quarta-feira, 25 de setembro de 2019

OUTONANDO...



CHEGOU UM OUTONO MOLHADO


Pintura de Frederick Mccubbin


CHEGOU UM OUTONO MOLHADO


Chegou o Outono. O céu tornou-se frio.
Grande tristeza absorve a luz da tarde;
O sol não dá calor, a floresta é sombria,
Embora o Poente as tintas não guarde!

Quem sente chegar o Outono desfalece,
Tétrica a escuridão dos altos arvoredos.
Amores, folhas, enfim, tudo amarelece;
Só tu e eu mantemos nossos segredos.

Nasce a manhã no horizonte nevoento
Desponta apagando as estrelas do céu.
Com manto de rosa a flutuar ao vento;

Não despregando o teu olhar do meu,
Admiramos quando a lua se levanta;
Prateia-se, mas o rouxinol já não canta!

© Alfredo Costa Pereira

AO CAIR DA FOLHA




Ao cair da folha 


Sente-se o aroma do Outono no ar
e de manhã e à noite a refrescar.
Jardins coloridos e folhas a voar
é uma delícia andar agora a passear!

No Outono, novas flores e plantas a nascer
é a beleza da natureza que nos encanta...
É um novo recomeço, esperança para viver,
ás vezes chove e logo cada árvore dança...

As árvores sentem frio com as suas folhas a cair,
em bando, pássaros voam e outros vêmo-los partir.
É altura de ver novas cores, outras pinturas surgir
e as pessoas procuram agasalhos para vestir...

O Outono é uma estação linda, colorida, com poesia
onde se sente mudança, outras cores e renovação.
Passear neste tempo é como sentir emoções com alegria,
viver rodeados de beleza e ter muito amor no coração!

sábado, 14 de setembro de 2019

TROVAS DO MEU MAR




TROVAS DO MEU MAR 


«Paráfrase a Abel da Cunha»

“Queria fazer um poema...
a este mar largo da Foz.
Mas poema é ele mesmo
basta escutar-lhe a voz.”

Abel da Cunha – O Mar da Foz


Frassino Machado – Trovas do meu Mar

Eu escuto a voz do mar
Num horizonte sem fim
São as marés a arrolar
Aqui bem dentro de mim.

Um poema nele navega,
Numa barca d´ emoção,
Chegando à barra sossega
Por encontrar direcção.

É um mar remoto e calmo,
Das ondas faço um poema 
Verso a verso, palmo a palmo,
Com inspiração extrema… 

Mar-madrugada, poesia,
C´ os sentidos sempre ao leme
Na busca da maresia
Que avança e nunca teme. 

Sou poeta, sou marinheiro,
Mar de água transparente,
Sou poeta de corpo inteiro
Com um coração que sente.

A voz do Mar qu´ há em mim
Tem brisas de singeleza,
Rosas brancas de carmesim
Numa alma de Natureza. 

Se por vezes é mar revolto
Tem razões sérias de fundo
É meu sonho qu´ anda solto
Meio enredado p´ lo mundo. 

Ele há brumas nesse mar
Mais sereias, aqui e além,
Meu farol tem luz pra dar
Para que eu aporte bem.

Entre o meu mar e o céu
Luz uma estrela de esperança
Alma branca sem labéu
Com âncora de confiança.

Minha voz é bem sentida
Quando adentra neste Mar
É o canto e a voz da Vida
Com a Poesia a vibrar!

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA 

SER FADA POR UM DIA




SER FADA POR UM DIA


Queria ser fada por um dia,
poder mudar coisas e sentimentos
para haver mais sorrisos,
ouvir mais palavras de amor,
ver mais gestos de ternura, sem dor.
Faria um pacto com o vento
para ele levar paz por toda a parte,
fazia surgir em cada pensamento 
vontade de amar, de fazer melhor.

Se fosse fada por um dia
haveria mais abraços verdadeiros,
colocava luz e música a tocar
em todos os lugares sombrios,
frios e cheios de solidão…
Mandava estrelas e a lua 
para acabar com a escuridão.
Faria que as pessoas pensassem
e agissem mais com o coração.

Que bom que seria
que eu fosse fada por um dia!
Certamente haveria
mais amor, paz e alegria!