segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

NOITE DE NATAL



Helena Martins

NATAL NOVELA




NATAL NOVELA, 

Jesus versus Pai Noel 

“Natal de 2015”


À entrada do hipermercado
Viram-se Jesus e Pai Noel 
Cada um muito empenhado
Falando do seu papel.

Jesus co´ as mãos a abanar
Mas firme na Identidade
Pai Noel, saco a abarrotar,
Todo cheio de vaidade.

“- Quem és tu, imberbe garoto,
Que andas por aqui a fazer?
Assim descalço e todo roto
E a precisar de comer…

Não te tenho visto por aqui
E muito menos sozinho,
E, segundo eu já entendi,
Estás mesmo um coitadinho…

- Ando a ver as novidades,
Sou o Jesus de Nazaré
A mais humilde das cidades
Filho de Maria e José.

Eu trabalho na oficina
Para o nosso ganha-pão
E às vezes peço na esquina,
A quem passa, o meu quinhão.

- Eu sou oriundo da Lapónia
E venho aqui a abastecer
E já agora sem cerimónia,
Vou por aí… a oferecer.

Tu, coitado, já foi tempo, 
Em que eras um senhor,
Agora não tens sustento
E cada vez estás pior.

- Tu tens dinheiro pra tanto?
Passas a vida a esbanjar,
E eu para aqui feito santo
Sem nada pra arrecadar…

O meu pai morreu há pouco
Minha mãe faz pela vida
E eu até dou em louco
Para lhe trazer a comida.

- Quanto a mim, sou solteirão
E sou muito divertido
Mas, pelo sim pelo não,
Ponho tudo em sentido.

Não digas nada a ninguém,
Aqui quem manda sou eu
E ando sempre num vaivém
Para ver se compro o céu…

- A ver se compras o céu?
Não estou a compreender
Lá quem manda é Pai meu
Que não dá o braço a torcer.

E se algo vier a falhar,
Na vida que se tiver,
Ele está pronto a ajudar
Seja homem ou mulher.

- Isso dizes tu, ó fedelho,
Aposto que o Céu tem preço
E eu, mesmo sendo velho,
Vou virá-lo do avesso.

O que importa é o negócio,
De tudo o que seja útil,
E se queres ser meu sócio,
Pára de seres um inútil.

- Não gosto de te ouvir,
Tens a mania que és rico,
Mas ainda me vou rir
Do teu reles mexerico.

Cá por mim, procuro casa
Que me queira aconchegar,
Um caldinho e uma brasa
Já basta pra m´ agradar.

- Então, tens muito que penar
Toda a gente anda tesa,
Mal chega pra desenrascar
E não há que pôr na mesa.

O que vale eu dou um jeito,
Ponho tudo em promoção,
Quer tenha ou não defeito,
E agora… nesta estação…!

- Dizem que entras pela chaminé
Mas não tens idade pra isso…
Ademais, então se o não é,
Como assumes teu compromisso?

- Oh pá, vejo qu´ és um imberbe,
Se não posso levar o frete
E o trenó de pouco me serve,
Deito a mão à internet…

- Ena, fico muito admirado
Por tu seres tão esperto,
Cá por mim, pobre coitado,
Limito-me só ao afecto.

Nasci pobre e sobre a palha,
Pouco tenho para dar
Mas cada ano, Deus me valha,
Sonho o mundo conquistar.

- Oh pá, deixa-te de conversa,
Hoje em dia no mundo inteiro
A paixão que mais interessa
É o cheirinho do dinheiro.

Por isso promovo as compras
E, à vista de tanta prenda,
As crianças até ficam tontas
E os adultos não têm emenda.

- E lá por que és da Lapónia,
Terras de muita riqueza,
Não achas que é ideia errónea
Incentivar a despesa?

Há por cá necessidade,
E tu andas ao contrário,
Em vez de felicidade
Só provocas o calvário.

- Oh, oh, oh, oh, és um néscio
E tens a tua cabeça oca
Pior que tu, só o Lucrécio
Que de ciência tinha pouca.

O mundo não é eterno,
Há que saber aproveitar,
Entre o céu e o inferno
Alguma coisa há-de ficar…

- Pois, finges ter seriedade
E que tens muito valor,
Mas eu, com menos idade,
Aposto tudo no amor.

Se não crês nesta mensagem
E só pensas em explorar
Inverte a tua viagem
E deixa as crianças sonhar.

- Ter coisas é o mais natural -
Estás bastante enganado –
Todo o ambiente de Natal
É o meu Império encantado.

Reforço nele meu estatuto
E uso de todos os meios
Que esta semente dê fruto
Cá nestes meus sacos cheios.

- Sacos cheios, desilusão,
Vê-se bem a resultante,
Fica vazio o coração
E a família muito distante.

Sou criança, sim, criança
E um futuro quero ter,
É essa a minha esperança
E com ela quero viver.”

Acabou aqui a estória
Deste encontro ocasional
Que ficará na memória
Dum qualquer outro Natal.

O Menino Jesus deu cartas
Pai Noel enfiou o barrete
Foi-se embora e virou as latas 
Pra Lapónia, como um foguete!

Frassino Machado

In JANELAS DA ALMA

PRENDAS DE NATAL




Prendas de Natal


Feliz Natal vou desejar,
Aos amigos, que é o tema,
Não há prendas para dar,
Mas aqui vai um poema.

As prendas são os carinhos,
E abraços de amizade,
São estradas e caminhos,
Com rumo à felicidade.

É ter ao lado um amigo,
Que pode contar contigo,
Com palavras de calor.

Desejar um Bom Natal,
Sem prendas, mas não faz mal,
Mas com intuição de amor.

Fernando Figueiredo

DÁ - ME SENHOR




" DÁ - ME SENHOR "


Dá-me Senhor, um sopro de coragem,
Para que assim eu possa lapidar
A pedra que basila o santo altar,
Onde eu quero honrar tua mensagem.

E se neste meu mundo de voragem
Não puder o teu templo visitar,
Não me perca Senhor, nesta viagem,
Que possa todavia a ti chegar.

Eu nesse altar de luz pura, fulgente,
Levar-te-ei minha fé como presente,
Pois sei que vás ouvir o meu clamor.

Certo que me darás o teu perdão,
Porque conheces bem meu coração
E eu sempre confiei, em ti ... Senhor!

Abílio Ferradeira de Brito

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

BALADA DO MENINO JESUS




BALADA DO MENINO JESUS 


Eu vi-te pela janela,
Ó meu Menino Jesus,
E senti através dela
Que eras Tu a minha Luz.

Eu vi-te pela calçada,
Ó meu Menino prendado,
E senti na madrugada
Que eras Tu o Desejado.

Eu vi-te p´ la minha aldeia,
Ó meu Menino silente,
E senti-te uma candeia
Nos lares de toda a gente.

Eu vi-te numa avenida,
Ó meu Menino sofrido,
E senti que eras a vida
Dum mundo meio perdido.

Eu vi-te pela cidade,
Ó meu Menino charmoso,
E senti que era verdade
Não teres abrigo nem gozo.

Eu vi-te p´ lo meu país,
Ó meu Menino adorável,
E senti-te um aprendiz
Co´ a alma inconsolável.

Eu vi-te por esse mundo,
Ó meu Menino cansado,
E senti um choro profundo
De um povo esfomeado.

Eu vi-te em palco de guerra,
Ó meu Menino esperança,
E senti que queres na terra
Um reino de fé e bonança.

Eu vi-te nascido em Belém,
Ó meu Menino Emanuel,
E senti-te o maior bem
Num céu de luz e de mel.

Eu vi-te pelos mercados,
Ó meu Menino brejeiro,
Entre sonhos encantados
Embebidos em dinheiro.

Eu vi-te por entre danças,
Ó meu Menino folia,
E senti-te com´ as crianças
Com um sorriso de magia.

Eu vi-te nas tradições,
Menino Jesus trovador,
E senti-te nos corações
Cantando a paz e o amor!

Frassino Machado

In CANÇÃO DA TERRA

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O NATAL É



O NATAL É


O NATAL é quando, em qualquer época, se consegue, ao reavivar a Confiança fazer renascer a Esperança. 

O Natal é, em cada momento e em todos os momentos, a Festa da Família! Por isso gostaria tanto de vos convidar para vivermos essa Festa! O caminho para chegarmos lá, frequentemente, não é suave nem fácil, e a estação mais difícil pode ser a do Inverno... Dentro de cada um! No entanto esse tempo, de invernia mostra que, quem não aprende a viver com a geada e a neve, fica enregelado... Não tem Natal! Tal como quem olha para si próprio, também não tem Natal! Fica com a Festa de Natal por viver... Porque o Natal é a Festa da Família! 

Só se conseguirmos continuar a descobrir maneiras de caminhar por entre o temporal e estivermos muito atentos aos sinais, que a natureza sabiamente ensina, é que seremos capazes de alcançar a casa onde se celebra a Festa da Família. Uma noite encantada para o resto da Vida... Uma casa que abriga o melhor de cada um! Nela, se reúnem, de uma forma tão harmoniosa... Acolhimento... Amor... Carinho... Ternura... Fraternidade... Igualdade... Liberdade... Afectos... Inesquecíveis! 

Depois de lá estarmos, ajudaremos nos preparativos, enquanto esperamos por um momento especial. 

Pela manhã, a Esperança, ternamente apoiada pela Confiança descobrir-se-á num lugar e se fará uma surpresa! Registaremos aqui, o que sentimos! Dessa forma iremos compondo a Prenda de Natal...O essencial não está nos objectos, mas no Amor e Carinho de todos, mas naquilo que vem de dentro do coração: Afectos... Amor... Amizade... Carinho... Momentos Felizes... Mágoas... Vamos partilhar pensamentos, sentimentos e anseios com palavras, retratos, flores, desenhos ou de outras maneiras. Podemos até abrir a arca dos segredos... São os espaços da partilha que têm várias tonalidades... uma mais clara a lembrar a aurora, outra uma noite estrelada... Ambas são tons do Céu! Porque não será o Céu o tecto da casa da Família...? 

E assim ao fazermos a Festa de Natal, com aquilo que temos de mais genuíno, iremos descobrindo um bocadinho de como se consegue, ao reavivar a confiança, fazer renascer a Esperança. 

E este é o espaço de recordarmos os que, apesar de já aqui não estarem, permanecem vivos, porque estão vivos dentro de nós, nas nossas memórias, nos nossos corações... para sempre! Antes de irmos preparar uma bebida quente, ajudámos a colocar na mesa uma toalha de linho muito bonita. Fora bordada para alguém de propósito, para a Festa de Natal, por uma caminhante, que já partira... Essa será uma forma de a ter presente, e lembrar outros caminhantes que também já nos deixaram... FELIZ NATAL, PAZ na Terra aos HOMENS de Boa Vontade.

Leta Moreira