uma saca
E dentro um queijo rafeiro
Com veneno - sabendo bem -
Mas era maldade velhaca. 

Ao corvo o Santo o deu
Dizendo-lhe duma assentada:
- Leva-o lá para bem longe
E volta cá de madrugada.
Mas, o que é que sucedeu?
O corvo grasnou pro monge…

Ao queijo nem lhe tocou,
Parecendo desconfiado,
Mas o Santo insistiu
E a ave lá voou, voou…
Voltando, mais confortado,
Um pão fresco digeriu.

Disse o Santo ao corvo esperto:
- Negro por fora, branco por dentro,
Salvaste-me desta traição
Quero que saibas, no convento
Esteja ao longe ou ao perto
Jamais me enganarão!

O corvo e o Santo s´ irmanam
E às almas dos peregrinos
Vão concedendo mil graças,
Cantando louvores e hinos,
E todos os anos imploram
A cura para as desgraças… 

Frassino Machado 
ODISSEIA DA ALMA