domingo, 5 de abril de 2020

UMA FELIZ LAUDAÇÃO




UMA FELIZ LAUDAÇÃO  


“Para o Domingo de Ramos 2020”


Nestes tempos tão conturbados,
À falta de uma oração
Façamos ramos ajaezados
Para uma feliz laudação.

Busquemos a justa razão…
Não se vendo gestos pensados
A quem louvaremos, então,
Nestes tempos tão conturbados?

Coloquemos à nossa porta,
Janelas, varandas ou vão,
Um simples ramo, que exorta
À falta de uma oração.

De oliveira principalmente,
Por quem somos iluminados,
Co´ a luz e paz em nossa mente,
Façamos ramos ajaezados.

Sem a Páscoa, e em quarentena
Nesta familiar contenção,
Abramos nossa alma serena
Para uma feliz laudação.

A quem nos cuida da saúde,
Mesmo qu´ em parca condição,
Se até nós não chegar virtude
A quem louvaremos, então?

A quem nos fornece o mercado,
Por vezes com tão curta mão,
Se não derem conta do recado
A quem louvaremos, então?

A quem nos fornece a comida
Com apertos de coração,
Se não cuidarem da nossa vida
A quem louvaremos, então?

A quem nos faculta assistência,
Na Net, na rádio ou televisão,
Se não lhes virmos competência
A quem louvaremos, então?

A quem nos cultiva a memória
Da alma Pascal e da Tradição,
Se não animarem a nossa história
A quem louvaremos, então?

A quem nos governa por bem,
Procurando cumprir a missão,
Se não acreditarmos, porém,
A quem louvaremos, então?

Na falta de louvor e de Fé
Que aos humanos faz desatino,
Ponhamos a alma em alta maré
Louvando ao Salvador divino.

“Hossana, Filho de David”! Hossana
Cantava o povo em Jerusalém;
À falta de templos, de alma ufana
Dentro de casa, cantemos também.

“É a Fé Santa que nos redime”
Diz o bom povo e sem fantasias,
A nossa convicção exprime
Que esta FÉ é o nosso Messias…

Meu verde ramo de oliveira,
À minha varanda me traz
Uma mensagem verdadeira
Igual à alva pomba da Paz…

Sem Páscoa não há acalento,
Não há Fé, não há Redenção,
Mas, dentro do peito, bem dentro,
Mora uma Feliz Laudação!

© Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

ESPERANÇA DE ABRIL


Obra do pintor polaco:
Ladislas Wladislaw von Czachórski


ESPERANÇA DE ABRIL


Os teus olhos vivos cor de ciúme
Beijam ávidos a nova primavera
Que destila no soneto o perfume
Fragrâncias, divinas de outra era

Agora! És a mulher, sábia e bela
Lembrança desse jardim proibido
És, pintura delicada de aguarela
Resgatada no éden já esquecido

És volúpia, transparente e subtil
Escondida no teu invólucro mortal
És beleza radiante do mês de abril

A cor rubra dos cravos de Portugal
Reduto de esperança que vi, em ti
Cada ser, mais humano, mais igual

"NA MINHA TERRA O LUAR..."


Imagem: IN$PiRATiON


“Na minha terra o luar...”


Ah, outrora um punhado
D' estrelas desenhando
Na minha terra o luar...
Majestoso azul mar...

Cantando a liberdade...
Lua cheia de mocidade...
Na minha terra o luar
D' abril a agosto a amar...

Por ora, reina o desalento
D' uma janela de cimento...
Na minha terra o luar
Decretou um só respirar!

Ah, vida alegre... olhar
O céu estrelando o Tejo
É sonho qu' ainda desejo!
Na minha terra o luar...

O UNIVERSO ACORDOU




O UNIVERSO ACORDOU


O Universo acordou
E este planeta infectou
Homens e mulheres a ninguém perdoou
Mais de um milhar ele matou

O Universo acordou
E zangado se revoltou
Contra a destruição que o homem semeou
O caos e a discórdia que lançou

O Universo acordou
Neste século em que estou
E financeiramente a todos aterrorizou
De uma maneira que ninguém pensou

O Universo acordou
A todos em casa encurralou
Mas o Mundo aprendeu a lição e mudou
E finalmente a Humanidade recuperou

SIM, DEVES ESTAR FELIZ!



CHOVE EM MEU CORAÇÃO...


Imagem: Zzig.comunidade


Chove em meu coração…


Por muito que seja pesada
A chuva jamais aleija alguém
Por vezes até é adorada
Quando molha quem convém

Mas há amizade a chover
No coração duma mulher
Ela conhece o seu prazer
E assim chove quando quer

E agora com o confinamento
Mais depressa se dá fé
Daquele belo sentimento
Que vive ali mesmo ao pé

Deixem-se, pois de tristezas
Aproveitem o tempo melhor
Há por aí tantas belezas
Que apenas querem amor

Eu estou sempre por aqui
Para o que queiram de mim
Amor eu sempre senti
E eu gosto de ser assim

Chove tão ternamente
E eu gosto de te ouvir
Ó Chuva quem não te sente
Não é gente no seu porvir