segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

AOS SEQUIOSOS DO MUNDO




AOS SEQUIOSOS DO MUNDO
“A fonte da água bela”


Almas sedentas da água viva do mundo
Que doravante já não corre nos fontanários
São as mesmas que singram por caminhos vários,
Ansiando ir ao encontro dum sonhar profundo.

Água viva do mundo, fresca e cristalina
Daquela fonte de emoções a palpitar;
Água jorrante e até – somente a gotejar
Num coração sedento, em hora vespertina…

Não há água que mate esta sede singular!
Na terra que é de todos, sem ser de ninguém,
Brota em sombria noite n´aldeia de Belém
Um corpo de Menino feito Luz a brilhar…

Anjos, pastores e reis, beberam dessa água
E a noite fez-se dia, numa aura manifesta
De ternurenta paz, de harmonia e de festa
Com fortes emoções, secando toda a mágoa…

Sequiosos do mundo, procurai a estrela
Que vos conduza àquela Fonte d´ água bela!

© Frassino Machado
In OS FILHOS DA ESPERANÇA

www.frassinomachado.net

domingo, 22 de dezembro de 2019

HÁ MESTRIA EM TODA A ÉPOCA DE NATAL!


Imagem de Ró Mar

HÁ MESTRIA  EM TODA A ÉPOCA DE NATAL!


Em casa portuguesa há o Menino no varandim!
Há toalha bordada e velas demais! Há alecrim!
Há pinheiro verde, bolas de toda a maneira, 
lá bem ao cimo a maior das estrelinhas
e em baixo de tudo o presépio das artes e ofícios! 
Há magia no berço feito de palhinhas 
sobre musgo verde seco! Há prendinhas!
Há contos envoltos em mantas rés à lareira!
Há inverno enraizado nas nesgas dos edifícios!

Em casa portuguesa há certa tradição!
Há bacalhau com todos e real vinho! Há mote!
Há mesa pronta prá ceia, que adentra a noite!
Há sonhos, arroz doce, rabanadas, bolos e tortas!
Há missa do galo, peru à mesa e adoração!
Há o hábito de trajar de branco e vermelho 
e de gorro até às orelhas! Há lendas encanastradas
na serapilheira da sacola do mais velho!
Há sinos, às doze badaladas abrem-se as portas!

Em casa portuguesa há lareira acesa!
Há pão de todos os cereais, broa de milho 
e também migalhas! Há azeite com certeza!
Há queijo e presunto serrano! Há real vinho!
Há alegria em toda a idade! Há azevinho!
Há gente e toda a gente! Há olhares de brilho!
Há gargalhas, abraços e também lágrimas de saudade!
Há muita música e também amor de verdade, 
para dançar noite adentro! Há felicidade!

Em casa portuguesa há esmero na culinária!
Há especiarias e mais prá receita necessária!
Há loiça da vista alegre e também da grossa!
Há colheres de pau, rolos e muita massa
a levedar para com a gente de valor partilhar!
Há também galos e bordalos p'ra enfeitar!
Há roupa velha, patos e mais p'ra cozinhar!
Há alhos e bugalhos! Há fé com certeza!
Há couve flor, galega e portuguesa!

Em casa portuguesa há crianças a brincar
e outras d' olhos esbugalhados! Há que reinventar!
Há o Espírito que aprendem na escola
e nos livros que por lá tem! Há passeios à borla!
Há bolo rei que custa os olhos da cara! Há nozes! 
Há vinho do Porto! Há fado e outras vozes!
Há pinhão milionário, amêndoa descascada,
figos e outros frutos secos! Há desgarrada
bem afinada! Há ciranda e risada!

Há mestria em toda a época de Natal!

© Ró Mar

https://ro-mar-poesia.blogspot.com

sábado, 21 de dezembro de 2019

PRESÉPIO VIVO




PRESÉPIO VIVO


Em tempo antigo
O presépio era vivo
José e Maria se reflectia
Nas pessoas da avó e do avô 
Em volta seus netos e filhos
A família uma só.
Havia um rebanho 
Um pastor e um estábulo
Na loja o burrinho
Na pocilga o boi 
Era substituído pelo porquinho.
Amassavam-se as filhoses 
Para alegria dos mais pequeninos
Cantava-se à volta da fogueira
Ao Deus menino tão pequenino.
Tenho estas memórias guardadas
Lembrança e quanta saudade
Cada pessoa é lembrada
No presépio da humanidade.
Saudades de tanto empenho…
Do avô e da avó, dos pais que já não tenho,
Tanto mistério neste presépio humano, 
A saudade engole a gente.
A luz do presépio era fraca 
Mas estava sempre presente
A candeia era alimentada com azeite.
A casa era humilde, não muito importante,
Mas suficiente 
Para o nosso aconchego.
A lembrança da nossa fé
E da nossa inocência
Vinha com a presença
Do divino infante.
A simplicidade daquele presépio humano,
Tinha enfeite irrelevante
Transmitia paz e alegria
Na sua essência, no meio do alarido
Da presença das tias e tio.
Na ceia, não faltavam as filhoses
O pão e vinho e o sorriso abundante
Esperando as doze badaladas
Para celebrar o nascimento
Do divino infante
Reflectia sobre estes engodos,
Tanta alegria, nos unia,
Jesus nascia para todos.

NATAL É ASSIM!



NATAL


Pintura de Van Gogh


“NATAL”


Vejo pessoas lisonjear o mundo, e o vão prazer!
E por este quadro quando passo os olhos meus
Vejo o mundo em sombra, que se está a perder,
Negando a muitos o direito de viver, e dizer adeus!

Se essa gente observasse a angústia a instalar-se,
E ouvisse os gritos humanos, impossíveis de conter,
Como se um vinho feito de propósito para endoidecer,
Nos nervos malévolos das pessoas se entornasse!

E tudo isto adquire mais força e significado no Natal!
Na multidão, vemos folhas mortas ao abandono fatal,
Manifestando a sua dor sozinha e desgraçadamente!

Vejo tanta nódoa de lágrima hipocritamente vertida,
E choros verdadeiramente sentidos silenciosamente,
Que são dissimulado em riso, pela injustiça da vida!

© Alfredo Costa Pereira

NATAL QUE ME DEIXA CONTENTE...




Natal que me deixa contente…


Faço das tristezas a minha força
E das minhas forças alegrias
Não há diabo que me torça
Na verdade, que assim roça
A amizade em tão belos dias

Dou amor a quem mo pede
E quem mo pede o receberá
Será que alguém se atreve
A não dar o amor que se deve
E quem precisa o que fará?

Vem aí o Nascimento do Menino
Esse Menino que é nosso Deus
Tantos anos e tão pequenino
Mas tão belo paladino
Que subiu aos lindos céus

Eu, tu e outros mais
Por aqui o faremos renascer
São momentos que são demais
Já que há poucos a eles iguais
Que nos deixem tanto prazer

Vamos, pois por cá comemorar
O Natal que Deus nos deu
Não há nada como O saber amar
No momento que está a passar
Uma beleza que aconteceu