terça-feira, 27 de dezembro de 2016

POR UM NOVO NATAL


Imagem- Christmas, The Season of Love.


Por um novo Natal


Deveria ser Natal
Uma data a comemorar
Num Natal especial
Que Deus nos quis dar
Mas tal já não o é
Pela falta de moralidade
E pela falta de fé
Do que tenho saudade
Por muito que se diga
Por muito que se fale
Já não há mão amiga
Nem amor que isto cale
Era bom ser-se feliz
Lembrar tempos de outrora
Em que na miséria que não se quis
Havia sempre uma boa hora
Todo o mundo dava as mãos
Não havia data especial
E os corações eram mais sãos
Nessa amizade de tão real
Distribuia-se a amizade
Assim como o pão
Desse tempo grande saudade
Hoje não passa de ilusão
Todos querem dar de si
Uma imagem consentânea
Mas por aquilo que eu ouvi
A amizade é momentânea
Não passa pois dum momento
Em que só se ouve o que se quer ouvir
Já lá vai esse tempo
Da verdade no nosso sentir
Há que voltar ao princípio
Dar a volta a esta revolta
Da queda no precipicio
É culpa da língua solta
Tanta e tanta baboseira
Nos sai pela boca fora
Acabe-se pois com a asneira
Façamos um Natal novo nesta hora

Armindo Loureiro


ESPÍRITO DE NATAL




ESPÍRITO DE NATAL
 

E numa caixa muito delicada
coloquei, do ar, uma peninha;
pus, do mar, uma conchinha,
da terra, a semente sagrada.

O amor (na forma consagrada)
eu encaixei ali, nessa caixinha,
porque ela mesma já continha,
o fogo da minha poesia amada.

Senti que reproduzia o mundo
no meu presente tão emotivo,
cheio de significado profundo.

E a minha dádiva sentimental
foi pra que permanecesse vivo
todo o lindo Espírito de Natal!

Silvia Regina Costa Lima


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

AH, ONDE ESTÁ O NATAL!?


Imagem - Bellissime Immagini 


AH, ONDE ESTÁ O NATAL!?


Ah, onde está o Natal!?
Apregoado aos quatro ventos
Num bilhete de lotaria, a sorte de alguns!
Num prato de comida, uma vez ao ano,
Com direito a destaque na coluna social!
Num abraço antes mendigado
As boas festas e um sorriso forjado!
Nos tapetes de cartão espalhados pelas ruas,
As noites de frio e medo, o desespero de alguns!
Na prateleira de todas as recordações
O retrato de família desbotado.
No arquivo dos bem-aventurados
O país das maravilhas idolatrado!

Ah, onde está o Natal!?
Profetado pelos homens ao universo
Como sendo bem maior e fundamental!
Num canto qualquer do mundo,
À beira do abismo, resignado ao conformismo!
Entreaberto nas páginas de um livro
Que nunca chegará a ser lido!
Entre o aconchego de um lar
Que um dia nem mais será preciso!
Na pedra cinzenta de todos os dias
O cardápio dos bons dias!
Nas palavras de tantos lamentos
Que envolvem grandes investimentos!

Ah, onde está o Natal!?
Nas guerras desmedidas,
Nas demais crianças desprotegidas!
Na visível desigualdade, nos preconceitos,
Na clemência pelo direito ao respeito!
Na árvore de todos os dias
Que se conta pelos dedos as bolas coloridas!
Nos meandros das revoltas
Coleccionando notícias bombásticas!
Na bitola de uma sociedade
Em que o espaço é contado ao milímetro!
Nos bancos dos jardins
Ou nas mesas dos botequins!

Ah, onde está o Natal!?
Nas campanhas de sensibilização,
Na imprensa e também na televisão!
Nas redes sociais, nas instituições solidárias,
Em tantos lados que não têm conto!
Nas margens de vidas que não vêem volta,
No peso da assistência nula ou precária!
No país das maravilhas que constrói muros
Em vez de pontes que dêem futuros!
Na soberba e ganância construindo impérios
À custa do trabalho de muitas gentes!
Meu Deus, como vai o mundo,
O caos instalado e a culpa que é da crise!

Ah, onde está o Natal!?
No menino Jesus de todas as ruas;
Nas árvores plantadas por todo o mundo;
No espirito dos que ainda acreditam
Que o perdão é o melhor reverso da medalha;
Na réstia de esperança que move os dias;
No abençoado sol que nasce em qualquer lugar;
Na riqueza da natureza e sua beleza;
No paradigma ainda por inventar;
No caminho em direcção à estrela maior;
Nos demais testemunhos que há para contar;
Na proximidade das gentes em torno do salvador;
Na palavra e gestos sentidos de um país das maravilhas.

© RÓ MAR


O NASCIMENTO DE JESUS




O NASCIMENTO DE JESUS


Venham os Anjos do Senhor
Toquem os sinos com alegria 
Escrevam as letras do Amor
Numa fantástica melodia

Anunciando o nascimento 
De Jesus o nosso salvador
Brilha a estrela no firmamento 
Marcando o local com rigor

Os Reis Magos vão a caminho 
Com ouro, mirra e incenso
Sabem que o Jesus não está sozinho 
Nesta noite de um frio intenso

Tem a companhia de Maria e José 
De um burrinho e uma vaquinha 
Que se mantém toda a noite de pé 
Tentando aquecer a húmida palhinha 

Nasceu Jesus para a nossa salvação 
Numa gruta escura e cheia de humidade
Veio ao Mundo com uma única missão 
Trazer AMOR e compaixão à Humanidade 

Paulo Gomes


... TEIMOSO NATAL...


Imagem -  Gold Art 


... TEIMOSO NATAL...


lá vens tu outra vez...
já vens infernizar as crianças...
que querem um brinquedo e tu não lho dás...

aos homens e mulheres que buscam no lixo
às portas dos a quem deste e a eles não...

lá vens tu e os outros
com as lengas-lengas da paz e da fraternidade
quando, em ti, não há total bondade?.

Quem te inventou Natal? Quem?
Antes eras o Deus Sol... e passaste a sinal de conversão!

Quem acredita em ti Natal?
Os que não sabem que és uma importação de festas religiosas, de 
interesses religiosos que serviram para enfrentar jugos ditatoriais
de quem queria só uma Fé? 

E hoje, o que és, 
a não ser um feriado religioso, 
uma troca de hipócritas saudações em cartões de papel e de lembranças;
que se não forem dadas, 
a culpa não é de ti ou da tua falta de fraternidade, 
mas de quem não as dá!?

Preocupas-te Natal de quem tem fome? 
Das crianças sem água para beber, 
e já doentes sem serem tratadas como humanos.

Desaparece Natal. Vai...
porque tu, Natal, nada és.

Nós... nós é que deveríamos ser o Natal...
na obrigação de fazermos o Natal dos outros...

sem crenças, 
sem dias implantados, 
sem cumprimentos de ocasião,
.... (sem reparos quando não se dão)

e ver... ver para dar, aos quem têm sede e não têm pão!

Tu Natal, 
nunca deverias ter sido uma invenção da religião.
Mas um "pecado mortal" por fechares a mão
a quem dizes ser um irmão !

Carlos Lacerda


A FORÇA DAS TRADIÇÕES




A FORÇA DAS TRADIÇÕES 


«NATAL 2016»


Mudam-se os tempos, mudam-se as verdades
Num larguíssimo oceano de emoções
Toda a gente se empolga em novidades
Porém perdura a força das Tradições.

Nada há melhor que o tempo dos avós,
Pairam no ar as suas virtualidades
E num Presépio, herança em todos nós,
Mudam-se os tempos, mudam-se as verdades.

Batata e couves, ovos e bacalhau,
Noite de aromas com imaginações,
Acepipes saborosos a dar com um pau
Num larguíssimo oceano de emoções.

Correm os belos vinhos sobre a mesa,
Ao som de badaladas e trindades,
Cheirando bem as finas sobremesas
Toda a gente se empolga em novidades.

Rodam sonhos, mexidos e aletria,
Filhoses, rabanadas e coscorões
Falta, às vezes, um pouco de magia
Porém perdura a força das Tradições.

Corre ligeira a Ceia, que é Natal
E paira no ar um saudoso regalo,
Pede-se ao Menino ou ao Pai – Natal
Que acabe bem depressa a Missa do Galo.

Mesmo que se diga que não há Tradições,
Que os tempos já não são aquilo que eram
E a chama se apagou nos corações…
Não, na alma da gente se mantiveram.

Não há Terra nem Lar que as esqueçam,
Não há família sem estas recordações
E nem mentes humanas que não mereçam
Sentir o calor vivo das Tradições! 

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA