terça-feira, 31 de março de 2020

TEMPO...

Imagem: Joli COEUR


TEMPO... longínquamente


Já não há todo o tempo do mundo;
Quem o diz é este mundo moribundo,
Onde a frescura deu lugar à clausura
E alegria à amargura.

Há medo!
Assim quando ele se instala parece torpedo
Que nos abala a alma.
A calma vai se perdendo e no tempo que temos receio que nos reste,
Pedimos que nos ceda esperança.

A prece dá-nos segurança.
Parece que assim fazendo dá-nos um crescendo que nos ajuda a prosseguir.
Ficamos descansados como se de um ritual tratasse.
E assim como se almoça é a naturalidade a surgir como se "nada nos afetasse".

Quem dera!

Enquanto nos vamos "enganando"o tempo vai passando,
Aguardando sempre que nunca nos aconteça.

Sincera e confessamente também aos meus!
Oh céus!
Que nunca se me adormeça a vontade de agradecer a Deus.

"ADIENTEI UMA HORA"


Imagem: Ephéméride - Seasonal Calendar


"Adiantei uma hora"


Adiantei uma hora
Ao dia de ontem,
Pra não andar à nora
Na casa que me tem...

Refém, não senhora!
No relógio da sala
Outro galo agargala,
Adiantei uma hora!

Deambular o futuro
Num ciclo que m' enamora,
Porque não? Ah, juro
Adiantei uma hora!

Adiantei uma hora
Ao quarto que de quarto
Em quarto ajusta a hora
Pra ser mais que um quarto!

"LIMPAR A QUIMERA"




TEMPO DE MITIGAÇÃO  


“Limpar a quimera”


Em tempo de mitigação
Deste cataclismo vigente
Há que racionar a emoção...
E colocarmo-nos frente a frente
Na quarentena da contensão
Para qu´ o mal não chegue à gente!

E para que, de facto, não chegue
Arredem-se os colaterais
Males, e que a alma sossegue.
Virá o tempo da água clara
Da original fonte de cristais
Que tudo, mesmo tudo, sara!

Que há males que vêm por bem
Di-lo a popular sabedoria,
Ainda que a Páscoa se contém
E, ademais, resta-nos a nostalgia
Donde a Mitigação nos vem
Preparando um´ outra harmonia.

Mitigação, um tempo de espera,
Um tempo certo de renovo
Para a segura Primavera.
Importa limpar o estorvo
E remover toda a quimera
Para consolação do povo!

© Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA

terça-feira, 24 de março de 2020

TADINHO DO MUNDO




TADINHO DO MUNDO


Tadinho do mundo tão
Contaminado pelos seus
Maus pensamentos, más
Ações e más atitudes, de
Egoísmo, centrado no seu
Umbigo, só pensando em
Satisfazer as suas causas
E necessidades imediatas
Tadinho do mundo, que
Não se deu conta que trouxe
E atrai para si dores mais
Profundas e passa por uma
Dizimação coletiva com o
Coronavírus, que chegou e
Se espalha numa velocidade
Incrível e tem feito mundo
A fora tantas vítimas, não
Distinguindo idades, cor
Religião, ascensão social
E nem sexos e veio para
Fazer uma limpa, oxigenar
O nosso planeta, dos atos
Humanos que tanto o tem
Prejudicado, poluído a natureza,
Dando fim as espécies animais
Ameaçadas de extinção
Tadinho do mundo que
Está sofrendo isolado em
Confinamento social para
Evitar espalhar e contaminar
Mais pessoas numa crise
Mundial devastadora que
Está apenas começando
E da qual todos nós unidos
Em pensamentos queremos
O quanto antes sobreviver
E mais do que nunca superar.

SEM PERDÃO




SEM PERDÃO


Tão longe está o mar, tão perto estava
Quando menino fui e o olhei,
Na vez primeira que lhe perguntei
Em que praia nascia e acabava...

Olho hoje esse mundo que deixei,
O mundo ao qual jurei que não deixava
Quando com alegria cavalgava
As ondas que traí, quando jurei...

O mar forte é sustento e é guarida
Mas sofreu, também ele, a solidão
E jamais perdoou minha partida...

Peço agora, submisso, seu perdão
Pela fuga que fiz p´ra outra vida
E sonho regressar, mas é em vão.

segunda-feira, 23 de março de 2020

ÁGUA




ÁGUA 


E a tal seca chegou ao meu quintal,
não existe chuva alguma sob o céu:
nenhuma nuvem... nenhum bom véu
para suavizar nossos suores de sal.

Sequer uma sombra na linha astral,
nem um vento e sequer brisa ao léu
por léguas e léguas nesse mundéu,
a tragédia já se tornou muito banal.
...
Ai, cadê a água, boa gente do Norte?
Ai, cadê a água, sensível povo do Sul?
Arde o sol em um espaço de aço azul.

Também na seca é que se cria a Morte,
e então não haverá o que se por à mesa
- se não cuidarmos melhor da Natureza!

Silvia Regina Costa Lima